10/02/2012 atualizado às 17:47
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Ser 'freegan' e viver do lixo dos outros

Mobilar a casa, vestir-se ou alimentar-se com objectos e produtos recolhidos da rua pode ser uma estratégia de vida alternativa.

Agência Lusa (Paula Lagarto)
17:56 Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Há quem defenda que recolher produtos é "
actividade natural e instintiva"
 e que ultrapassa até mesmo os problemas económicos ou ecológicos
Há quem defenda que recolher produtos é " actividade natural e instintiva" e que ultrapassa até mesmo os problemas económicos ou ecológicos
Pedro Pina/Lusa

Vera, André, João e Ana são mais que recicladores, são 'freegans'. Mobilam a casa, vestem-se e alimentam-se com objectos e produtos recolhidos por todo o lado. Recolhem o "lixo dos outros" não por questões económicas, mas porque não suportam o desperdício.

Sem conhecer o termo 'freegan', que resulta da fusão das palavras 'free' (gratuito) e vegan (vegetarianos), o músico João (nome fictício) diz não comprar roupa nova há anos e que basta uma 'visita' semanal a supermercados e mercados de Lisboa para encher a dispensa.

Mas estas visitas não servem para comprar, mas antes para recolher alimentos dos contentores, uma prática que conheceu há oito anos na Holanda.

Estando "tudo limpo e bem desinfectado", os alimentos são consumidos e até oferecidos à mãe, que com um salário entre os 300 e os 400 euros agradece toda a ajuda.

"A sociedade e eu não nos entendemos lá muito bem e viver de forma alternativa é sempre possível", garante João, que também se junta a amigos que ocupam casas, uma das actividades incluídas no movimento 'freegan' mais 'convencional', como o vivido em Nova Iorque.

Já para Ana, a recolha do "lixo dos outros" ultrapassa as questões ecológicas e económicas: "É um prazer e necessidade de prolongar a vida dos objectos, dar-lhes um novo lar, uma nova oportunidade, uma continuidade".

Ana considera-se uma 'glaneuse' (espigadora). Recolhe alimentos numa lógica de espigadora, ou seja, aproveita tomate, batatas ou uvas deixados nas máquinas de recolha dos campos e que acabariam por apodrecer.

E se num primeiro momento foi criticada pelos mais próximos, esses agora também já seguem o seu exemplo.

A portuense Vera desistiu de ser 'freegan' em Portugal depois de uma experiência em férias e em 11 meses que viveu em Londres.

"Se tem dinheiro para andar de carro por que é que vai aos caixotes?", questionou a polícia inglesa numa noite, num parque de estacionamento de um supermercado. Vera explicou a sua opção de aproveitar produtos de boa qualidade deitados fora, por vezes apenas por terem amolgadelas ou tampas partidas.

Em Portugal, o cheiro a lixo e a sujidade travou-lhe a vontade de continuar a ser 'freegan', mas continua a vestir-se com roupas em segunda mão e a usar em casa objectos que alguns consideram desperdício.

Ainda em Londres, André traduz a expressão 'freeganismo' por 'gratiganismo'. Comparando duas das cidades que melhor conhece, comentou que "em Londres existe mais desperdício e no Porto existe mais mesquinhez".

André considera que recolher produtos da rua em contentores é uma "actividade natural e instintiva, que nada tem de extremista ou de menos digna".

"Extremismo é deitar fora toneladas de alimentos, inclusive vindos de países onde pessoas passam fome, é deitar fora animais que sofreram para nada, não ter consideração pelo trabalho das pessoas e usar recursos escassos sem disso advir qualquer benefício", argumentou.

André sublinha, porém, que não pode haver ilusões e que recolher só por si não é solução. Por isso, defende que se deve questionar o "próprio consumismo" e procurar "formas alternativas de viver, sobreviver e conviver, que não ponham em causa o futuro do Planeta, nem reduzam os seres vivos a meros números".

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NECESSIDADE
Musoko (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 20:04 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Muitas vezes é a necessidade. Nas cidades alemãs, por exemplo, as famílias colocam nos passeios tudo o que não precisam para os estudantes universitários apanharem e levarem para casa. Comida não, claro.
Mas tudo é relativo, ha países do terceiro mundo onde essa «vida alternativa» é mais normal do que pensa e não é raro encontrar-se muita gente a recolher géneros alimentícios dos contentores. Conheço até uma cidade que viu nascer um verdadeiro bairro na sua grande lixeira, com ruas e tudo. Passava sempre por lá para questionar o sentido da vida e para me considerar ums er com sorte.
Rui Ramos
 
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ilumimado (seguir utilizador), 1 ponto , 22:33 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
A RIQUEZA DO LIXO? OU O LIXO DA RIQUEZA?
NJP (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 2:38 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
Quem conheceu a Lisboa de outras eras muito antes de haver os contentores plásticos recorda-se dos caixotes á porta dos prédios que eram remexidos numa reciclagem separativa.

O papel e os tecidos para um lado, os restos de comida, as cascas das batatas, os restos de verduras iam parar aos latões e eram destinados á alimentação de animais, o vidro era raro porque as garrafas era reutilizadas para comprar o azeite ou o vinho aos meios litros. Ás vezes lá encontravam uns restos de metal, uma panela velha, um fio de cobre. E pouco mais porque a electricidade confinava-se á iluminação. Os frigroríficos e as televisões eram um luxo a que nem todos os remediados tinham acesso. Tudo era transportado por carroças sujas e mal cheirosas, puxadas por machos possantes de patas grossas.

A viagem das carroças paravam nos ferro velhos, depois nos armazens de papel com destino ao papel pardo, finalmente acabavam nas quinta dos subúrbios com poçilgas.

O que falhava na reciclagem á porta era separada pelos serviços camarários, em especial os restos orgânicos que íam parar ao Montijo onde íam adubar as areias para produzir-se batata exportada para todas as regiões do país.

O lixo nacional era pobre, não possibilitava agarrar rádios ou frigoríficos que os embarcadiços do Carregadores Açoreanos traziam da América.

O nosso lixo era pobre, a riqueza como hoje era para os intermediários, o lixo da liqueza era o habitual, como nunca deixou de ser. Afinal continuamos muito assim.
 
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Realmente...
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 19:45 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Ainda me lembro das imagens da queda da URSS que falava russo... Os media ocidentais todos não paravam de dar imagens miseráveis da pobreza extrema... "Olhem para isto, que miséria! É o resultado do comunismo, mas nós capitalistas, nunca passaremos pelo mesmo, pois o nosso modelo é o escolhido!".

Vejam agora... As mesmas imagens de miséria e de pobreza... Mas estamos no "Ocidente"!! Aqui, tudo se faz com estilo!:

Em vez de "Tortura", dizemos "Técnicas de interrogação forçada".

Em vez de roubalheira, dizemos "offshore", "hedge funds" e "band banks".

Em vez de "empréstimos para os pobres que não os podem pagar", dizemos "sub-prime".

E agora isto... Agora, são "freegans"!... Que miséria... Este Ocidente faliu, mas fá-lo sempre com classe.

Bem tem razão Mário Soares... O "Ocidente" tenta sempre branquear a sua imagem, mesmo com recurso a técnicas estúpidas e infantis... "Eles não são pobres, são freegans, é um estilo de vida!".

Que miséria...
 
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    Re: Realmente...    Ver comentário
andycor (seguir utilizador), 1 ponto , 5:27 | Terça feira, 18 de agosto de 2009
Cada um...
Helder Antunes (seguir utilizador), 1 ponto (Normal), 19:56 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Cada um chama-lhe o que quiser.
Pode chamar-se-lhe freegan e dizer que é uma estratégia.
É assim como o Sócrates dizer que tinha um rumo.
 
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O futuro do "rei"
Bomfim (seguir utilizador), 1 ponto , 7:18 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
Parece que já estou a ver o nosso pseudo "rei" aos caixotes. É que sem profissão conhecida e agora desmascarado www.reifazdeconta.com não se augura grande futuro para o senhor.
 
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...
mascas (seguir utilizador), 1 ponto , 19:24 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
contribuem em mais para o futuro da espécie e do planeta do que qualquer um de nós...por muito paradoxal que seja andar de carro a revirar o lixo, pelo menos consideram como foi muito bem dito que a sustentabilidade nao se consegue nesta lógica consumista de desperdício...nao percebo como alguns conseguem criticar a postura de outros que apenas e só aproveitam, reciclam e reutilizam...vá-se lá perceber, será esta mecanica rotativa de estereotipos impingidos, que induzem comportamentos obssessivos de compra e consumo que dificulta o discernimento? claro que nao sao os prazeres "indispensáveis"...que se lixem os netos e até os filhos, porque remever no lixo é que nao...
 
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Parvoices
libertino (seguir utilizador), 0 pontos (Despropositado), 19:19 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Sempre foi um modo de vida alternativo para pessoas pobres - foi muito praticado pelos imigrantes portugueses em frança e noutros países. Não nõ é vida alternativa. É só a latrenativa que lguns têm porque os apoios do Estado só chegam aos grandes grupos financeiros e ão às pessoas... Mas com o triunfo do capitalismo financeiro perdeu-se do horizonte a pessoas humana!
Os outros casos é mais do foro psiquatrico. O espanto do polícia tem sentido! Mas todas as petetices, desde que argumentadas com ecologismo, t~em saida.
Mas cada um tem liberdade de ser tonto à sua maneira... desde que não queira fzer da sua parvoice uma proposta totalitária. Está bem?
 
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