O mercado financeiro ligado à dívida soberana continua a apontar para uma deterioração acentuada das condições de crédito dos sete países mais frágeis da União Europeia (Grécia, Irlanda, Portugal, Roménia, Hungria, Espanha e Itália), cinco dos quais da zona euro e três deles com intervenções do Fundo Monetário Internacional.
Situação na Irlanda continua a agravar-se
O país em foco no movimento de especulação e no agravamento das yields (remunerações das obrigações do estado) com maturidades a 10 anos tem sido, este mês, a Irlanda. O "tigre Celta" atingiu hoje na sessão da manhã os 400 pontos base no custo dos credit default swaps (cds,veículos financeiros derivados que atuam como seguros face ao incumprimento da dívida soberana),
O que fez disparar, de novo, a sua probabilidade de default num horizonte de cinco anos para cima dos 28,5% e provocou um novo aumento nas yields a 10 anos que ultrapassaram, pela primeira vez, a barreira dos 6%. A Irlanda está já em 6º lugar no TOP 10 mundial deste risco, acima do Dubai, mas pode ultrapassar, a este ritmo de crescimento, a própria Ucrânia.
A Irlanda ultrapassou, ontem, o Dubai, apesar da Dubai Holdings (um dos cancros financeiros estatais daquele emirado) ter anunciado ontem que decidira adiar o pagamento para final de Novembro de uma dívida de 555 milhões de dólares, sendo a segunda vez que a empresa falha os compromissos e adia pagamentos aos credores.
Resto do grupo mais frágil em alta
Todos os outros seis membros do grupo mais frágil da UE estão em alta nas probabilidades de incumprimento da dívida soberana.
Portugal ultrapassou, de novo, o limiar dos 25%, conserva o 9º lugar no TOP 10 mundial, e viu as suas yields a 10 anos aumentar para 5,87% - ainda que longe do máximo de 6,33% de 7 de Maio de 2010.
O efeito deste aumento das yields faz-se sentir sempre que as obrigações do Tesouro chegam à maturidade e têm de ser reemitidas ou quando novos pedidos de empréstimo são lançados.
Quatro meses depois da crise da zona euro de maio de 2010 e pouco mais de um mês sobre a divulgação dos resultados dos testes de stresse à banca europeia, o TOP 10 mundial do risco de default tem mais países membros da UE no seu ranking ou à porta dele, e, no caso da Irlanda, a situação de agravamento bate todos os recordes.