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Selecção cultural

12:27 Quarta feira, 20 de janeiro de 2010

Os evolucionistas admitem há muito que a selecção natural foi influenciada por alterações do meio ambiente. Admitem, por exemplo, que as alterações climáticas teriam transformado as florestas onde os nossos antepassados remotos viviam, criando savanas. Questionam se essa transformação não teria acelerado a adopção de uma postura erecta, com todas as correlativas transformações do crânio e do cérebro que nos tornaram o que hoje somos.

Mais recentemente, começaram a discutir se, além dessa influência, não haveria uma outra, a da própria sociedade humana, que poderia ter acelerado as mudanças genéticas. Há algumas décadas, a simples colocação do problema teria enfurecido muitos dos que denunciavam, com razão, extrapolações evolucionistas para teorias e práticas deploráveis, de que é exemplo a eugenia. Esta última, criada pelo naturalista inglês Francis Galton, primo de Charles Darwin, preconizava que se acelerasse a evolução fomentando a procriação dos mais aptos. Na reacção à eugenia, além de argumentos morais decisivos, estava subjacente a ideia de que a selecção é um processo muito lento, com um horizonte temporal de centenas de milhares de anos, e que o desenvolvimento das sociedades humanas teria secundarizado os factores da evolução biológica. A cultura teria tomado conta do palco.

Segundo discutem hoje os evolucionistas, a cultura terá mesmo tomado o palco, mas também na selecção natural. A alteração genética, sempre em acção, mesmo nos nossos dias, terá sido influenciada e acelerada pelas nossas atitudes culturais, ou seja, pelos comportamentos transmitidos por ensino directo, pela imitação e por outras formas de interacção social. Um exemplo dessa influência é a decorrente da introdução do pastoreio nas sociedades pré-históricas. Várias investigações têm mostrado que o pastoreio e a pecuária favoreceram uma evolução biológica positiva de tolerância ao leite nos adultos.

Outro exemplo muito estudado é o da rápida mudança genética de algumas populações da África Ocidental, que aumentaram a resistência à malária. Acredita-se que essa mudança deriva da devastação de florestas pela introdução da agricultura de tubérculos. A remoção das árvores criou áreas sujeitas à saturação de águas superficiais, favorecendo a propagação de mosquitos portadores da malária. Os mais resistentes teriam sobrevivido.

Cita-se também o crescimento da espessura dos cabelos humanos operada em poucos milhares de anos em algumas zonas do globo. Pensa-se que a mudança está associada ao surgimento de uma preferência sexual por indivíduos de cabelo mais forte. Em algumas sociedades, o aparecimento dessa preferência terá acelerado essa mudança, e com uma rapidez muito maior do que a que seria de esperar da selecção biológica pura.

Para medir a influência da cultura na evolução há um instrumento decisivo: os modelos matemáticos. São os modelos matemáticos de co-evolução gene/cultura que permitem calcular as velocidades teóricas de propagação de traços genéticos em cenários diversos. Se apenas entrar em acção a aleatoriedade evolutiva, a velocidade de mudança é uma. Se houver uma selecção positiva influenciada pelas atitudes culturais, a velocidade de difusão dos novos traços é outra. Mais uma vez, é preciso fazer as contas. E as contas parecem mostrar que a cultura é um factor a ter em conta.

Texto publicado na edição do Expresso de 16 de Janeiro de 2010
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kcorreia (seguir utilizador), 1 ponto , 12:45 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010


As contas que não sei fazer…

É com alguma tristeza, que deparo com blogues em destaque, cujo os artigos não valem uma pipoca, e outros há, bastante interessantes, escondidinhos num cantinho, com medo que alguém os descubra…

Quando digo que alguns artigos não valem uma pipoca, não estou a atacar quem os escreve, não conheço os articulistas, não sofro de cblubites, partidarites…etc.
O que quero dizer, é que esses artigos, ao contrário dos do Professor Crato, não nos despertam curiosidade, deixam-nos apáticos…

“E as contas parecem mostrar que a cultura é um factor a ter em conta.”

“ Parecem mostrar”??? Porquê tanta cautela???

Toda a vida ouvi dizer que os orientais tinham os olhos em bico, por comerem muito arroz:))))))))

 
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O Tao do Caos
LaBruyere (seguir utilizador), 1 ponto , 12:10 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Venho propor a leitura de um livro que é de pôr os «olhos em bico», já que é preciso «paciência de chinês» para o ler e que pelo título poderá parecer só interessar a quem anda pelas áreas das biologias. È interessante também para quem anda pelas áreas das matemáticas e até eu que sou das electrónicas dei por bem empregue o tempo que gastei a lê-lo, trata-se do livro:

O Tao do Caos
O ADN e o I CHING
  revelam o código do Universo
Katya Walter deposito legal nº 111875/97
Lyon Edições, colecção Nova Era New Age, penso que é do grupo da editora Europa-América

Sou daqueles que está um pouco farto do saber ortodoxo, com todo o devido respeito pelos bons Professores que dão o seu melhor para transmitir aos seus alunos o seu saber, a todos os níveis de ensino.
Para os ortodoxos ferrenhos deixo a seguinte mensagem…

“Ao ouvir falar do caminho,
o melhor dos homens
procurará avidamente explorá-lo.
A pessoa medíocre aprende sobre ele,
dedica-se a ele e escreve sobre ele.
Mas as pessoas comuns,
ao ouvir a noticia,
rirão alto, se não rissem,
não seria o caminho.”
Lao Tsé (cerca de sec.VI a.e.c.)
Em Tao Te King
O mesmo que escreveu…
“Uma viagem de milhares de quilómetros,
começa sempre com um pequeno passo.”

O que me leva a dizer…

“Enquanto jovens o Mundo é nosso!
Depois apercebemo-nos que fazemos
parte do Universo. É chegada a hora
de ler este livro*… . Boa Viagem!”
*O Tao do Caos, O ADN e o I CHING
revelam o código do Universo.
Katya Walter ...
 
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O Tao do Caos (continuação)
LaBruyere (seguir utilizador), 1 ponto , 12:15 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Ou seja, de forma geral diria…

“Enquanto jovens o Mundo é nosso!
Depois apercebemo-nos que fazemos
parte do Universo. É chegada a hora
de ler certos livros… . Os livros certos?

A.M.G.
(LaBruyere)
 
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D'us, Darwin e alguma confusão...
LaBruyere (seguir utilizador), 1 ponto , 11:47 | Sábado, 13 de fevereiro de 2010
… e agora (com a possível irritação dos mais ortodoxos) recomendo uma revista francesa cartonada que saiu recentemente:

  COMPLOTS & Dossiers Secrets, Hors-Série Nº 2

que pode ser encontrada nas boas livrarias e tabacarias.
Sou mais adepto da evolução por saltos da espécie humana e de outras com a intervenção de D’us, com uma evolução «tipo Darwin» nos intervalos.
Confuso, esquisito… talvez…
 
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