13/02/2012 atualizado às 12:29
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'Revolução' na política do medicamento

Governo aprovou um pacote de medidas que mexe com as comparticipações, penaliza novos genéricos e muda fórmula de cálculo dos preços de referência dos remédios. Ministério da Saúde quer poupar até €80 milhões. 

Ana Sofia Santos (www.expresso.pt)
18:30 Quinta feira, 4 de março de 2010
Ana Jorge acredita que o novo sistema de comparticipação trará benefícios
Ana Jorge acredita que o novo sistema de comparticipação trará benefícios
Mário Cruz/Lusa

Vem aí a revisão do sistema de comparticipações dos remédios. O Governo aprovou, na generalidade, um diploma que inclui diversas medidas que vão transformar a política do medicamento e que permitem, sublinha o Ministério da Saúde (MS) em comunicado, corrigir "distorções do mercado".

O combate à desigualdade encabeça a lista das alterações divulgadas pelo Executivo. Os pensionistas do regime especial, a comparticipação passa a ser de 100%, mas somente para "os medicamentos cujos preços de venda ao público seja um dos cinco mais baixos do grupo em que se inserem".

Em entrevista recente ao Expresso, o secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar , assumia os 30 milhões de euros que esta medida vai custar, por ano, ao erário público. "Não podemos esquecer que um dos grandes objectivos do Ministério da Saúde é o combate às desigualdades", justificou o governante, mesmo que isso pressione ainda mais o orçamento da Saúde.

Despesa com medicamentos dispara


É um facto que os gastos públicos com medicamentos dispararam. Em 2009, segundo dados do MS, a factura do Serviço Nacional de Saúde com comparticipações ascendeu a 1586 milhões de euros, mais 6,3% face ao ano anterior e muito acima da barreira dos 2%, definida pela equipa da Saúde.

Uma evolução que é mais alarmente tendo em conta que, refere o comunicado oficial, "tanto quanto se sabe o mercado total de medicamentos em farmácias de venda ao público diminui 0,9% em valor e cresceu apenas 1,4% em volume".

Igualmente preocupante é o crescimento da despesa em meio hospitalar, mais 11% face a 2008 (revelou Óscar Gaspar na entrevista, publicada em Janeiro). A culpa foi do aumento do preço dos tratamento somado a uma maior procura - dois denominadores fatais para as contas do ministério liderado por Ana Jorge.

A segunda medida, de um total de seis, estabelece que o preço dos novos medicamentos genéricos a comparticipar terá que ser inferior em 5% ao custo do remédio genérico mais barato que esteja já a ser comercailizado.

Segundo o Governo o objectivo principal é, não só obrigar a uma redução do preço dos genéricos que queiram entrar mercado, mas estimular o desenvolvimento de genéricos em grupos de medicamentos onde ainda não existem estas 'réplicas', estando o mercado limitado às drogas que são produzidas em exclusivo pelos laboratórios de marca.

Comparticipações com nova fórmula de cálculo


Outra 'revolução' atinge o cálculo das comparticipações. Esta ajuda do EStado passa a ser um valor absoluto (não é divulgado qual) e não uma percentagem do valor do medicamento (é independente deste factor). O Executivo garante que este é um forte incentivo à redução dos preços, "podendo mesmo ter como resultado medicamentos gratuitos para os utentes".

A quarta medida determina que as regras de actualização anual do preço dos remédios passam a aplicar-se à generalidade dos fármacos, terminando, desta forma, o congelamento dos preços inferiores a 15 euros.

Quinta e sexta medidas: o preço de referência dos medicamento será actualizado, tendo em conta a redução de 30% imposta nos genéricos; e é eliminada a majoração de 20% do preço de referência para o regime especial, ou seja, "acaba o incentivo ao consumo de medicamentos mais caros", explica o gabinete de Ana Jorge.

Em suma, o Ministério pretende reduzir os custos com remédios até 80 milhões de euros.

A Associação Portuguesa da Indústria farmacêutica (Apifarma) ainda não quer pronunciar-se sobre o diploma aprovado na generalidade pelo Conselho de Ministros. "A Apifarma tem mantido contactos com o Ministério da Saúde no âmbito dos quais apresentou, no início do ano, um conjunto de propostas para a área do medicamento. No decorrer deste processo, foi marcada pelo Ministério uma reunião de trabalho para o início da próxima semana", adianta a porta-voz da associação. E acrescenta que a associação desconhece "o texto final do Decreto-lei hoje aprovado, pelo que não emitirá uma posição acerca do mesmo até que possa analisar o seu conteúdo".

A Associação Nacional das Farmácias também não se pronuncia sobre este pacote e ainda não foi possível ouvir a Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos, uma vez que o seu presidente, Paulo Lilaia, está a viajar e sem possibilidade de contacto.

Na conversa com o Expresso, Óscar Gaspar referiu as negociações com os laboratórios e garantiu que não iam ser impostas novas reduções nos preços dos medicamentos.

Entretanto, o diploma será debatido na especialidade e nessa fase poderão ocorrer muitas alterações à versão original, proposta por um Governo minoritário.

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Só pergunto
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:53 | Quinta feira, 4 de março de 2010
Porque só agora foram tomadas esta medidas? interesses?
 
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Quem é que aqui sabe o que é um genérico ?..
siracusa (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 20:35 | Quinta feira, 4 de março de 2010
Um genérico é um medicamento que tem uma biodisponibilidade - leia-se eficácia - entre 80 e 125% relativamente ao medicamento original.
O que é que daqui se retira: nos remédios com margens terapêuticas largas, em que mais 100 mg ou menos é igual, como os antibióticos, venham os genéricos.

Nos medicamentos de margem terapêutica estreita, em que pouco não faz nada e um pouco mais tem efeitos adversos a porca já torce o rabo. Por isso poucos genéricos em cardiologa por exemplo. Agora que já sabe aconselhe-se junto do seu vendedor ... gaita ?!
 
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Genéricos
JCCC (seguir utilizador), 1 ponto , 19:36 | Quinta feira, 4 de março de 2010
Considero benéficas todas as medidas que possam ser tomadas no sentido de reduzir os preços e fazer aumentar o consumo de genéricos.

Não é um processo fácil porque este mexe com diversos interesses, pelo que é importante que as corporações envolvidas desempenhem um papel que procure direccionar os utentes para o uso dos genéricos.

Que sentido faz pagar mais por um medicamento, quando existe outro que possui o mesmo princípio activo e que é mais acessível?

Quanto a mim, confio nos genéricos, e todas as medidas tomadas por este ou outro governo no sentido de tornar a saúde um bem acessível a todos é muito bem vindo.
 
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Srs e Sras Jornalistas,
SoundsandNews (seguir utilizador), 1 ponto , 7:56 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Lamento mas a carinha e a prática desta mosca mole, não pega com a palavra Revolução.

Sugiro mais cuidado com os títulos.

 
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POIS É
SETEDEESPADAS (seguir utilizador), 1 ponto , 8:28 | Sexta feira, 5 de março de 2010
já não falando doutros que há muitos mais :vejamos, o Plavix custava em dezembro 15€ e pouco e em janeiro passou para 28€ e tal.E´um medicamento para o coeração.
 
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Queira Deus que eu esteja errado!
poetaromasi (seguir utilizador), 1 ponto , 15:28 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Ao ler este artigo todos deveremos ficar preocupados apesar de concordar e aceitar a política seguida ou a tomar face ao consumo de genéricos. Não será por aqui a minha preocupação. Trata-se de cortar e já sabemos o que isto significa.
O aumento da despesa com os medicamentos tem, seguramente, diversas justificações.
A falta de genéricos que abranjam todas as doenças;
O envelhecimento da população, com a natural procura de medicamentos;
O desemprego e, consequentemente, o consumo de fármacos para colmatar o stress causado pela incerteza.
As atitudes tomadas contra os funcionários públicos que viram as regras para a aposentação alteradas com a justificação de que a esperança de vida aumentou. Nada de mais errada esta política. Se fizerem um estudo honesto para determinar a média das idades com que os funcionários públicos se aposentavam antes de alterarem as regras do "jogo" irão concluir que a incerteza tem deteriorado as relações laborais e, na incerteza, a regra será "salve-se quem puder". Recordo-me, até, de alguns quererem permanecer depois de jubilados, ou seja aos setenta anos de idade.
As novas regras, para além de determinarem uma corrida às aposentações, criando incertezas são determinantes para um aumento no consumo de fármacos.

continua, por falta de espaço
 
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Queira Deus que eu esteja errado! conclusão
poetaromasi (seguir utilizador), 1 ponto , 15:29 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Continuação
Quanto a esta parte do artigo que transcrevo, algo está escondido e por certo não irá favorecer ninguém: "Outra 'revolução' atinge o cálculo das comparticipações. Esta ajuda do Estado passa a ser um valor absoluto (não é divulgado qual) e não uma percentagem do valor do medicamento (é independente deste factor). O Executivo garante que este é um forte incentivo à redução dos preços, podendo mesmo ter como resultado medicamentos gratuitos para os utentes".
Será que medicamentos que não têm genéricos, contudo indispensáveis e caros, irão ter uma comparticipação insignificante?
Não! Se pretendem poupar, e existindo de facto razões para diminuir a despesa pública, têm de cortar nos chorudos prémios e ordenados dos gestores públicos.
Exista coragem para isso e já agora qual a razão para não aceitarem como dedutível ao IRS a totalidade da despesa com medicamentos, de receita médica, em vez dos 30 % actuais.

Por tudo isto, por causa disto, muitos não terão acesso aos medicamentos. Talvez esteja enganado. Queira que sim!
 
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