A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, afirmou hoje que se formar Governo riscará o investimento na rede ferroviária de alta velocidade (TGV) e estimou que o desemprego poderá atingir os dez por cento.
Entrevistada hoje à noite na RTP-1, Manuela Ferreira Leite considerou que "na situação actual do País, que está com um nível de endividamento absolutamente incomportável, não é possível fazer investimentos - sejam eles quais forem - que impliquem grandes importações".
A presidente do PSD disse que estará "sempre contra" investimentos cujo benefício "não tenha nada a ver com a produção nacional, porque vai ser tudo importado, nem com a mão-de-obra nacional, porque vai ser toda importada".
Questionada pela jornalista da RTP sobre a que projectos estava a referir-se, Manuela Ferreira Leite respondeu: "Se insiste e quer que eu lhe diga um, eu dir-lhe-ei que sendo Governo riscarei imediatamente o TGV".
"Não avançarei com o TGV porque é um investimento que tem uns custos presentes e futuros de tal forma violentos para o País que não são comportáveis com o nosso nível de endividamento. Eu gostaria imenso de viver num palácio, acontece que não posso porque não tenho dinheiro para isso", acrescentou.
Manuela Ferreira Leite disse não ter tido acesso às contas de custo/benefício da alta velocidade mas alegou que "para que o investimento do TGV fosse rentável era necessário que houvesse um tráfego para Madrid que correspondesse a uma saída de aviões de sete em sete minutos".
"Não temos nenhuma empresa em Portugal que produza as componentes e tudo aquilo que vai ser a construção do TGV", salientou.
Interrogada se a sua oposição se estendia à linha Porto-Vigo, respondeu: "Eu estou a incluir todo aquele processo que implique maior endividamento para o País".
Por outro lado, questionada sobre o desemprego, a presidente do PSD disse esperar "um agravamento da taxa de desemprego".
"Infelizmente eu admito que a taxa de desemprego seja capaz de subir mais de um ponto ou dois. Pode atingir os dez por cento e se não atingir os dez por cento é porque existe muito artifício", previu.
Baixar impostos se há "folga orçamental"
Na entrevista à RTP1 Manuela Ferreira Leite voltou a defender que, "se há folga orçamental", como diz o Governo, "essa margem deve ser utilizada para baixar impostos e não para aumentar a despesa", defendendo em concreto uma redução da taxa social única e do IRS.
A presidente do PSD recordou que o seu partido propôs durante o debate do Orçamento do Estado para 2009 a "redução da taxa social única porque é um custo do trabalho" em "um por cento".
"Neste momento, se houver margem, porque é que não baixa dois ou três ou quatro? Pode baixar", defendeu.
"Se a margem pelos vistos é de 0,8 ou de 0,9, portanto são muitos milhões de euros, eu admitiria a hipótese, por exemplo, de mexer no IRS", acrescentou, considerando que seria "uma forma de ajudar a que as famílias tivessem um rendimento disponível superior".
Questionada sobre de que forma reduziria o IRS, Manuela Ferreira Leite defendeu "que devem ser feitos cálculos sérios, ponderados, saber quais são as consequências em termos de perdas de receita das diferentes fórmulas de mexer no IRS".
"Não faço demagogicamente aqui nenhuma afirmação nem vou propor algo que não possa ser exequível. Não é possível fazer as contas sem sabermos quais são os escalões em que se está a mexer e nós não temos essa informação", acrescentou.