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Ruptura com o "eduquês"

Henrique Raposo (www. expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 12 de março de 2010

Paulo Rangel tem razão num ponto: a educação precisa de uma ruptura. Aliás, a polémica suscitada pelas ideias 'pedagógicas' de Rangel tem sido a parte mais interessante da campanha interna do PSD. Rangel, ao contrário de Passos Coelho, não tem medo de pisar o risco desenhado pela esquerda; não tem receio de romper o cerco do politicamente correcto. Por isso, este candidato a líder do PSD tem enfrentado, de forma desempoeirada, os dogmas do generalíssimo 'eduquês'. No fundo, Rangel tem defendido que o aluno não é o centro da escola. O centro da escola é, isso sim, o conhecimento que o aluno deve assimilar. Com uma previsibilidade pavloviana, os fiscais do antifascismo já soltaram os cães. Para estes profissionais da indignação, Rangel não passa de um defensor malévolo do 'antigamente'. O próprio Passos Coelho, sempre muito sensível às alergias da esquerda, também fez soar este alarme antifascista contra a 'escola' de Paulo Rangel.

Em Março de 2008, numa das primeiras crónicas aqui do Expresso, afirmei que a escola pública não ensina as crianças a desenvolver as capacidades básicas: ler e escrever. Isto porque o 'menino' é rei e senhor. O professor não pode repreender o 'menino', porque isso é fascismo travestido. E esta hiperprotecção do 'menino' acaba por ter um efeito ridículo, quase cómico: muitos alunos acabam o curso superior sem saberem escrever em condições. Ora, ainda hoje recebo e-mails de pessoas que me felicitam por "ter a coragem de dizer isto". Ao mesmo tempo, esta boa gente (quase sempre professores) diz-me que tem medo de falar deste assunto em público. Ou seja, em privado, e só em privado, as pessoas já dizem que os miúdos não aprendem nada na escola. No recato do seu e-mail, e só nesse recato, os portugueses consideram que 'ir à escola' é apenas um hábito social, que não contribui para o desenvolvimento de capacidades e de conhecimentos (são os pais, em casa, que ensinam as crianças). Mas, em público, toda a gente tem ainda medo de criticar esta farsa. Eu percebo: se afrontarem o 'eduquês', as pessoas são, de imediato, rotuladas de 'salazaristas'. Portanto, neste ambiente malsão, Rangel fez a ruptura necessária, porque trouxe para a superfície um debate subterrâneo.

Os pedagogos podem não apreciar as ideias de Rangel, mas o português normalíssimo sabe que este jovem político tem razão. O português ali do 3º direito vê, todos os dias, a escola primária a falhar na tarefa de ensinar o seu filho a escrever e a fazer cálculos matemáticos. O português do 5º esquerdo vê, todas as semanas, a escola secundária a não preparar a sua filha para a faculdade. Aliás, todos os portugueses vêem o ensino secundário a transformar-se, sob a complacência do poder político, numa linha de montagem de preguiça e de desonestidade intelectual. Há dias, descobri que os miúdos completam os trabalhos de casa com um mero copy/paste da Internet. E, pior ainda, descobri que os professores, quando recebem estes copy/paste, não podem chumbar os alunos prevaricadores. Perante esta farsa, só podemos dizer que Rangel tem toda a razão. A escola pública não está a formar cidadãos com capacidade para subir na vida. A escola pública está a formar digitadores de SMS destinados a permanecer na prisão do seu 'contexto sociofamiliar' (para usar uma expressão muito querida do 'eduquês').

Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Março de 2010

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Razão lhes seja dada Henrique e Rangel
relatoriotuga (seguir utilizador), 4 pontos (Bem Escrito), 11:00 | Sexta feira, 12 de março de 2010
Não podia concordar mais, e julgo ser a primeira vez que leio um artigo seu e concordo, julgo ser a primeira vez também que concordo com alguma coisa saida da boca do Sr. Rangel.

As instituições de ensino não estão a preparar cidadãos, estão a aconchegar jovens mal-educados, sem respeito pelo próximo, pelas regras da sociedade e sem interesse em aprender. A hiper-defesa das "criancinhas" inocentes e sem maldade levam os professores à loucura.

Cada vez mais assistimos impávidos e serenos à crescente "analfabetização permissiva" das próximas gerações. Os jovens não sabem escrever, não sabem ler, não conhecem a história ou cultura do próprio país, não sabem fazer uma conta de dividir "à mão". Enfim, saiem das faculdades com elevados graus de habilitações, convencidissimos dos seus elevados conhecimentos quando na realidade sabem menos como doutores do que outras gerações sabiam só com a 4ª classe.

Mas estará a culpa só nas instituições de ensino? Não me parece caro Henrique.

Atrevo-me a entrar um pouco no campo da sociologia. Os jovens de hoje começam a ser mal preparados logo em casa. Crianças sem o minimo de vivência em sociedade, presos à TV, Playstations e PCs, privados da aprendizagem "de rua", da aprendizagem de regras de senso comum da vida em sociedade. Crianças habituadas pelos paizinhos a ter tudo o que querem sem o menor esforço, mimadas por uma geração de pais demasiado ocupada para educarem os seus filhos.
 
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O Homem Sem Palavra (1/2)
ESPADA DE DAMOCLES (seguir utilizador), 2 pontos , 9:16 | Sexta feira, 12 de março de 2010
Pessoas dignas e exemplares cumprem sempre e de forma escrupulosa os seus compromissos e as suas promessas. Nunca sequer colocam a hipótese de abrir nenhuma excepção nesta frente pois possuem aversão ao descrédito e ao desrespeito da sua palavra.

O que me garante a mim que este senhor após regressar a Portugal, desrespeitando a vontade de quem o elegeu para representar o país no parlamento europeu, não se furte novamente às suas responsabilidades e para lá regresse depois de ascender à liderança do maior partido da oposição e perder as próximas eleições forçadas?

Parece que este tipo de postura é para alguns aceitável. Não é meus senhores. Por uma questão de princípio devemos respeitar sempre os nossos compromissos, mesmo que isso não nos seja vantajoso. Se sabemos que não podemos manter a nossa palavra mais vale não aceitar os desafios que nos são colocados.

Relembro que houve um senhor deste partido que também fugiu do país depois dos portugueses lhe terem atribuído a responsabilidade de governar Portugal. Nem mesmo o facto de ter andando durante tempo indeterminado a apregoar que o país andava de tanga e se encontrava à beira do abismo o demoveu de colocar os seus próprios interesses à frente dos interesses do nosso país.

Uns fogem de Portugal para a Europa e outros da Europa para Portugal.

Parece que a irresponsabilidade tomou conta de certas mentes e que estas são incapazes de ver o ridículo das suas atitudes.
 
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ESPADA DE DAMOCLES (seguir utilizador), 2 pontos , 9:22 | Sexta feira, 12 de março de 2010
O Bazófias vai votar Rangel!!!
Brilhantina (seguir utilizador), 2 pontos , 15:41 | Sexta feira, 12 de março de 2010
E põe-se para aqui a escrever e a dizer que a escola de hoje não ensina as crianças a lerem e a escrever.
Quantos anos o Bazófias deverá ter?
Pela fotografia não conseguimos ver, é bastante dúbia, podiam ao menos posto um pouco do corpo para vermos a cor da bata.
Tomemos que o Bazófias já tem idade para ter juízo e que já fez alguma escola para se acreditar no que ele aqui diz e publicita, uma sumidade no Português! Será que o Bazófias tirou o curso ou aprendeu Português na China? Na Rússia? No Togo? No Sri Lanka? NO Brasil? Em Porto Rico? Nos States?
Onde é que o Bazófias aprendeu Português?
 
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Rutura com o eduquês
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:48 | Domingo, 14 de março de 2010
O Henrique Raposo pode ter alguma razão, mas não a tem toda. Nem tanto ao mar nem tanto à Terra. Dizer que hoje não se aprende nada não é verdade. Não se aprendem lá os Reis, as Serras, os Rios, a Tabuada, mas apendem lá outras coisas mais úteis para os dias de hoje, como o Inglês e a Informática, para não referir outras. Vamos lá ver se nos entendemos de uma vez por todas. O que é que interessa hoje em dia uma pessoa saber montar um burro, se vive na cidade onde só há autocarros e metro. Não será mais útil saber onde são as paragens dos mesmos e como se devem apanhar? É assim tão importante saber as serras, os rios, os Reis, quando com um simples clique os podemos ter ao nosso alcance. Saber a tabuada de cor sem a compreender como acontecia noutros tempos será que tem algum interesse? É verdade que já mais que uma vez aqui me referi a que o Ensino tem de levar uma grande volta e que não é tarefa para um só partido e uma só Legislatura. Toda a Sociedade deve ser repensada e os professores não devem ter medo dos alunos, mas também os pais, os governos de perder votos,dos Sindicatos e das greves. Caso contrário vamos continuar a caminhar alegremente para o precipício.
 
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Rutura com o eduquês
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:44 | Domingo, 14 de março de 2010
Tavez não me tivesse expressado bem. O que disse foi que decorar a tabuada sem a compreender estava errado. Estou completamente de acordo consigo quando vai às raízes do problema e foca que as mesmas se encontram na formação dos professores nessas tais Universidades se assim se podem chamar. Mais lhe digo que consta que a desgraça é tal que nem sabem a matéria das disciplinas que vão ensinar. Talvez por tal facto o Ministério anterior tentou aprovar uma prova de ingresso. Digo-lhe ainda mais que estes candidatos a professores ficam à frente de todos os outros nos concursos para contratados e no ingresso na carreira. Uma Universidade Católica ou um Técnico nem conseguem entrar no Ensino. O que é de admirar é o Ministério não fazer nada quando já todos apontam os problemas. É claro que os Sindicatos defendem a incompetência e não levantam um dedo para corrigir e antes pelo contrário tudo fazem para assim continuar.
 
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Razão lhes seja dada Henrique e Rangel (2)
relatoriotuga (seguir utilizador), 1 ponto , 11:13 | Sexta feira, 12 de março de 2010
Mas voltemos ao ensino.
 
Será a função das instituições de ensino apenas formar teóricamente os jovens? Dou um exemplo real. Como é possivel as nossas Universidades formarem milhares de engenheiros civis todos os anos, formados esses que não sabem o que é um tijolo, que nunca estiveram numa obra? Formarem milhares de gestores que não sabem o que é uma empresa, como funciona na prática?

É preciso formação civica nas instituições de ensino, é preciso formação prática e estágios, é necessária mais formação profissional / técnica e menos doutores.

Voltando à sociologia, primeiro que tudo é preciso preparar os jovens e não prendê-los em redomas de vidro, privando-os da aprendizagem essencial que é a vida em sociedade. Desta forma estamos a criar uma geração incapaz, habituada a não ter que fazer nada para obter recompensas. Com muitos conhecimentos teóricos e zero de experiência.

Ainda nos vamos queixar muito no futuro, sem ter noção que a maior das responsabilidades é nossa enquanto pais.
 
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    Re: Razão lhes seja dada Henrique e Rangel (2)    Ver comentário
still (seguir utilizador), 2 pontos , 13:04 | Sábado, 13 de março de 2010
O que esta gente se mata ...
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 13:17 | Sábado, 13 de março de 2010
... pelo tacho. O pior é que estão convencidos e tentam desesperadamente convencer os outros de que só os move o interesse de servir o país - uns missionários, portanto ...

Que sentido terá honra, credibilidade e respeito por parte desta gente que atribuiu a essas palavras um novo significado, quiçá, por influência do novo acordo ortográfico?

Nenhum! São os novos tempos da política portuga. É o progresso. Eu até já estava bem habituado a isto ...
 
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Mas, afinal, qual é o problema?
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 13:23 | Sábado, 13 de março de 2010
No país da Universidade Independente, onde até o Primeiro-Ministro se orgulha de lá ter passado (não é qualquer universidade que se pode orgulhar de produzir um ministro em tão curto espaço de tempo), não foi, por acaso, para chegar a esta situação que a direita tanto se bateu? Não era vossa intenção destruir o ensino público para que este não formasse cidadãos, mas apenas carneirinhos dispostos a seguir o amado e iluminado líder?

Então, devo dizer-lhes que estão de parabéns com o que conseguiram fazer!

Olhe que onde eu nasci há quem atribua esta falha do ensino em Portugal a uma outra característica bem portuguesa ...
 
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Ruptura com o eduquês - Toni 2
alfredo33 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:39 | Domingo, 14 de março de 2010
Toni 2 pode ter alguma razão, mas não a tem toda, tem até muito pouca. Quero apenas fornecer-lhe alguns tópicos como ajuda para as suas reflexões: certo Catedrático do Técnico dizia no Público há tempos que enquanto a tabuada, não for reintroduzida, o insucesso na Matemática não será resolvido.
É um argumento de autoridade (o último dos argumentos, segundo a filosofia). Mas eu quero reforçá-lo com a Psicologia etária. Esta ciência diz-nos - e todos temos disso experiência pessoal - que a infância e a adolescência são as idades da memória. Esta deve ser aproveitada nestas idades, sempre compreendendo pela inteligência, claro.
Ora, o eduquês tem orientado tudo, espezinhando este dado da psicologia etária.
Segundo tópico, a esmo: - na Alemanha, cuja língua pouco deve ao Latim (apenas algumas palavras que recebeu) ele é disciplina obrigatória no unificado e sabe porquê ? é devido à grande precisão e exigência de clareza do raciocínio a que obriga o estudante - o que é essencial para a disciplina mental nas Humanísticas. Ou seja: não é pelo interesse do latim em si, mas porque é um precioso instrumento de disciplina mental no campo das Ciências humanas. E esta?
Sabe que mais? Devíamos ir à 5 de Outubro, às ESEs arrancar de lá os charlatães da pedagogia, como lhes chama Lucien Morin em título de livro e julgá-los na praça publica como criminosos que são. Andamos a pagar as consequências e a sociedade vai pagá-las com juros cada vez mais elevados.
 
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    Re: Ruptura com o eduquês - Toni 2    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:49 | Domingo, 14 de março de 2010
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