Raymond Domenech e Thierry Henry no final do jogo que apurou a França para a África do Sul
Michel Euler/AP
"Falta grave aos princípios morais e éticos da parte dos dirigentes desportivos e políticos franceses - é uma vergonha!". É este, em resumo, o teor dos comentários da larga maioria dos analistas franceses, que hoje continuam a criticar duramente a forma como a França se apurou na quarta-feira para o Mundial-2010 de futebol na África do Sul - com um golo no prolongamento, precedido de mão voluntária do seu capitão, Thierry Henry, frente à república da Irlanda.
Mas o seleccionador Raymond Domenech, personagem polémica mesmo em França, não ouve os que pedem aos dirigentes desportivos e políticos franceses para insistirem junto da FIFA para que o jogo seja repetido. Mesmo o Presidente da República, Nicolas Sarkozy, é criticado por, logo a seguir ao jogo, ter declarado: "As peripécias da qualificação não interessam, o que interessa é que é muito importante estarmos na África do Sul".
Prémio chorudo
Raymond Domenech pediu para o deixarem festejar em paz com quem "realmente gosta de ver a França no Mundial". "E há muita gente que quer festejar, podem crer", acrescenta.
Tanto os jornais desportivos como os generalistas dizem que a República da Irlanda não merecia ter sido afastada da África do Sul. E um deles - o "France Football" - informa hoje que o seleccionador ganhou 862 mil euros pelo apuramento.
Domenech diz não ter de pedir desculpas a ninguém pela forma como a sua equipa venceu a eliminatória e justifica a sua posição com casos de erros de arbitragem que, no passado, prejudicaram a França ou os clubes franceses. Recorda, designadamente, a mão de Vata, que marcou um golo pelo Benfica num jogo para a Liga dos Campeões, contra o Marselha, que afastou a equipa francesa da final com o AC Milan.
Ministra a favor da repetição
Hoje, a ministra da Economia, Christine Lagarde, também entrou na polémica dizendo: "É feio ganhar com batota, o jogo deveria ser repetido". E muitos educadores e formadores desportivos pediram o mesmo em nome dos princípios da ética e da moral. "É preciso dizer aos jovens que o crime não compensa, apregoamos todos os dias esses princípios tanto para a vida como para o desporto e tudo caiu agora por terra", exclamou um deles.
"Se a França tivesse pedido um novo jogo, tal como fez a República da irlanda, a FIFA teria sido obrigada a organizá-lo", disse um comentador.
Recorde-se que esta manhã a FIFA já esclareceu que não haverá lugar a qualquer repetição, justificando-se com as leis do jogo e com a autoridade absoluta conferida ao árbitro por tudo o que se passa dentro do relvado.