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Salazarismo no BE e no PCP

8:00 Segunda feira, 16 de junho de 2008
Cavaco Silva falou em "dia da raça", e estalou o escândalo entre os polícias do vocabulário. BE e PCP dizem que o Presidente recuperou o vocabulário nacionalista e racista do Estado Novo. Eis um notável exercício de demagogia política que, com certeza, provocou lágrimas comovidas nas carcaças de Lenine e Trotsky.

BE e PCP têm sempre Salazar na boca. Aqueles que não concordam com bloquistas e comunistas continuam a ser apelidados salazaristas. Parece que o velho ditador está sempre ao virar da esquina. E, atenção, esta obsessão não aparece por acaso. Convém recordar que o BE e o PCP possuem uma cultura política muito semelhante ao salazarismo. Repito: Louçã e Jerónimo são iguais a Salazar em muitos aspectos. Tal como Salazar, Louçã e Jerónimo são anticosmopolitas, isto é, querem um Portugal fechado em relação ao exterior. Bloquistas e comunistas partilham com os salazaristas o sentimento anti-EUA e anti-UE. À imagem de Salazar, Louçã e Jerónimo querem exilar Portugal; o país não deve ter contacto político, económico e cultural com a globalização. Salazar escondeu-nos do mundo através de uma política proteccionista e paternalista que colocava a sociedade na dependência do Estado. BE e PCP têm a mesma visão. O Estado socialista, dizem, deve proteger os portugueses do vírus liberal oriundo de Bruxelas e Washington. O isolacionismo provinciano e nacionalista de Salazar está vivinho da silva no BE e no PCP.

Salazar, Jerónimo e Louçã poderiam sentar-se, tomar um chá e conversar durante horas sobre aquilo que os une: o ódio visceral que sentem contra a sociedade liberal composta por indivíduos cosmopolitas e não por grupos nacionalistas. O léxico corporativista de Salazar será muito diferente do vocabulário sindical de BE e PCP? Meus amigos, votar no BE e no PCP significa legitimar uma mensagem reaccionária e nacionalista. Votar no BE e no PCP é regressar a Salazar. Não, obrigado.

Alcateias

Portugal não é um país. É um amontoado disforme de corporações e sindicatos. Na semana passada, os pescadores bloquearam os portos. Em troca, receberam algumas regalias. Esta semana, os camionistas bloquearam as estradas (querem o gasóleo profissional que foi garantido a outras corporações). E o resto do país considera que estes bloqueios ilegais são legítimos. Isto porque o resto do país também é composto por corporações e sindicatos. Os agricultores e os taxistas, por exemplo, já devem estar a pensar num bloqueio com táxis e alfaias agrícolas. E não deve faltar muito para que o gasóleo profissional entre no rol de exigências dos funcionários públicos.

Portugal nunca discute o Estado de direito; o único tópico de discussão é o Estado social. O Estado de direito pressupõe a existência de indivíduos. Sucede que os portugueses nunca são indivíduos, e são sempre camaradas de uma corporação qualquer. O português (seja ele juiz ou camionista) só existe através do seu grupo. O resultado desta cultura tribal está à vista de toda a gente: Portugal é dominado por uma confederação de alcateias que vive do saque ao Estado social e do desprezo que garante ao Estado de direito.

Henrique Raposo

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Eles
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 22:53 | Terça feira, 17 de junho de 2008
Pouco antes do 25 Abril um "comunista" muito animado disse-me: desta vez é que vai ser, vamos finalmente substituir a porcaria do comunismo do António por um comunismo a sério. Preferi não esconder a minha opinião e respondi mais ou menos isto: olhe que está enganado, a U. Soviética está exausta e já não aguenta amamentar mais "crias"; ainda que por razões opostas o seu desejo é igual ao de bastantes "americanos" que muito têm feito para o concretizar, mas julgo que não vai acontecer. Ele, que estava "cego" mas não era burro, pensou um pouco e perguntou: você acha que eles vão "borregar"?
Para que ele pensasse mais um pouco limitei-me a perguntar: eles? eles quem?
 
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Associações e individualismo
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 12:04 | Quarta feira, 18 de junho de 2008
Prefiro mil vezes o individualismo a qualquer imposição ditatorial salazarista. Mas não adiro a essa escola liberal de pensamento.

Dito isto constato que Henrique Raposo (HR) no seu habitual estilo que mistura uma profunda ignorância com uma grande incapacidade de raciocínio, vem acusar todos os que se reúnem para defender os seus interesses de “grupos nacionalistas”, “alcateias” e “corporações”.

Se fosse um verdadeiro individualista saberia que o cerne deste ponto de vista é a defesa do indivíduo, o reconhecimento de que a vida em sociedade deve ser baseada na livre associação de indivíduos e não imposta de “cima” por uma entidade estranha (o Estado, o Partido tipo União Nacional, ou outra).

Que exemplo maior de individualismo saudável que o dos indivíduos livres que se associam para perseguir os seus interesses comuns que uma associação patronal (como a dos camionistas) ou um sindicato (para defesa das pessoas que livremente a ele aderem). Por isso os sindicatos e as associações patronais proliferam nos países que defendem o individualismo e definham e morrem nos países como Portugal de Salazar e do rotativismo (ora o PS ora o PSD) que espezinham os direitos individuais.

Do ponto de vista dos filósofos do individualismo, a defesa dos interesses individuais é a base da sua teoria. A livre associação para melhor perseguir esses interesses, defendem, é a base da organização social. Sabendo que os interesses de todos não são coincidentes, os filósofos individualistas propõem formas de gerir os conflitos – a negociação, a cedência mútua e a existência de contra poderes eficientes para que ninguém possa impor a sua vontade aos outros.

O individualismo não promove a atomização como HR parece pensar. O individualistas são os que mais promovem a livre associação entre indivíduos, a livre cooperação para atingir fins comuns que não podem ser alcançados pelo indivíduo sozinho. Os países mais liberais são aqueles em que mais associações, sindicatos, fundações, iniciativas colectivas existem.
 
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    Re: Associações e individualismo    Ver comentário
Caparica Red Neck (seguir utilizador), 1 ponto , 14:16 | Quarta feira, 18 de junho de 2008
Opostos
marg.cabral (seguir utilizador), 1 ponto , 13:07 | Quarta feira, 18 de junho de 2008
os opostos atraem-se, certo? há poucas coisas tão reaccionárias e anti-progressistas como a defesa do multiculturalismo da esquerda "circense".
 
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    O multi culturalismo é mau?    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 19:15 | Quarta feira, 18 de junho de 2008
    Re: O multi culturalismo é mau?    Ver comentário
marg.cabral (seguir utilizador), 1 ponto , 15:42 | Sexta feira, 20 de junho de 2008
    Re: O multi culturalismo é mau?    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 18:14 | Sexta feira, 20 de junho de 2008
    Re: O multi culturalismo é mau?    Ver comentário
marg.cabral (seguir utilizador), 1 ponto , 12:23 | Segunda feira, 23 de junho de 2008
    Re: O multi culturalismo é mau?    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 15:08 | Segunda feira, 23 de junho de 2008
    Re: O multi culturalismo é mau?    Ver comentário
marg.cabral (seguir utilizador), 1 ponto , 18:24 | Segunda feira, 23 de junho de 2008
    Santa Ignorância    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 10:16 | Terça feira, 24 de junho de 2008
gato fedorento
SPONGEBOB (seguir utilizador), 1 ponto , 15:01 | Quinta feira, 19 de junho de 2008
Se os gato fedorento estivessem no activo talvez fizessem um sketch com aquele funcionário que queria faltar ao serviço por "razões profissionais", agora a exigir gasóleo profissional para ir de carro para o trabalho.
 
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