Sarkozy encomendou um estudo a Jaques Attali
. Sarkozy dotado daquela hiper actividade que o caracteriza, resolveu que queria mudar a França. Recorreu a Jacques Attali. Este homem, amigo e conselheiro de Mitterrand, não foi de modas.
Entregou um documento, com 316 medidas concretas, para mudar a França. Declarou que: o documento não era de direita, nem de esquerda, não era partidário, era supra partidário. Declarou que tinha tido a total liberdade para o fazer; declarou que tinha a legitimidade conferida por Sarkozy. Finalmente, disse que não se tratava de um "catálogo", que as medidas não podiam ser escolhidas, tinham de ser aplicadas na sua totalidade.
Podemos ler o documento todo e em vez de França, colocar Portugal, tal a semelhança das situações. Socorre-se de estudos e boas experiências feitas em países anglo-saxónicos, nórdicos, asiáticos. Recomendo a leitura na íntegra aos que se interessam por estas matérias, mas com o aviso de que as almas sensíveis se poderão perturbar irremediavelmente.
Dou três exemplos: acabar com os privilégios creditórios do Estado - para aumentar a concorrência, a competitividade e proteger os credores privados.
Acabar com os impostos sobre os bens imóveis até um certo valor ( por ex.500.000 euros) para aumentar a mobilidade geográfica, permitir a busca de novos empregos e a mobilidade social.
Aumentar a eficácia da Administração Pública através do reforço da tecnologia. Usar uma percentagem dessa poupança ( um terço) para aumentar a remuneração dos funcionários públicos. Não admitir mais funcionários públicos.
Entre nós, não é hábito discutir estas matérias. Foi por isso que gostei quando li no Público a entrevista de um político, a concorrer a eleições.
À pergunta " Como vai diminuír os gastos com pessoal?" a resposta foi "Não deixando entrar mais pessoas para o quadro em substituição das que saem."
Medina Carreira? António Barreto? Autores da SEDES? Nada disso.
Foi Santana Lopes.
Eu já tinha avisado, as almas sensíveis íam ficar perturbadas.