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19:01 Domingo, 7 de Mar de 2010
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Acreditar ou não acreditar, eis a questão.
Cada vez fico mais surpreendido sobre em que acreditar ou não.
Se a realidade é uma, a forma como nos apercebemos dela usa canais de comunicação que podem ser alvo de imensas distorções. Ouvir um locutor na rádio não é a mesma coisa que estar a ouvi-lo falar ao vivo na mesma sala, mas com um bom sistema de Hi-Fi quase não noto a diferença. E por vezes, a voz até me parece melhor, mais pura no sistema Hi-Fi que na realidade.
Mas esta confiança total na tecnologia tem efeitos perversos. Quantas vezes o que vemos e ouvimos pode ou é mesmo manipulado?
A síntese de voz por computador ainda está nos primeiros passos e por isso ainda não é fácil sintetizar a voz de qualquer figura pública a dizer o que quer que seja. Temos que nos cingir ao que elas realmente dizem e, felizmente para o jornalismo popular, já há quem fale o suficiente, mas sempre verdadeiro, ninguém põe em causa que a voz seja sintetizada.
Os robôs humanóides tentam fazer a sua aparição mas há barreiras enormes a vencer até que um dia, um robô humanóide, qual teste de Turing, nos pareça difícil de distinguir de uma pessoa real. Felizmente aqui ainda estamos ao abrigo de situações eventualmente embaraçantes e que por agora apenas ocupam o mundo da ficção.
Mas em relação às imagens ... lamento mas já não há nada em que possamos acreditar. Deixem-me tirar o chapéu a Michael Elins e ao artigo "Seeing Is Not Believing" que saiu na Spectrum de Agosto passado. É que basta clicar em http://spectrum.ieee.org/image/591160 para perceber que a imagem é tão perfeita como ... inverosímil.
Nota: O conteúdo deste blogue é da inteira responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Robótica
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Eduardo Silva e Alfredo Martins
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9:27 Terça-feira, 23 de Fev de 2010
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O Fantasporto 2010 e Sociedade Portuguesa de Robótica dá-nos a oportunidade de colocar a robótica no mapa e iniciar uma reflexão sobre "o que a robótica pode fazer pelo Futuro da Humanidade". Nesse sentido organiza um programa diversificado de actividades sobre a robótica que vão decorrer durante as semanas do Festival, entre as quais destacamos em particular duas conferências com dois cientistas de renome internacional, em que participarão também investigadores de Universidades e Institutos Politécnicos Portugueses. Durante o Fantasporto vamos poder também assistir a demonstrações de sistemas robóticos, pelos os laboratórios de Investigação das Universidades, dos Institutos Politécnicos e das empresas Portuguesas.
Os Robôs e o Cinema sempre foi um tema fascinante e alimentou a curiosidade de uma audiência sempre à espera de ser surpreendida por algo de novo. A Sociedade Portuguesa de Robótica congratula-se com facto do Fantasporto ter escolhido o tema Robótica para o Festival de 2010. Não cabe aqui a discussão se os "robô" do cinema são robôs, pelo que ficam desde já convidados a vir debater connosco durante a semana do festival. Também não vamos elencar as dezenas de robôs (ou conceitos de robôs) que o cinema nos proporcionou. O cinema sempre foi muito generoso com a robótica, e sempre expressou um conjunto de ideais através da concepção de sistemas a que facilmente nós chamamos robôs. Desde o início deste primeiro século da história do cinema, os robôs tiveram lugar cativo nos elencos, sem nunca necessitarem de participarem nos castings. Talvez por isso tardam a ganhar um Oscar (nem nomeados têm sido), um Urso de Ouro ou uma Palma de Ouro, mas isso nunca nos tirou o sonho de ver um deles subir ao palco e agradecer, ao "pai" ou à "mãe" por aquele momento de "felicidade". Se com Maria, um robô com forma antropomórfica , em Metropolis de Fritz Lang em 1927, os robôs são utilizados para presumivelmente resolver a conflitualidade laboral, sendo apresentados no seu conceito original, (seguindo as ideias desenvolvidas por Karel Kapek em Rossum's Universal Robots) como sistemas mecânicos, subservientes à vontade de quem os controla e dirige, já, primeiramente com HAL 9000 o ego auto-preservador da nave de 2001 de Kubrick e com C-3PO e R2D2 em Star Wars em 1977, o cinema inova e apresenta robôs com consciência (mas não antropomórficos). Nestes podemos observar capacidade de decisão (e autodeterminação no computador de 2001) ou elevados comportamentos emocionais no C-3PO e um elevado sentido de humor em R2D2 cujos os assobios e os seus sons peculiares não deixam indiferentes a audiência. Este novo fenómeno (robôs com emoções), marca definitivamente a utilização de sistemas robóticos no cinema. Contudo gostaríamos de clarificar, que nem todas as ficções com robôs, são ficções científicas, e são antes viagens ao passado de conceitos científicos do futuro, como é o caso do conceito como o Kitt., o extraordinário carro, da série televisiva Knight Rider de 1982. O facto de os robôs poderem fazer aquilo que os humanos não podem (quer fisicamente, quer racionalmente), sempre permitiu aos realizadores construírem o carácter das personagens (robôs) numa paleta de atributos infinitos, refinando e acrescentando para o bem e para o mal as qualidades e características humanas. De heróis a vilões, de inimigos a cooperantes, as concepções dominantes no cinema dos robôs consiste na perspectiva antropomórfica com o robô visto como um ser artificial e substituto do humano. Muitos dos filmes com robôs abordam as questões da emoção ou mesmo da distinção humano/robot, como no Blade Runner de 1982. Mais recentemente em AI de Spielberg/Kubrick de 2001, esta dialéctica é levada a territórios de conceitos inexplorados em que David um robot criança quer ser humano, ou à discussão de alguns princípios éticos como em I Robot de Alex Proyas de 2004, em que faz emergir alguns fundamentos que Isaac Asimov, introduziu na comunidade científica. Não podíamos esquecer contudo o conceito desenvolvido em WALL-E, em que o robô é o redentor do homem e de forma heróica, tenta resolver as consequências da inconsciência humana.
Contudo no Fantasporto 2010 não vamos querer abordar o que o cinema trouxe à robótica e vice-versa, mas o que a Robótica pode trazer para o futuro Humanidade.
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Robótica e Desastres Naturais
Pedro U. Lima
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10:44 Sábado, 16 de Jan de 2010
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No momento em que o Mundo se angustia com as imagens do Haiti, as mesmas imagens que vemos a seguir a um grande desastre natural, mas que nunca deixam de nos atormentar a consciência e despertar o melhor que há em nós, a Robótica de Busca e Salvamento volta a estar presente. É uma das boas moedas da robótica, em contraponto aos robôs da guerra, do choque e do pavor.
Uma das perguntas mais frequentes de um leigo que vê filmes o demonstrações de robôs, mesmo aquele ou aquela que com elas mais se espanta, é: "para que servem os robôs?". Claro que, acima de tudo, servem para prosseguir o sonho científico e tecnológico de um dia criarmos uma máquina inteligente à nossa semelhança. Mas, como sempre, servem também para desenvolvermos tecnologia que auxilie os humanos a viver melhor - ajudando no dia a dia em casa, nos hospitais e nos escritórios, produzindo mais nas fábricas e evitando trabalhos entediantes, e realizando tarefas perigosas, como as de busca e salvamento, em conjunto com equipas humanas.
No momento em que o Mundo se angustia com as imagens do Haiti, as mesmas imagens que vemos a seguir a um grande desastre natural, mas que nunca deixam de nos atormentar a consciência e despertar o melhor que há em nós, a Robótica de Busca e Salvamento volta a estar presente
. A FA americana enviou um UAV (Unmanned Aerial Vehicle) Global Hawk que obterá imagens aéreas de apoio às missões humanitárias. É reedição de outros esforços passados, de entre os quais se destacam os do grupo CRASAR
, da Profª Robin Murphy, que iniciou esta tradição com a participação na procura de vítimas nos destroços do World Trade Center em NYC, nos dias seguintes ao 11 de Setembro de 2001.
Num momento em que as notícias
nos relembram as célebres Boa Moeda e Má Moeda, é interessante notar que também nos robôs há boas e más moedas, e os mesmos robôs usados pelos militares para destruir e matar no Iraque e Afeganistão são exactamente os que são usados nestas operações. O leitor decidirá quais são os bons e os maus - é mais fácil aqui do que nas moedas...
Também em Portugal há trabalho nesta área. É o caso do robô RAPOSA
, desenvolvido em 2005 pela empresa IdMind
e o Instituto de Sistemas e Robótica do IST
, em colaboração com o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa
e o CRASAR
. O trabalho tem continuado e em breve voltaremos a ele.
Nota
O conteúdo deste blogue é da inteira responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Robótica
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Robótica e Economia
Pedro U. Lima
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20:06 Segunda-feira, 21 de Dez de 2009
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Todo o país fala sobre PMEs e a sua importância para o nosso desenvolvimento económico. Mas estaremos todos a falar na mesma coisa quando falamos de PMEs? Claro que não.
Na última campanha eleitoral para as legislativas ouviu-se muito falar sobre PMEs e a sua importância para o nosso desenvolvimento económico. Também o Presidente da República fala delas repetidamente, destacando mais ou menos a mesma coisa. Os empresários também costumam usar as PMEs como emblema das preocupações quando se pretende, por exemplo, aumentar o salário mínimo, alegando que elas não têm capacidade para aguentar tais aumentos, ainda que irrisórios.
Mas estaremos todos a falar na mesma coisa quando falamos de PMEs? Claro que não. Não devemos confundir as PMEs inovadoras, nomeadamente as de base tecnológica, que só sobrevivem se criarem produtos baseados em I&D, em transferência de tecnologia criada nas Universidades e Institutos de Investigação, com as PMEs familiares do restaurante ou do comércio local, com todo o respeito que tenho por essas PMEs. As primeiras servem de facto para impulsionar o país, e dão exemplos a muitas das nossas grande empresas de nomeada, que frequentemente ignoram o know-how nacional e compram feito para lucrar vendendo mais caro, sem qualquer valor acrescentado que não seja o da criação de emprego. E não é pouco, criar emprego, dirão alguns, com a sua parcela de razão. Mas quando vemos muito emprego criado mal pago, mal qualificado, e a quem os patrões se recusam a aumentar o ordenado mínimo de 25 EUR, é caso para perguntar se é isso que queremos para o país, e se é isso que nos vai tirar da permanente crise em que andamos há anos.
Eu acho que não, e a Robótica é uma das áreas que tem dado cartas em Portugal nesta linha de pensamento. Veja-se por exemplo as muitas PMEs que têm aparecido à custa da transferência de saber e tecnologia universitárias nesta área (lista em "Links" na página da SPR
) . Elas (sobre)vievem à custa de muita intervenção em projectos inovadores e competitivos, muitas vezes em parceria com instituições estrangeiras. Exemplos como o recém publicitado (no EXPRESSO) projecto de robô para os aeroportos
, em parceria com a ANA e no âmbito de um projecto europeu, são a face do Portugal moderno, que não quer progredir à custa de salários baratos e prémios faustosos para administradores, mas da palavra chave: qualificação!
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Carlos Cardeira
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14:38 Quarta-feira, 16 de Dez de 2009
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Pelas notícias que me chegam deve estar para breve o desaparecimento dos altifalantes e das colunas de som na forma como as conhecemos.
Haverá sempre os fãs de áudio (e de amplificadores a válvulas) que não dispensam a máxima do que o que é clássico é que é bom. Enfim, esses terão sempre o seu espaço mas o som pode em breve passar a sair de ... folhas de papel. Sim, sanduíches finas de metal preenchidas com um polímero electroactivo e teremos um altifalante flexível capaz de revestir superfícies e assim integrar-se em robôs, sistemas de áudio, paredes, portas, sei lá, é um sem número de aplicações novas. Em breve, quando se ouvir um som, será mais difícil identificar de onde ele veio. Para mais informação:
http://spectrum.ieee.org/consumer-electronics/audiovideo/flexible-paper-speakers-on-the-way
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Robôs no Espaço
Pedro U. Lima
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18:50 Domingo, 13 de Dez de 2009
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A exploração do espaço interplanetário e dos planetas que nos são acessíveis tem sido a grande motivação de alguns dos mais apaixonantes desafios científicos que a Humanidade tem enfrentado ao longo dos tempos. Nos nossos dias, e cada vez mais no futuro, os desafios de exploração científica do espaço implicam vencer outros desafios, não menos apaixonantes, de índole tecnológica, nos quais a Robótica tem um papel fundamental.
A exploração do espaço interplanetário e dos planetas que nos são acessíveis tem sido a grande motivação de alguns dos mais apaixonantes desafios científicos que a Humanidade tem enfrentado ao longo dos tempos. Nos nossos dias, e cada vez mais no futuro, os desafios de exploração científica do espaço (através da Astronomia, Geologia, Biologia e outras ciências) implicam vencer outros desafios, não menos apaixonantes, de índole tecnológica. A Robótica tem tido aí um papel primordial, através do desenvolvimento de satélites, naves interplanetárias e "rovers" planetários dotados de grande autonomia e inteligência crescente.
Exemplos de sucesso bastante mediatizados são o satélite Mars Express da Agência Espacial Europeia (ESA), que revelou, através da sua observação remota a partir de uma órbita em torno de Marte, a existência de depósitos subterrâneos de água naquele planeta; ou a sequência de robôs planetários da NASA, Sojourner, Spirit e Opportunity que, desde 1997, nos trouxeram imagens espantosas do planeta vermelho, para além de mais discretos, mas não menos importantes, inúmeros dados geológicos da sua superfície. A este propósito, visitar o sítio oficial dos rovers marcianos
do Jet Propulsion Lab, incluindo os links no Twitter, Facebook e Flickr para as tentativas de salvar o Spirit, atolado num banco de areia.
O progresso nesta área é galopante e novas missões se anunciam, incluindo algumas em conjunto entre a ESA e a NASA, para 2016 e 2018, incluindo satélites em órbita de Marte e 2 rovers, mas também satélites em formação para observação de sistemas planetários distantes e muitas outras tecnologias robóticas de grande complexidade. O skycrane da NASA é uma das peças fundamentaius da missão prevista para 2018 e deverá transportar 2 rovers (um da NASA e outro da ESA - ExoMars) - ver vídeo YouTube.
Portugal está envolvido nalgumas delas e a exploração robótica do espaço é seguramente uma fonte de oportunidades para PMEs tecnológicas e institutos de investigação nacionais.
Nota
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Carlos Cardeira
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10:33 Segunda-feira, 16 de Nov de 2009
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A revista IEEE Spectrum de Setembro 2009 traz um artigo intitulado "For your Eyes Only: a new generation of contact lens built with very smal circuits and LEDs promises bionic eyesight" impressionou-me pelos avanços que aí podem vir através das já tão banalizadas lentes de contacto.
Todos decerto nos lembramos do Terminador em que no visor do robô surgem dados adicionais sobre as imagens que ele vê. O que me impressionou no artigo foi não tanto a questão de adicionar dados às imagens captadas, isso é assunto já muito debatido e conhecido como "Augmented Reality".
No entanto, esta "Realidade Aumentada" está tipicamente associada à introdução de óculos ou outros dispositivos que se tornam incómodos, são inestéticos e, de alguma forma, afastam o utilizador da realidade que ele quer ver, colocando uma espécie de barreira entre os seus olhos e o mundo exterior.
Neste caso é diferente. As lentes de contacto estão de tal forma banalizadas e são de tal forma integradas numa pessoa que à primeira vista não é possível distinguir uma pessoa que as use de uma pessoa que as não use.
E o que é facto é que os avanços da electrónica e da sua miniaturização permitem colocar uma grande capacidade de informação, de comunicação e processamento até numa lente de contacto.
Assim sendo, não devem estar longe os tempos em que os condenados a usar lentes de contacto poderão ter gadgets adicionais nas suas lentes, capazes de processar imagens e comunicar sem fio com outros servidores onde abundará informação mais centralizada.
Não falo apenas de ver a temperatura, a pressão etc, falo de dispositivos de tratamento de imagem que podem ajudar o utilizador na sua vida normal, por exemplo, ajudando-o a identificar caras (indicando o nome da pessoa conhecida e de onde o conhece), a avisar o utilizador na condução caso se esteja a desviar da faixa, enfim, um sem número de informações ali, sempre disponível e bastante útil.
Eu, por enquanto, ainda me sinto feliz por não necessitar de lentes de contacto. Mas até quando?
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Economia e Inovação
Nuno Almeida
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20:02 Sábado, 7 de Nov de 2009
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Tendo em conta o turbilhão em que se encontram as economias globais, o momento que vivemos parece apresentar-se como um dos mais arriscados para empreender. No entanto, note-se que algumas das empresas mais bem sucedidas de sempre nasceram em depressões económicas.
A robótica, tal como outros sectores do conhecimento, estão hoje a ser ensinados e investigados em Portugal a um nível de excelência que é em tudo comparável aos países mais desenvolvidos. Falta agora espalhar muita dessa excelência para as empresas e fazer o caminho do crescimento e da internacionalização.
Tendo em conta o turbilhão em que se encontram as economias globais, o momento que vivemos parece apresentar-se como um dos mais arriscados para empreender. No entanto, note-se que algumas das empresas mais bem sucedidas de sempre nasceram em depressões económicas. Hewlett-Packard gigante dos sistemas computacionais, Adobe Systems referência em software de edição e distribuição de informação electrónica ou a Procter and Gamble hoje detentora de marcas como a Gillete, Duracel ou Pringles, todas começaram nos momentos incertos característicos das crises económicas. Porque não começar um negócio agora? Há mais espaço do que nunca; com as grandes empresas demasiado preocupadas em sobreviver à crise, os empreendedores que encontrem nichos interessantes terão mais espaço para crescer. E a bem da verdade, longe vão os tempos das faltas de apoios para empreendedores. As razões para não dar esse passo são as habituais, e mais do que muitas: medo de falhar e dos efeitos da falha, desconhecimento de como gerir um negócio, falta de ideias, falta do capital para o arranque. Claro que uma pessoa que não sinta o impulso dentro de si para começar, não o deve fazer. Mas se há esse impulso, então, este é mesmo o momento para começar. Como o António Murta descreveu nas recentes jornadas TEDxEDGES, o país precisa urgentemente de uma vaga de empreendedores que criem empresas fortemente exportadoras, e provocou com a possibilidade de exportarmos entre dois e três biliões de euros no mercado de tecnologias daqui a dez anos. Junto-me a ele ao perguntar: porque não? Para muitos empreendedores nacionais isto implica uma mudança na forma como vêm o mundo.
A maior revolução cultural precisa de ser, o mais rapidamente possível, a de passar a pensar global: a criação de riqueza baseada em tecnologia só faz sentido numa economia global; ter o mercado Português como mercado alvo é insustentável. Pensar global tem duas vantagens: a mais óbvia: o mercado é maior; a menos óbvia: é com exposição aos mercados onde se compete pela criação de brands globais que se cria e se mantém excelência. Pensar global, é uma mistura de várias componentes (que a maior parte das empresas nacionais faz parcialmente mal):
- Vender e estabelecer parcerias estratégicas noutras geografias: passar dias em aeroportos e noites em hóteis algures em todos os cantos do mundo é duro; mas é um meio para atingir um fim; não se consegue fazer internacionalização sem viajar, é preciso e muito;- Atrair e reter talento internacional: se os melhores do mundo nos virem como um bom lugar para trabalhar, também o veremos nós; acima de tudo, a falta de atracção de talento internacional mostra ao talento nacional que o caminho é emigrar para melhores sítios para trabalhar lá fora;- Abrir capital a sócios internacionais que tragam mais valias: uma das caracteríticas do empreendedor que mais condiciona o crescimento das empresas é a ganância; quando há uma vontade de alcançar algo maior, abrir capital é, quando o novo sócio traz vantagens no que toca à presença internacional e à capacidade de crescer, o melhor caminho possível;- Ser-se ambicioso e contagiar coopetidores com essa ambição: fazer com que os nossos competidores passem a colaborar connosco a bem de um objectivo ambicioso partilhado por todos.
A robótica, tal como outros sectores do conhecimento, estão hoje a ser ensinados e investigados em Portugal a um nível de excelência que é em tudo comparável aos países mais desenvolvidos. O documento preparado pela Sociedade Portuguesa da Robótica (Robótica no Mapa
, apresentado
nas Jornadas de Inovação na FIL em Junho passado) isso mostra. Falta agora espalhar muita dessa excelência para as empresas e fazer o caminho do crescimento e da internacionalização.
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Robôs no Cinema
Pedro U. Lima
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18:54 Domingo, 1 de Nov de 2009
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O filme "Os Substitutos" (Surrogates) é um bom pretexto para todos os entusiastas da Robótica, profissionais ou simples seguidores das novidades, reflectirem sobre os aspectos éticos da Robótica. Mas não se preocupem os mais ansiosos relativamente à dominação dos humanos pelas máquinas: ainda estamos longe de poder escolher ter um substituto robótico.
O mais recente filme do realizador Jonathan Mostow ("Os Substitutos"), em exibição nas salas de todo o país, permite desfrutar de uma boa hora e meia de entretenimento, embora não sendo um fenómeno de qualidade requintada, do ponto de vista cinéfilo. Ainda assim, há detalhes subtis que o valorizam, como o toque de artificialidade que os efeitos digitais dão aos substitutos com faces semelhantes a actores conhecidos (tornando o guião mais credível), e a entrada, com imagens reais de sistemas robóticos dos nossos dias, que existem e parecem de facto ser os percursores do futuro imaginado pelo autor. É o caso, entre outros, do andróide que Hiroshi Ishiguro
, da Universidade de Osaka, no Japão, desenvolveu à sua própria imagem.
O filme e o seu guião são também um bom pretexto para os investigadores e outros profissionais da Robótica, bem como cidadãos comuns apixonados das novidades desta área, reflectirem sobre os aspectos éticos da Robótica. Será que queremos chegar a um futuro em que robôs nos substituem no dia-a-dia, enquanto permanecemos nas nossas casas, "protegidos" numa gaiola dourada, sem riscos nem paixões? Ou será melhor desistirmos de desenvolver máquinas artificiais que nos possam levar a uma tal alienação que não nos demos conta que esse dia já chegou, como vai acontecendo nos dias de hoje, em alguns aspectos, quando as relações sociais são melhor estabelecidas por meios virtuais do que pelo contacto directo?
A Ciência enfrenta sempre estes dilemas: qualquer inovação traz más e boas utilizações da descoberta. O desenvolvimento de dispositivos diversos no âmbito da invetsigação em Robótica, como as câmaras artificiais ou os manipuladores que reagem a interpretações de ondas cerebrais e/ou musculares, são já uma realidade que permite, nalguns casos, substituir a visão ou membros naturais. Mas podem ser usados na criação de "super-homens" que permitem grande vantagem sobre o inimigo em cenários militares. Na verdade, eu não me importaria que fossem robôs a lutar as guerras do futuro, permitindo aos militares divertirem-se sem perturbarem a paz dos cidadãos pacíficos e generosos - mas só garantindo que ambos os lados disporiam de máquinas, caso contrário a tragédia do pior flagelo da humanidade (as guerras) seria ainda maior.
Também os robôs ajudantes dos humanos (em casa, na fábrica, nas ruas das cidades, nos campos em agricultura) são hoje intenso objecto de investigação e certamente daí resultarão máquinas capazes de nos substituir em tarefas duras e pouco criativas. Mas, se a investigação criar andróides realmente inteligentes, quem sabe se eles nos substituirão em mais situações, sem que nos demos conta da perda do prazer do pôr do sol ao pé do mar?
Como em tudo, está nas mãos de todos, profissionais e leigos, manter a vigilância ética sobre o efeito dos nossos actos, e tomar as medidas para procurar evitar a má utilização das boas ideias. Mas não se preocupem os mais ansiosos relativamente à dominação dos humanos pelas máquinas: ainda estamos longe de poder escolher ter um substituto robótico.
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Carlos Cardeira
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10:55 Sexta-feira, 16 de Out de 2009
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O artigo O Desafio dos Veículos Eléctricos Autónomos está interessante, não só pela imagem da Marta a sair do alfa pendular e pedir um transporte para a FIL, que ilustra como poderia ser uma sociedade em que a condução autónoma fosse uma realidade. Entretanto, continuo hoje a falar-vos sobre condução autónoma, a ideia de hoje tem a ver com o aumento que poderíamos ter na eficiência das autoestradas.
Há momentos em que viajar numa autoestrada pode ser uma tarefa bastante agradável.
Uma autoestrada relativamente pouco movimentada, passando por zonas do interior onde nunca houve vias com esta qualidade, podendo desfrutar de paisagens novas, rodando calmamente em Cruise Control ouvindo a nossa emissão de rádio favorita (ou previamente gravada). Um sossego, um conforto com que os nossos antepassados bem gostariam de ter podido desfrutar.
Infelizmente, mais tarde ou mais cedo, lá nos aproximamos de um grande centro urbano e aquele sossego e momentos de prazer tornam-se agora numa infinidade de veículos, mais ou menos ordeiramente dispostos em longas filas longitudinais onde o mudar de faixa é uma manobra que implica alguns desafios, enfim, trânsito tipicamente lento, longe de ser uma boa forma de chegar ao destino de forma calma e descontraída.
Ora também aqui a condução autónoma poderia ser uma boa solução. Na verdade, mesmo numa autoestrada congestionada, o índice de ocupação do solo por carros não ultrapassa os 10%. Parece incrível, mas é verdade, mesmo numa autoestrada congestionada, a maior parte do espaço é vazio, fruto da distância que é necessário deixar para o veículo da frente como da distância entre faixas que é bastante mais larga que os veículos.
Se essas distâncias são essenciais por segurança, uma vez que o ser humano é imprevisível na condução, em condução autónoma essas margens poderiam ser mais reduzidas, passando a ver faixas (ou mesmo autoestradas inteiras) em que os carros, ao entrarem, passassem obrigatoriamente para o modo de condução autónoma, levando tranquila e muito mais rapidamente, os veículos todos a bom porto, optimizando o tráfego e as mudanças de faixas dos veículos.
Porque se os nossos antepassados muito gostariam de ter as nossas facilidades de locomoção, já começo também a ter inveja dos meios de transporte autónomos que os nossos descendentes terão à sua mercê.
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