No actual contexto de globalização insistir na discussão da necessidade de Internacionalização de uma empresa é uma profunda perda de tempo.
Não existem empresas regionais, nacionais ou internacionais. Existem simplesmente empresas com boas e más estratégias.
As empresas têm que ser preparadas para assumirem uma dimensão "glocal"; isto é pensadas localmente para agir globalmente.
Discutir, se uma empresa deve ou não iniciar um processo de Internacionalização, faz tanto sentido, como debater se uma empresa deve ou não ter lucro.
A ideia de que podem existir empresas de cariz regional é um contra-senso à luz dos novos modelos de gestão e de organização económicas. A globalização é uma realidade, e veio para ficar, e quem ignorar este facto será inexoravelmente eliminado a médio/longo prazo.
Contudo é necessário evitar "embarcar" na "moda" de internacionalizar em função de cada nova embaixada de representação de Portugal porque desconcentra e consome demasiado tempo.
Procurar a diferença, estabelecer objectivos concretos e claros, actuar de forma prudente, independentemente do espaço geográfico, é o grande desafio que as organizações devem estar preparadas para assumir.
Em cada região de actuação da empresa torna-se essencial identificar os interlocutores estratégicos locais que possam interiorizar a cultura diferenciadora da organização , acrescentando, contudo, os indispensáveis condimentos regionais que facilitem a penetração em cada um dos mercados.
É necessário voltar ao princípio da actuação empresarial e adoptar uma cultura determinada pela actuação dirigida ao mercado, agora contudo, numa óptica global.
Neste "caldo", pensar o mercado global e agir localmente tem de passar a ser o paradigma que norteia a acção do mundo empresarial. Porque a tradição já não é o que era e os "santos da casa já não bastam para fazer milagres".
Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL
e Director de Inovação da Holos