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Revisão Constitucional ou Estratégia Política? (2)

Passos Coelho conseguiu unir as esquerdas para surgir como reformista apelar ao voto útil no PSD. Mas não conseguiu ainda unir a direita na convicção reformista nem anular o papel actual do CDS.

Adolfo Mesquita Nunes (www.expresso.pt)
10:03 Quinta feira, 29 de julho de 2010

Na semana passada disse aqui que a revisão constitucional proposta pelo PSD não serve para nada senão para oferecer a Passos Coelho o espaço político necessário para mediaticamente se afirmar como reformista. Como isso, disse então, Passos Coelho conseguia firmar a sua imagem e conseguia pressionar o CDS a definir a sua estratégia política face ao PSD.

De facto, de uma assentada, não necessariamente como efeito indesejado, Passos Coelho conseguiu que a esquerda se juntasse em coro, coisa que há muito se não via entre Bloco, PCP e PS. O Bernardo Pires de Lima , por exemplo, considera isto um erro. Não posso concordar. Que melhor forma de anular o voto no CDS se não pelo fantasma de uma esquerda unida e imobilista, que ainda por cima vai cheirar a Manuel Alegre e ao seu lirismo durante os próximos meses? Que melhor forma de surgir como reformista senão, precisamente, pela demonstração de que Sócrates e Louça e Jerónimo estão afinal de acordo no essencial? 

Mas na semana passada procurei igualmente alertar para o facto de a proposta de revisão constitucional do PSD se destinar tão simplesmente a criar um espaço mediático e não necessariamente a iniciar um verdadeiro processo reformista. Neste momento, joga-se para a aparência e para o mediatismo e não vale a pena procurar o que não existe na revisão constitucional proposta pelo PSD. 

De qualquer forma, de um ponto de vista da análise política, vale a pena reflectir sobre o que é que, em concreto, o PSD fará para honrar a proposta aparentemente reformista que apresentou. E aquilo que tem sido a actuação do PSD, de voltas e contravoltas, deixa muito espaço para duvidar da capacidade reformista do PSD. Não porque isso possa não estar na mente de Passos Coelho, mas tão simplesmente porque o PSD, um partido altamente dependente (e saudoso) do Estado não o deixará.  

É por isso que, ao contrário do que tantos pensam, o papel do CDS neste momento é bem maior do que deixar-se enredar nas teias mediáticas de Passos Coelho. A estratégia do CDS deverá antes passar, precisamente, pela afirmação de que o reformismo consequente, que sai do papel e se traduz em medidas concretas, está no CDS. O CDS não deve, por isso, aparecer atrasado ou mais moderado ou menos atrevido que o PSD. Antes pelo contrário, o CDS tem de ir à frente no arrojo.  Em suma, o CDS tem de fazer nascer no eleitorado de direita a convicção de que sem o CDS no governo, o projecto reformista vai parar ao mesmo lugar do choque fiscal prometido por Durão Barroso: à gaveta.    

 

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Para o PSD, a hora é de olhar em frente:
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:29 | Quinta feira, 29 de julho de 2010
O PSD tomou a liderança da agenda da Politica portuguesa:
No Congresso criou a Unidade, elegeu uma Equipa coesa e arrancou para um combate politico de resolução estratégica dos problemas do Pais.
Estratégia que não tem um mero objectivo eleitoral, mas também de ser Governo ,depois delas.
Nessa perspectiva, não pode e não deve, estar a fazer concessões com outros partidos, abdicando de princípios que estão na sua base ideológica e traindo-desse modo- a coerência com que se vai apresentar aos Portugueses.
E é essa dinâmica nova que vai alterar significativamente o espectro eleitoral, depois das próximas eleições.
A hora não é de olhar para o lado: a hora é de olhar em frente.
 
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Assalto, legitimidade e caudilhos
Bettencourt de Lima (seguir utilizador), 1 ponto , 21:49 | Sábado, 31 de julho de 2010


O PSD de Sá Carneiro, Mota Amaral ,João Jardim, Cavaco Silva e milhares de militantes foi, e momentaneamente ainda é, de matriz social-democrata, como agora se convencionou dizer. Foi envolto nesta matriz que este partido cresceu e se tornou alternativa de governo em Portugal. Assim foi e ainda é. Esta matriz está configurada nos respectivos estatutos. Qualquer militante que se proponha dirigir este grande partido deve, e está obrigado, a se conformar com esta realidade.

Já sofreu fortes ataques no sentido de mudar a raiz social-democrata, mas nunca tão intensos como agora, dirigidos por um grupo que se situa à direita do CDS e pretende tomar por dentro este grande partido e deslocá-lo para a direita liberal.

Para isso terá de mudar os estatutos, submeter a respectiva aprovação aos militantes e denominar o partido de outra forma. Por exemplo, porque não PLD - Partido Democrata Liberal?

Se isto acontecer será legitimo, não será é a mesma coisa.

Bettencourt de Lima

 
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