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Revisão constitucional: PSD pretende diminuir poderes do PR

Entre uma diminuição do poder presidencial e um ajuste semântico é totalmente descabido apresentar as propostas de Passos Coelho como um aumento dos poderes presidenciais.

Vasco Campilho (www.expresso.pt)
7:39 Domingo, 18 de julho de 2010

Nesta entrevista que Pedro Passos Coelho deu ontem ao Público , foi levantado o véu sobre algumas das propostas constantes do projecto de revisão constitucional que o PSD deverá apresentar no próximo dia 21. Entre elas, duas têm a ver com os poderes presidenciais: a introdução de um mecanismo de "moção de censura construtiva", e a possibilidade de demissão do Governo pelo Presidente.

Achei curiosa a reacção da maior parte dos comentadores, dizendo que estas propostas redundam num aumento dos poderes presidenciais. Na realidade, trata-se de uma diminuição. Actualmente, a aprovação de uma moção de censura tem por único efeito a exoneração do Governo. Na sequência disso, cabe ao Presidente escolher a solução que lhe parecer mais adequada à crise política. Tem várias opções: pode reconduzir o mesmo primeiro-ministro, pode convidar o partido do governo demissionário a indicar um novo primeiro-ministro, pode nomear um primeiro-ministro de outro partido, e pode mesmo dissolver o Parlamento e convocar eleições. Com o mecanismo que propõe o PSD, o Presidente deixa de ter escolha: em caso de moção de censura com uma proposta alternativa de governo, deve empossar o novo governo proposto, e em caso de moção de censura sem proposta, deve dissolver o Parlamento.

Mas há a questão da demissão do Governo pelo Presidente: não constituirá isso um aumento dos poderes presidenciais? Não: o Presidente já pode demitir livremente o Governo. Vejamos o que diz a Constituição sobre este assunto: no art.º 133.º (Competência quanto a outros órgãos) , alínea g), a CRP dispõe que compete ao Presidente da República "demitir o Governo, nos termos do n.º 2 do artigo 195.º". E o que diz o n.º 2 do artigo 195.º ? "O Presidente da República só pode demitir o Governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado." Mas quem é responsável por aferir se a demissão do Governo é necessária para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas? O próprio Presidente da República. E o parecer do Conselho de Estado? Obrigatório, mas não vinculativo. O que significa que com a Constituição que temos hoje, ninguém pode impedir o Presidente de demitir o Governo, desde que o Chefe de Estado profira as palavras mágicas: "regular funcionamento das instituições democráticas".

Dada a latitude interpretativa que a expressão permite - e a ausência de mecanismos de controle - retirar essas palavras do art.º 195 não altera a substância do poder presidencial, nem para o reforçar nem para o diminuir. Aquilo que no pós-1982 tornou este poder quase obsoleto não foi a alteração constitucional mas sim a dinâmica do sistema político. O fim do Conselho da Revolução, a eleição de Presidentes civis, a prática de governos maioritários e mono-partidários, tudo isto levou a que as intervenções presidenciais sobre a governação se fizessem mais escassas. E nada nesta proposta alterará as condições que tornam altamente improvável o uso do poder de demitir o Governo pelo Presidente.

É certo que a disputa política tem razões que a lógica desconhece. Mas tudo somado, entre uma diminuição do poder presidencial e um ajuste semântico que não aumenta o real poder do Presidente, é totalmente descabido apresentar as propostas de Passos Coelho como um aumento dos poderes presidenciais. 

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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mais votados ▼
Assim sendo...
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 9:32 | Domingo, 18 de julho de 2010
... como afirma no último parágrafo, pergunto: Então que proposta é essa de Passos Coelho?
 
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Santana Lopes, mais um ignorante de serviçi
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 10:28 | Domingo, 18 de julho de 2010
Muito se aconselha Vasco Campilho a enviar ao ex-lºSantana, fotocópia destes parágrafos jurídicos e bem assim a bibliografia e Livrarias Jurídicas onde poderá encontrar os livros.( Na Almedina tem desconto para quem queira aprender)
Vitalino Canas- um provocador sempre ao de serviço de Sócrates-devia retratar-se do que ontem afirmou.
É muita ignorância junta e o problema é que esta gente está instalada no poder e não quer de lá sair.
 
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    Re: Santana Lopes, mais um ignorante de serviçi    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 22:53 | Domingo, 18 de julho de 2010
Mais um blogue para confundir, "encher pneus" e
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 2 pontos , 11:47 | Domingo, 18 de julho de 2010
"encher chouriços".Passos Coelho bem acompanhado por um condenado

pela CMVM, Paulo Teixeira Pinto, pelo seu comportamento no BCP. Já chega de "encher pneus". "Passos quer mais poder do presidente para demitir governos. Santana diz que voltou o PREC

O ex-líder do PSD Pedro Santana Lopes acusa Pedro Passos Coelho de estar a orquestrar aquilo que considera "um atentado contra a história do PSD": conceder ao presidente da República o poder constitucional de dissolver o governo, mantendo intacto o Parlamento, ou seja, sem eleições.

A ideia, que reforça as hipóteses de intervenção presidencial, está incluída na proposta de revisão constitucional (trabalho entregue a Paulo Teixeira Pinto, ontem condenado pela CMVM por causa do BCP"....Como é possivel o leader do PSD, imaturo e sem preparação, sem qualquer perfil ou experiência politica , pretender governar um País?...
 
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    Re: Mais um blogue para confundir,    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 13:54 | Domingo, 18 de julho de 2010
    E o povo deixa de votar para o novo governo    Ver comentário
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 2 pontos , 18:48 | Domingo, 18 de julho de 2010
    O voto, o Povo e quem está no Governo    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 8:20 | Segunda feira, 19 de julho de 2010
Ainda mais?
Tiroli (seguir utilizador), 1 ponto , 11:02 | Domingo, 18 de julho de 2010
Acabem com o PR! Assim o Pais poupa muitos milhões com uma figura de bilhete postal. O homem e' especializado em lançar avisos e alertas.
 
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    Re: Ainda mais?    Ver comentário
Gamo30 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:21 | Domingo, 18 de julho de 2010
O desgaste de Passos Coelho
Bettencourt de Lima (seguir utilizador), 1 ponto , 12:27 | Domingo, 18 de julho de 2010
Passos Coelho será sujeito a pelo menos um ano de desgaste, e, então se verá, o custo para o PSD do abandono da matriz social-democrata e se este «líder» não é a mais perigosa aposta para o partido e para o país.
 
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TOTALMENTE DESCABIDO
Anamanacosta (seguir utilizador), 1 ponto , 19:31 | Segunda feira, 19 de julho de 2010

As palavras de Passos Coelho deram origem a interpretações antagónicas. Provavelmente vão ajudar o próprio a perceber melhor o que disse, à medida que for explicando o que não disse. Mas, mesmo os seus colegas de partido têm dúvidas, embora isso seja um exemplo da riqueza do PSD. Hoje defende-se um aumento dos poderes presidenciais e amanhã defende-se o contrário, na senda do grande fundador Sá Carneiro, seguida, frequentemente, quer pela direita quer pela esquerda.
 
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