Ricardo Salgado, presidente do BES, defendeu hoje que os grandes projectos de investimento em Portugal, como o novo aeroporto de Lisboa e o comboio de alta velocidade (TGV), devem arrancar o mais rapidamente possível.
"Esta não é uma questão política, até porque quem arrancou primeiro com o projecto foi o partido que agora está na oposição. É desejável que possamos, tão depressa como possível, lançar estas obras [TGV e novo aeroporto]", defendeu o presidente do BES.
"Os grandes investimentos públicos não têm nada a ver com política, mas sim com a estratégia de desenvolvimento do país", sublinhou Ricardo Salgado.
"A capacidade de resistência à crise é sustentada pelos mercados externos. Portugal pode ser um país periférico no quadro europeu, mas em termos mundiais, tem uma posição geoestratégica central, sobretudo na relação com os países emergentes", argumentou.
"Não tenham dúvida que vamos assitir no Atlântico Sul a um grande desenvolvimento económico", referiu, apontando para a recente visita de Lula da Silva ao continente africano.
"Portugal tem condições para funcionar como uma porta de entrada dos produtos e matérias-primas desse eixo no Atlântico Sul na Europa, pela via marítima para o Norte da Europa e pelo Mediterrâneo para o Sul", defendeu Ricardo Salgado.
"É fundamental o novo aeroporto de Lisboa e é fundamental o comboio de alta velocidade (TGV) para associar à nossa economia as regiões mais ricas de Espanha, que são Madrid e Catalunha", sublinhou, recordando que nos últimos sete anos houve um acréscimo de 40% no número de empresas portuguesas que exportam para o mercado espanhol.
"Temos de acelerar a integração ibérica. Não faz sentido estarmos na União Europeia sem pensarmos na integração ibérica. Não me venham dizer que com aumento das relações comerciais entre Portugal e Espanha não vamos ter um aumento dos fluxos de transporte", afirmou.