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Segurança é desemprego, trabalhador é explorador

Os liberais destravados garantem que a culpa da falta de mobilidade social é das leis laborais. E repetem tantas vezes, que talvez já acreditem. A realidade é que não bate certo com as suas certezas.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
9:00 Terça feira, 2 de março de 2010

Dizem os ideólogos da situação que, apesar de nenhum trabalhador dar por isso, o Código de Trabalho é um travão ao despedimento, e isso, como se está mesmo a ver, é terrível para os trabalhadores. Confirma-se que os slogans do Ministério da Verdade (1984, George Orwell) chegaram aos tempos modernos por via dos liberais destravados: "segurança é desemprego"; "trabalhador é explorador"; "estabilidade é injustiça".

A extraordinária conclusão terá sido dada por um estudo da OCDE que nos diz o que já sabíamos: que Portugal é, dos membros daquela organização, o país com menor mobilidade social. Isso tem a ver com o nosso atraso? Com uma quase inexistente redistribuição da riqueza? Com uma das desigualdades salariais mais altas dos países desenvolvidos (dos trabalhadores mais mal pagos da Europa e dos gestores mais bem pagos da Europa)? Com uma elite que se perpetua em todos os lugares de poder sem qualquer atenção ao mérito? Com empresas que não inovam nem apostam na formação e no saber? Claro que não. Tem a ver, dizem os nossos liberais de algibeira, com a sobrevivência de alguns trabalhadores "privilegiados" que ainda têm direitos.

Duas coisas não batem certo. Primeira: a indiscutível flexibilização das leis laborais em Portugal, nas últimas décadas, teve um efeito nulo na redução do desemprego e do trabalho precário. Pelo contrário, os dois indicadores têm aumentado. Segunda: a acompanhar os países do Sul da Europa nesta triste condição estão os países anglo-saxónicos, exactamente aqueles que apostaram na receita que os nossos "liberais" defendem. Para quem não saiba: contrariando as ideias feitas, os números mostram que os Estados Unidos e o Reino Unido têm menor mobilidade social do que os países mais avançados da Europa.

É verdade que a lei laboral portuguesa (estando longe da impossibilidade de despedimento tão apregoada) é menos permissiva que as dos países escandinavos. Acontece que a famosa flexigurança, que agora anda na moda, tem duas partes: a da flexibilidade e a da segurança. E a parte da segurança é garantida por um Estado Social forte. Pela presença do Estado na economia, por saúde e educação gratuitas e universais, por uma fortíssima presença do Estado no mercado da habitação, por subsídios públicos para quase todas as necessidades fundamentais dos cidadãos. E isto custa dinheiro. E esse dinheiro vem de impostos altos e de uma política fiscal justa. É a forte presença do Estado nas sociedades do norte da Europa que permite uma maior flexibilidade laboral sem rupturas sociais graves, não é a receita ultra-liberal. É mesmo o oposto dela.

E mais: isto também se consegue através de uma taxa de sindicalização superior a 80 por cento, com negociações laborais centralizadas, em que muito menos é deixado ao arbítrio da empresa, e com formação e reconversão a sério. E, já agora, com disparidades salariais muitíssimo reduzidas. Compram os nossos liberais estas regras? Pois, bem me parecia.

Infelizmente, os escuteiros de Hayek não aprenderam nada com a solução escandinava. Dela querem tirar apenas a lição que mais lhes convém. Querem pouco Estado mas muito risco para os mais fracos, impostos baixos mas leis laborais que deixam os trabalhadores entregues a si próprios, leis excelentes para o empregador e impostos pagos apenas por quem trabalha. Querem, como diz o povo, sol na eira e chuva no nabal. Já foi tentado. O resultado, em países com economias periféricas, é trágico.

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Segurança é desemprego
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:57 | Terça feira, 2 de março de 2010
Depois do desastre económico a que os neoliberais nos conduziram, ainda não têm vergonha de continuar a insestir na liberalização do emprego. É claro que há aqui dois Países e duas filosofias completamente distintas. Na Função Pública é tabu este tema e qualquer um que tenha a sorte de se encaixar no Estado tem emprego para toda a vida, com ordenado e regalias que para os particulares não passam de uma miragem. Eu não estou a dizer que os mesmos não são merecidos, mas sim que o País não criou riqueza para tais mordomias. Todos os que se arrastam no privado não vejo onde está o problema, porque são mesmo a maior parte das organizações patronais que o referem. Aliás desde quando a entidade patronal se quizer despedir um funcionário tem problemas em não o fazer e existem mil e uma maneira de se ver livre dele. No privado não passa de uma falsa questão. O que alguns reclamam é a não indemnização que não passa de uma chaha de um mês por cada ano, mas que mesmo assim algumas entidades ainda acham muito. Todos os dias coletivamente ou individualmente são despedidos empregados e se assim não fosse não teriamos uma taxa tão elevada.
 
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QREN e PEC
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 10:16 | Terça feira, 2 de março de 2010
O QREN e o PEC estão na ordem do dia político e era importante escrever sobre isso.
A baixa taxa de execução do QREN reflecte-se no emprego,no desenvolvimento do País.
O PEC-a poucos dias de ser apresentado á Assembleia da República-e enviado depois,para aprovação em Bruxelas-é uma matriz definidora do caminho de Portugal nos próximos anos.
Estes,parece-nos,serem temas a privilegiar num debate politico da sociedade actual que está cheia de teóricos e de teorias.
 
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    O problema é esse.. subsidiodependência..    Ver comentário
Bruno_Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 10:19 | Terça feira, 2 de março de 2010
Realidade vs. Ideologia Barata do Daniel
Bruno_Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 10:18 | Terça feira, 2 de março de 2010
1) A rigidez laboral desmotiva a contratação pelo risco inerente. Quando confrontado com uma oportunidade de crescimento, o empregador vê-se com a necessidade de incorrer num investimento que tem risco e incerteza, e a necessidade de contratar pessoas incorrendo numa obrigação certa e de baixa flexibilidade. Não há dúvidas que existe uma desmotivação. Ou seja, o investimento real será inferior ao investimento potencial. Claro que existem mais variáveis em jogo, mas esta é uma variável na equação com sentido negativo, portanto, influencia um resultado final de emprego inferior.

2) A lei laboral inflexível gera uma afectação de recursos menos eficiente. Não é preciso ser-se um génio para o perceber. Uma economia com uma afectação ineficiente de recursos é uma economia com menor potencial de crescimento, logo, menos emprego.

3) A elevada segurança que o código laboral promove faz com que as pessoas com emprego relaxem e deixem de se preocupar com formação contínua e com o enriquecimento progressivo do CV. Isto leva a uma diminuição das competências gerais da força de trabalho, levando a uma economia menos pujante, diminuindo a geração de novos e melhores empregos.

4) A elevada rigidez laboral leva a que muitas empresas em vez de se reestruturarem, tentem evitar as pesadas indemnizações numa lógica de "vamos lá ver se a maré muda", e acabam na falência. Em vez de ficarem metade sem emprego, fica toda a gente.
 
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    Re: Realidade vs. Ideologia Barata do Daniel    Ver comentário
JPCA (seguir utilizador), 1 ponto , 11:20 | Terça feira, 2 de março de 2010
Modelo nórdico.
Bruno_Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 10:28 | Terça feira, 2 de março de 2010
A elevada falta de civismo dos portugueses e as baixas qualificações dos mesmo não permite um sistema equivalente. Mas, o estúpido, é que os nórdicos são formados e têm um elevado sentido cívico e cedem na parte da flexibilidade. Nós nem somos uma coisa nem outra, e temos pessoas aqui como o Daniel Oliveira que querem modelos sociais "Ferrari". Alta segurança no emprego e alta segurança no desemprego... é romântico... mas é estúpidez achar que nos leva a algum lado.. o resultado está aí...
 
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    Re: Modelo nórdico.    Ver comentário
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 10:33 | Terça feira, 2 de março de 2010
Daniel,
Sakata (seguir utilizador), 1 ponto , 11:17 | Terça feira, 2 de março de 2010
Tens muita conversa. Mas diz lá aqui ao JE:

- Que empresas lanças-te com capitais próprios ?

- Quantos postos de trabalho tens criado nessa tua vidinha de comentador "bloquista" alinhadinho ?

- Que impostos oriundos dessas empresas e desses postos de trabalho têm contribuído para melhorar a dramática situação de muitos desempregados (não todos pois há por aí também muito chuleco/a do sistema a quem o trabalho até arrepia)?

- Que produtos e/ou serviços estão no mercado com sucesso e com a tua "impressão digital" para além do blá-blá-blá ?

Agradeço desde já a tua resposta.
 
 
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O País de Daniel Amaral
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:26 | Terça feira, 2 de março de 2010
Um Estado protector, que garanta a todos os cidadãos: Trabalho; Educação; Segurança; Protecção. Tudo o temos no ventre materno.

Você teria a certeza que escreveria estes inteligentes bloguinhos e mais um ou outro trabalhinho. Coisa pouca. Mas até à sua reforma. E mesmo que ninguém lê-se o bloguinho e a outra pouca coisa, não interessava, porque o jornal seria gratuito. E cada cidadão teria direito a um. Portanto todos os cidadão o levariam o jornal com o seu bloguinho debaixo do braço, quando fossem para as tarefas Estatais. Após os filhos irem para a escola gratuita, num transporte gratuito. E claro seriam dispensados de trabalhar para apoiarem qualquer familiar doente, que se encontrasse num hospital, obviamente, gratuito.

Não haveria centrais nucleares, nem nada que poluísse a atmosfera, mas ao chegar a casa ia-se ao interruptor e zás, fazia-se luz.

As merecidas férias, seriam em zonas paradisíacas a custo zero e claro licença de parto para toda a família. Pago como é lógico.

Você no seu eterno -até à sua morte, porque isso o Estado não conseguiria evitar - bloguinho e outras pequenas coisas, contaria deliciado estas realidades e as poucas vezes que escreveu com indignação foi quando os alemães se atrasaram no pagamento.
 
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    É Daniel OLIVEIRA e não Amaral    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:35 | Terça feira, 2 de março de 2010
Lei laboral flexível
zelis (seguir utilizador), 1 ponto , 16:07 | Terça feira, 2 de março de 2010
Quando se promove uma lei laboral flexivel para os empresários?
Quem pode impor a obrigatoriedade de honrar os compromissos assumidos, a honestidade de processos e a intencionalidade de não se servirem a eles próprios?
Não se consegue por os "ditos empresários" no papel de trabalhadores por comta de outrem a receber o ordenado minimo nacional.
Seria nessa situação que melhor avaliariam a rigidez do código laboral.
Seria nessa situação que avaliariam o quanto custa ser empresário, pagar o ordenado minimo aos empregados, prolongar-lhes o horário de trabalho, etc.
Seria nessa situação que melhor compreenderiam os empresários que, mesmo pagando ordenados vergonhosos, mesmo assim de quando em vez, deixam de pagar.
Seria nalgumas destas situações que o empresário/trabalhador por conta de outrem compreenderia em pleno a rigidez do código do trabalho.
Como achega, ao reiniciar a vida de empresário, deveria fazê-lo sem os subsidios do Estado, pagos tambem pelos impostos dos seus trabalhadores, e com a obrigatoriedade de cumprir o pagamento dos emprestimos bancários e nõa transformálo em crédito mal parado; ser impedido de colocar as mais valias em off-shores e em caso de falência por gestão danosa ser obrigado a pagar com o corpo os danos causados a terceiros.
Com algumas destas medidas introduzidas no código do empresário, não exixtiriam tantas falências, crédito mal parado, ordenados em atraso e o mais importante, tanto desemprego.
 
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    Re: Lei laboral flexível    Ver comentário
Sakata (seguir utilizador), 1 ponto , 17:57 | Terça feira, 2 de março de 2010
    Re: Lei laboral flexível    Ver comentário
zelis (seguir utilizador), 1 ponto , 19:08 | Quarta feira, 3 de março de 2010
    Re: Lei laboral flexível    Ver comentário
Sakata (seguir utilizador), 1 ponto , 7:02 | Quinta feira, 4 de março de 2010
Trabalho = Desenvolvimento
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 18:08 | Terça feira, 2 de março de 2010

O desenvolvimento de uma sociedade se consegue só se o quiser.

Precisam ideias inovativas, aberturas mentais às novidades abandonando para sempre esquemas de pensamento rígidos e inflexíveis.
Muitas vezes as coisas devem ser inventadas do nada para termos uma chance de tombar os obstáculos.
Com frequência os governantes pensam antigamente, não desejam fazer passos em frente quase por medo de caírem, incapazes de caminharem como os miudinhos.
E marcam passo. Neste caso o insucesso é garantido a 100%.
Temos países nórdicos, que são exemplos excecionais a seguir e que têm muitas coisas a ensinar-nos. Não somos superiores a eles. Pelo contrario.

Os burocratas com uma mentalidade obtusa determinam a queda de um estado sob todos os pontos de vista.

António
 
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Temos que inovar!
couvegalega (seguir utilizador), 1 ponto , 21:53 | Terça feira, 2 de março de 2010
Num País onde abundam os chicos espertos de um lado e de outro, é difícil conseguir chegar-se aos mínimos de qualquer Estado do Norte da Europa!
Mas tudo isto não passa de conversa fiada, pois para se ter uma cultura empresarial onde o risco e os valores sociais partilham o mesmo universo, é necessário um nivel cultural elevado em ambos os lados!
Na Suécia, mais de 3/4 da população tem formação superior!
A maioria dos nossos empresários dedicaram-se a actividades onde antes tinham trabalhado por conta de outrém! Com a sua experiência conseguiram criar pequenas e médias empresas que resistiram enquanto o valor da mão de obra se reflectia nos preços dos produtos!
Mas nunca houve qualquer inovação tecnológica, nunca se reiventou nada! Com a globalização esse argumento deixou de existir, e o nosso destino era previsível!
 
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ironias da história....
jocoso (seguir utilizador), 1 ponto , 23:36 | Terça feira, 2 de março de 2010
será que a Alemanha, que não dominou a Europa pela força militar, irá desta vez "conquistà-la" pela via económica....?
 
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