Não sinto qualquer gosto em nomear o ignorante. Contudo, esperaria alguma humildade de quem sabe pouco, mas que, mesmo assim, pega no Alcorão, ou no senso comum, e faz afirmações descabidas, distorcidas, desinformadas. Gostaria que os meus leitores entendessem que a única coisa que espero deles, como exijo de mim mesma, é procurar informação credível, ler muito, investigar, reflectir, ter olho crítico, relativizar, e depois fazer afirmações com humildade. Seguir estas premissas para o conhecimento equivale a seguir os principios epistemológicos da ciência moderna. E este é um legado fantástico da ciência que aprendi a utilizar neste Al-Gharb (Ocidente) intelectual.
Respondendo a algumas questões comentadas, não existe para mim nenhuma religião melhor ou mais perfeita que outra. Estou na linha de interpretação Qurânica que valoriza o pluralismo, a diversidade, e a ética cosmopolita, onde cabem todos, pela sua diferença, mesmo os que não acreditam em Deus. Lembrando o que diz o Alcorão:
Digam (oh muçulmanos): Nós acreditamos em Deus, e no que nos foi revelado, e no que foi revelado a Abraão, e Ismael, e a Isaac, e a Jacó, e às tribos, e ao que Jesus e Moisés receberam, e ao que os Profetas receberam do Seu Senhor. Não fazemos distinção entre eles, e só a Deus nos rendemos (Q:II;136)
A cada um Apontámos uma lei divina e Traçámos o caminho. Se Allah quisesse, ter-vos-ia feito numa só comunidade. Mas Ele preferiu que de vós resultasse o que Ele vos deu, e que vos torna naquilo que sois. Portanto, excedei-vos entre vós nas boas obras. Para Deus será o vosso retorno; nessa altura Deus informar-vos-á sobre as vossas diferenças. (Q:V;48)
Não tenhamos medo de construir a nossa sociedade em conjunto. Cada um no seu caminho de fé, ou de crenças diversas, podemos encontrar caminhos de moralidade e de ética comuns e construir sociedades equilibradas, justas, fraternas.
O medo que alguns muçulmanos, felizmente poucos, querem impor em todos nós (incluo-me no grupo dos perplexos perante os absolutismos, qualquer que ele seja) não pode ser generalizado a todo um universo de 1.200 milhões de muçulmanos que vivem preocupados com a educação, a prosperidade, a política do seu pais, e a sua qualidade de vida. Talvez pudéssemos buscar inspiração nestes ayats (sinais divinos) e fazer obras que contribuissem para a dignificação da condição humana. Muito provavelmente, os descontentes e desafortunados seriam muito menos... e menos atentos às vozes dos fundamentalistas.
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*A Salaam significa paz