Se há situações na vida em que o silêncio é um bem precioso, Carlos Mota ter-se-á apercebido disso quando proferiu a frase que o imortalizou. Andava a passear no jipe do patrão quando se lembrou de abrir o vidro e falar com os jornalistas: "Se o Carlos Cruz é pedófilo, eu também sou" - verbalizou com aparente convicção.
Fica a dúvida. Se o senhor estava de facto a dizer a verdade pode ter sido a primeira testemunha a confirmar as suspeitas de que o apresentador era alvo. Não pode ser visto como mentiroso mas como conhecedor de causa. Tudo reforçado pelo facto de que tinha um processo por alegado atentado ao pudor e tentativa de violação de duas meninas, em Odemira, em 1974, que esteve parado durante 13 anos e acabou por ser arquivado pelo Tribunal de Portimão em 1990. Arquivado porque nunca o conseguiram encontrar. Apesar do senhor se encontrar em Lisboa, trabalhar para quem todos sabemos, e proferir este tipo de frases à porta da Policia Judiciaria filmado para milhões verem. E esta hein?
Depois deste "desabafo" o inconveniente Carlos Mota desapareceu. Até hoje ninguém sabe onde pára apesar de emitido um mandato de captura e da acusação da prática de lenocínio. Uma versão Lusa do filme "Catch me if you can". Fala-se na Escócia, Brasil, Bélgica etc. Dispendiosos destinos para quem, em entrevista à SIC, declarou estar completamente falido. Carlos Silvino testemunhou em tribunal que "Carlos Mota ia buscar miúdos à Casa Pia". Já o outro Carlos, Cruz, nada sabia. Negou conhecer o passado negro de Mota. Agiu como se este fosse um perfeito desconhecido.
Carlos Cruz prepara-se para divulgar o processo. Nele constam cerca de 200 nomes de pessoas referidos como abusadores pelas vítimas, entre eles, segundo o Expresso citando o Jornal i "um antigo Presidente da República, um antigo líder do PS, um antigo líder do PSD, um antigo lider do CDS, dois actuais líderes partidários, outros destacados políticos ligados ao CDS, atores de televisão e teatro, dois ex-futebolistas internacionais pela selecção nacional, entre muitas outras personalidades relevantes da sociedade portuguesa"
É claro o objectivo: descredibilizar. Mais confusão. Ainda que acredite que muitos se deviam ter sentado ao lado de Cruz, e não no lugar dele como pretende dar a entender com o circo mediático. Muito terá ficado por contar. No meio dos 200 nomes espero que conste o de Carlos Mota. Isto porque também ele foi referido pelas vítimas, por Carlos Silvino, e nada lhe aconteceu. Está livre. Outros dizem que terá morrido(?). Desapareceu o homem que teria sido útil a Carlos Cruz testemunhando em sua defesa. Era uma das pessoas mais próximas na altura, sabia tudo da sua vida. Ou não teria dado jeito nenhum porque seria mais um arguido? Só eles sabem.