Promovido, pelo Centro de Investigação Identidade(s) & Diversidade(s) e pela Escola Superior de Saúde de Leiria, teve lugar no dia 14 de Janeiro, o Seminário "O Ensino da Enfermagem: a construção da identidade docente" (com o Professor Doutor Wilson Abreu, o Professor Doutor Abel Paiva, a Professora Doutora Marta Lima Basto, entre outros).
A iniciativa, ao contrário do que depois comprovei, parecia-me de uma inutilidade extrema, mas disso já falarei. Acabei por querer fazer uma intervenção, o que não foi possível devido à escassez de tempo. Não sendo pretensioso a ponto de achar que esta intervenção pudesse trazer algo de novo, achei, ainda assim, que seria bom publicá-la aqui, arriscando-me a que pela descontextualização fosse encarada como desprovida de sentido.
Foi a certa altura referido por um dos oradores que 66% dos nossos jovens querem ser médicos. Assumo-me como já tendo sido um desses (talvez devido a uma grande influência social) e assumo-o sem qualquer tipo de vergonha ou algum sentimento de inferioridade. Assumo também que hoje me sinto feliz no curso que frequento e que nada me levaria a optar por Medicina. Agradeço-o aos meus professores que me fizeram apaixonar pela ciência e arte que nos foi deixada de legado por Florence Nightingale.
O mesmo orador, que penso ter sido o Professor Doutor Wilson Abreu, disse também, e subscrevo, que os enfermeiros, se querem ter reconhecimento social, não é com uma campanha de marketing ou de "outdoors", é com a demonstração das suas competências e da sua significância para as pessoas cuidadas. Referiu, e bem, que não podemos querer abrir telejornais com grandes milagres como os que a medicina propagandeia. Para sermos felizes como enfermeiros, temos de nos "contentar" com aquilo que de bom a nossa profissão nos pode oferecer. Sinceramente não tenho o mínimo interesse em abrir telejornais (para isso tinha seguido jornalismo). Interessa-me, sim, ser reconhecido por cada um daqueles que cuido, pelo bem-estar que lhe proporciono e pelas competências que lhe ajudei a desenvolver para se autocuidar. Tudo isto, para dizer que hoje amo a Enfermagem e não me imagino com outra profissão.
Ora, ao ver o cartaz de divulgação deste seminário, sabendo que teria obrigatoriamente de participar, achei-o completamente inútil e que seria bem mais produtivo estar na aula. Nunca me passou pela cabeça ser professor, gosto demasiado de ser enfermeiro. Não obstante o facto de reconhecer no olhar de cada um dos meus professores uma grande paixão pela Enfermagem, que aliás é, segundo a Professora Doutora Marta Lima Basto, com a minha plena concordância, condição indispensável à docência de Enfermagem. Mas o meu lugar sempre me pareceu ser a prestação de cuidados e a docência não despertava em mim qualquer interesse. Com o decorrer da conversa fui-me envolvendo no tema, e achei que definitivamente era um tema pertinente, quando o Professor Doutor Wilson Abreu estabeleceu um paralelismo entre a profissão de enfermeiro e a de professor, que se resume numa frase muito simples "O bom enfermeiro, tal como o bom professor, é o que se torna mais rapidamente dispensável", ou seja, aquele que mais rapidamente consegue capacitar o outro para se autocuidar, no caso do enfermeiro, ou para aprender, no caso do professor. Este paralelismo ganha especial sentido com o Processo de Bolonha que, ainda que com as suas limitações e desadaptações actuais, tem potencialidade para ser das melhores coisas que já se fez pelo Ensino Superior. O professor ganha um papel preponderante de "ensinar a aprender" e, como aconteceu comigo, ensinar a gostar, porque só se aprende a aquilo que se gosta. É esse um dos papéis do professor: acima de tudo, capacitar o aluno. Assim, tal como mudou a minha opinião acerca da enfermagem após entrar no curso, mudou também a minha opinião acerca da docência depois deste seminário. Portanto apenas digo, talvez um dia...
Além da reflexão que isto pode trazer para a Enfermagem, lanço também a colegas de outras áreas o repto de nunca negarem à partida uma área que desconhecem, pois os horizontes que se abrem podem sempre esconder novas perspectivas de futuro e novos mundos por descobrir, pelos quais, quem sabe, nos podemos apaixonar.
*Vogal responsável pelo Ensino Superior na CPS da JSD PombalPresidente da Direcção da Associação de Estudantes Pombalenses do Ensino Superior
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