23/02/2012 atualizado às 3:54
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Senhora Ministra, tiro-lhe o chapéu

Adelina Barradas de Oliveira
1:55 Segunda feira, 23 de janeiro de 2012
Ré em causa própria - Senhora Ministra, tiro-lhe o chapéu

"Depois de procelosa tempestade, Noturna sombra e sibilante vento, Traz a manhã serena claridade, Esperança de porto e salvamento". Os Lusíadas, canto IV.

Dizem que a ordem do Ministério onde vossa excelência está ministra, é de pôr a Justiça ao serviço das pessoas, ao serviço do "outro".

Finalmente alguém entende que o Direito, mais que a Economia, pode fazer uma Nação.

É raro encontrar tanta tenacidade num ministro e ainda mais raro é vê-lo fazer cumprir o que diz.

Até aqui a Justiça tem sido a detentora de todas as culpas, a partir daqui a Justiça aparece como a inovadora de todas as mudanças.

Dizem que se zangou como Sr Bastonário e que até acordou o senhor Procurador Geral para dura prova de continuar a sê-lo.

Dizem que está contra tudo e contra todos mas, o que eu vejo é alguém determinado a levar a bom porto um barco que navega há muito a meio gás e em que a culpa de tão má navegação tem sido atribuída sempre aos juizes, como se fossem eles os senhores das cartas de marear.

E provavelmente até deviam sê-lo ou pelo menos deveriam fazer parte da elaboração das mesmas. E vejo então que começam a ser ouvidos os aplicadores da lei.

E como a srª Ministra diz, não estamos aqui para festejar nada. Os anos são difíceis mas o que sinto é que há um caminho a ser feito e felizmente está a ser feito na área da Justiça.

A minha área por eleição.

E de eleição porque, quando digo que sou titular de um órgão de soberania, sei que exerço um poder dever de forma independente e que, de forma independente,  estou ao serviço do " outro ".

E sei que o poder que exerço, o Poder Judicial, é ainda o único que é independente. 

Sendo a voz do Direito porque o é, o Poder Judicial pode ser, por ser o único independente de qualquer sufrágio e tendência política, aquele que zela pelo respeito e cumprimento da essência do Direito.

O Poder judicial pode ser um factor de mudança, o garante do Estado de Direito fundado nos valores humanos, nos direitos fundamentais e princípios constitucionais.

Sujeito a sufrágio e eleito o Soberano, abandonado ao seu novo estado, este esquece vulgarmente que exerce o Poder em nome do Povo e ao seu serviço.

Criando leis conforme as conveniências económicas, políticas ou outras, Poder Legislativo e Executivo, esquecem que foram eleitos não para serem donos, mas servos.

Sendo o intérprete/aplicador da lei, o leitor do espírito da mesma e não só da letra, o poder Judicial zela para que a lei deve estar apenas ao serviço de Direitos Universais e não interesses individuais.

É por isso que lhe tiro o chapéu senhora ministra da Justiça, porque teve a coragem de querer reconhecer na sua pasta, a capacidade para mudar mentalidades e costumes, a capacidade de ter coragem para agir e passar das palavras aos actos.

A Lei não é a Justiça. Esta será um resultado de uma análise interpretativa abrangente e esclarecida, livre de inclinações políticas, económicas, religiosas ou quaisquer outras.

 Para fazer este percurso querem-se aplicadores da Lei independentes, sabedores, humanistas que tenham a noção de que a lei positiva não é justa pelo simples facto de ser lei e resultar de uma convenção que deve ser cumprida ("pacta sunt servanda") e que  há uma teoria da Justiça que não é apenas formal.

É necessário reconhecer  que a justiça material é como pão para a boca e vossa excelência, tem se reunido de gente boa que vem tirando o véu formalista à aplicação do direito. 

Os passos que vier a dar são ainda árduos e enfrentarão ventos e marés .... Espero que consiga levar o barco a bom porto e que as cartas de marear nunca lhe sejam rasgadas e que as vozes dos velhos do Restelo, embora cautelosas, não a façam desistir ainda que tenha de enfrentar   procelosas tempestades.

 -----------

( Com um pequeno excerto do  projecto de Mestrado em Media, Comunicação e Justiça, por mim elaborado, - Universidade Nova de Lisboa, Docente :- Prof Placido Conde Fernandes )

 ACCB

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Surpresa
moncarapacho (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 8:56 | Segunda feira, 23 de janeiro
A imagem deixada pela imprensa é a de que as relações da Ministra com as várias vertentes da justiça, seriam tudo menos que boas.Fiquei agradavelmente surpreendido por haver vozes de apoio, que ela bem precisa. Se há sector visto como um empeçilho ao desenvolvimento do país, esse é o da justiça.

De facto, a resolução rápida de conflitos, empresariais, laborais, cíveis, etc é fundamental para o bom funcionamento de toda a actividade produtiva.

Para um leigo , e visto de fora, muita coisa há a fazer e é hora de pegar por uma ponta.....
 
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!
Desiludido... (seguir utilizador), 2 pontos (Normal), 13:36 | Segunda feira, 23 de janeiro
Na verdade, a justiça nos últimos anos, para não dizer depois de Abril de 74, assim como a maioria das coisas neste País tem andado pelas ruas da amargura. Uma justiça apenas para os poderosos e endinheirados. Vejam-se as alterações feitas em leis para defender pedófilos quando o processo Casa Pia estava efervescente. Uma justiça propícia a isaltinar todos os processos que envolvam poderosos e políticos. Como dizia o outro, um esfregão de cozinha ao serviço do poder político. Um país sem rei nem roca no que respeita à justiça e não só...
 
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A justiça e os seus quês que revertem em porquês?
marluz (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 14:37 | Segunda feira, 23 de janeiro
Grande Artigo... e dá pano para muitas mangas ...
As insolvências ... O despedimento e os tribunais. Uma Gestão Boa da Informação numa boa Gestão para que a justiça funcione. Com insolvências a sucederem-se em catadupa desde alguns anos a esta parte ... é caso para dizer criem uma firma de consultadoria de gestão e de apoio a firmas que não cumpriram e não pretendem cumprir os seus deveres.O mercado é fértil dado que existe uma falta grande na interligação dos diversos tribunais...Penais, cíveis, fiscais, de Comércio e outros. A lacuna na informação é demasiado grande para poder funcionar a 100%...Consequências na crise ... muitas.A falta de informação é deveras gritante e injusta.porquê? por ex. uma empresa apresenta um mês antes a insolvência e o tribunal aceita-a como se a empresa existisse só nessa altura e não houve processos atrás de trabalhadores, credores etc.. e todos os outros tribunais ficam sem informação alguma ... e aquele que foi queixoso e vítima por falta de pagamento passa a ficar com o ónus dos impostos que eram devidos à empresa e nalguns casos fica também debaixo da alçada penal ...
Isto é para rir, sem ter qualquer piada ...Onde fica a ética, afinal, se não estão em sintonia com métodos e critérios diferentes, bem como descoordenação entre os diversos agentes e instituições. Porque a resposta dada é alarmante insuficiente? porque a articulação era fundamental para por travão numa ética deontológica importante para travar e por a funcionar todos?
 
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MUITO BARULHO PARA NADA
Prima facie (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 17:47 | Segunda feira, 23 de janeiro
O principal proclema na justiça portuguesa é a CELERIDADE, ou melhor, a FALTA DELA.
Porquê?
Porque da celeridade da justiça depende toda a credibilidade e justiça na vida económica e social: as dívidas, os arrendamentos, as indemnizações, as facturas, as falsas declarações, as partilhas, etc. etc. etc.
Justiça lenta não é justa.
Passam ministros a seguir a ministros, e o que fazem? Uma leizita aqui, uma polémica acolá, uma reformazita algures, mas muitas promessas e fazer, nada.
A actual ministra da justiça não é diferente dos ministros que temos tido.
É mesmo muito pior do que eles, porque é uma convencida incompetente que, até agora, só procurou protagonismo à custa dos advogados e da respectiva Ordem.
Onde estão as obras da Sra Ministra que resultem (já deviam ter começado a resultar!!!!!!!!!!!!) no aumento da celeridade da justiça em todos os níveis? Nada, ou quase nada.
Daqui a pouco vai-se embora, e a rica obra fica por fazer, mais uma vez.
Tudo o resto é conversa para entreter meninos e meninas e embalar os tolos, ou vice-versa.
 
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Falam os que não sabem
Hamurabi (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:10 | Segunda feira, 23 de janeiro
Gosto da frontalidade do que escreve e da coragem com que o faz. Quem a lê desde o início, sabe que o faz porque é assim que pensa.
A dor, se a houver, quem a tiver que a suporte. Diz o povo que a dor de corno é lixada.
Terá muito quem a queira condenar por ser como é mas, penso eu, não a deve incomodar a vontade que em alguns se nota. Sendo juiza e para mais desembargadora, deve estar muito habituada á maledicência.
Que a ministra tem o que muitos homens gostariam de ter, isso é verdade. Grande artigo e dá muitos panos para muitas mangas num país que tem de reaprender o que são regras. Talvez nesta republica de bananas as mulheres comecem a marcar pontos.
 
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    Re: Falam os que não sabem    Ver comentário
vidiguera (seguir utilizador), 2 pontos , 11:06 | Terça feira, 24 de janeiro
Vamo lá a ver ...
zeze1111 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:33 | Segunda feira, 23 de janeiro
A traseira de um barco em causa própria ... e à procura de um lugarzito de assessora de qualquer coisa ... boa sorte !!!
 
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