|
|
Ver 10, 20, 50 resultados por pág.
|
|
João Monteiro Silva (Curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto)
|
15:00 Sexta feira, 29 de julho de 2011
|
Muitas vezes me perguntei por que motivo a América, em cerca de 50 anos, se tornou o país mais próspero do mundo. Porquê? Quando existem outros países, tão grandes ou maiores, tão ou mais ricos no seu subsolo, tão ou mais inteligentes nos seus quadros.
A resposta é uma: os americanos têm uma ideia sobre o país que querem. Que vai para além da bandeira e do hino que os une a todos. E essa ideia expressa-se tendo existência real no 'american dream' e no 'american way of life'. Nova questão. Porque não temos também o 'sonho português' ou o 'estilo de vida português'? Resposta relativamente óbvia: porque não temos uma ideia sobre o que queremos para Portugal.
Do meu ponto de vista é isto que falta em Portugal. Uma ideia! Uma ideia do que queremos para o nosso país! Mas uma ideia séria, estruturada, arrojada e corajosa que nos aponte um caminho a 25 anos. Sem uma ideia vamos viver tendo no horizonte juros a pagar a que no futuro se somarão ainda mais juros. E não sairemos desta espiral de mediocridade. Uma ideia! E coragem para a colocar em prática. É tudo quanto necessitamos. E é, por isso, um trabalho gigantesco, colossal, para o qual nos devemos preparar.
Na Escola, porque os executores dessa ideia estão necessariamente nas escolas e nas universidades e precisamos de os mobilizar para essa ideia. Sem eles nada feito!
|
|
|
|
João Monteiro Silva (Curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto)
|
17:00 Segunda feira, 18 de julho de 2011
|
Que faça uma revolução mas naquilo que é essencial fazer revoluções! Não uma revolução organizacional mas uma revolução programática com repercussão no grau de exigência do ensino. Isto na Educação, nas escolas primárias, básicas e secundárias.
Arrumar o assunto polémico e inócuo da avaliação dos professores para que o país se concentre no essencial. Como valorizar quem é excelente, potenciar quem é bom e criar nos assim-assim um formigueiro insuportável que não os faça descansar enquanto não forem melhores que os muito bons? Isto é o essencial da Educação. Formar gente com conhecimentos, capacidades e com verticalidade moral. O resto é folclore.
E será esse o grande desafio que se colocará ao Prof. Dr. Nuno Crato. Que é nada mais nada menos do que um desafio gigantesco. Porque terá de ultrapassar, desde logo, um sindicalismo bolchevique que se julga no direito de atrasar o desenvolvimento do país em nome de uma proteção fantasiosa dos direitos dos professores. Mas sobretudo, porque terá de ultrapassar uma crença que se instalou nos últimos anos no ensino português de que não são necessárias grandes competências nem conhecimentos para se alcançarem resultados excelentes - de que as Novas Oportunidades são o expoente máximo.
Todavia é possível vencer este desafio. Desde logo com uma medida muito simples mas com um efeito potencial profundo em toda a organização e vocação do ensino. Tornar o acesso ao Ensino Superior matéria das próprias Universidades, ou seja, deixar as Universidades escolherem os seus próprios alunos mediante exames de seleção elaborados por estas.
Isto tornaria, a meu ver, o Ensino Básico e Secundário numa ferramenta e não num fim em si mesmo. Num lugar onde se acumula e sedimenta conhecimento e não num ciclo vicioso de 'aprender, estudar e escarrar' que a longo prazo se torna bastante menos rentável. É uma opção de fundo, corajosa e de rutura mas parece-me que seria bem-vinda ao Ensino e à Educação portuguesa.
|
|
|
|
João Monteiro Silva (Curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto)
|
13:00 Terça feira, 21 de junho de 2011
|
Sem pretender demonstrar o papel que ao longo da história a Igreja tem inegavelmente desempenhado na Educação, apenas quero aqui deixar o meu testemunho, acreditando que ele pode ser útil para outros. Sou hoje cristão por convicção profunda e vejo na Igreja uma força adicional para acreditar num futuro que se afigura cheio de incertezas.
A Igreja é uma instituição cheia de defeitos, com milhares de coisas que se podiam aperfeiçoar, e é feita de seres humanos cheios de falhas, que erram e pecam, muitas vezes atentando a própria moral cristã, mas essa é também a sua grande força: a Igreja é feita de homens. Homens que defendem um projeto de vida que não está assente na imoralidade, na mentira ou em qualquer valor que não seja puro e verdadeiro. A Igreja defende os valores da Justiça, da Verdade, da Solidariedade, da Honra e da Liberdade. Não defende o seu contrário. Daí estar vocacionada para desempenhar um papel ativo na formação dos jovens. Porque é um contrapeso ao imediatismo e falta de regras morais que imperam na sociedade. Porque aponta um caminho mais puro, mais difícil de trilhar, por vezes cheio de obstáculos, mas por isso mesmo um caminho que isenta a consciência de qualquer remorso e ressentimento e nos faz felizes.
Ir à missa faz bem! Porque lá ninguém prega a mentira como forma de vida ou a desonra como prática de compromisso. Na Igreja prega-se o contrário. Fui a muitas Igrejas, a muitas missas, ouvi falar muitos padres e nunca ouvi da boca de nenhum deles que devíamos mentir, roubar ou matar. Antes pelo contrário. Se continuarmos a pensar que só os conselhos daqueles que têm um cadastro moral imaculado são legítimos, então, não ouviremos nunca conselhos de ninguém, porque somos todos homens, todos temos falhas. O que nos define não são as nossas falhas, é a nossa capacidade de as assumirmos perante nós próprios, procurando corrigi-las e seguir em frente, sempre em busca de sermos melhores. Foi isso que eu vi, aprendi, vejo e aprendo, na Igreja.
P.S. Os tempos que se avizinham não vão ser fáceis. O meu conselho (e eu sou alguém com tantas falhas como cada um dos que lê o que eu escrevo) é que deitemos mãos ao trabalho, trabalhemos ao máximo as nossas capacidades e peçamos a ajuda de Deus para que o país e todos nós ultrapassemos as dificuldades que se avizinham. Mas que as vivamos para não as esquecer!
|
|
|
|
João Monteiro Silva (Curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto)
|
10:30 Quarta feira, 25 de maio de 2011
|
É uma pergunta de difícil solução. Como resolver o nosso problema de falta de qualificação sem massificarmos administrativamente as competências e esbarrar-nos sistematicamente com indivíduos que mal sabendo ler ou escrever se outorgam a si próprios um diploma do 12º ano. Não é fácil mas tem solução.
O país deve perceber que as pessoas não se medem pelo número de anos que andam na escola nem as competências são proporcionais ao tamanho dos canudos universitários. Um terço das competências adquiridas na Universidade poderiam facilmente ser adquiridas no Ensino Profissional e outro terço não servem os interesses dos próprios estudantes, o que equivale a dizer que correspondem a cursos que só servem as Universidades e os interesses dos seus Reitores que recebem tanto mais dinheiro quanto mais alunos estiverem inscritos.
Em Portugal cometemos um erro terrível que passou por adotar um sistema educativo nórdico a uma população latina. Fiasco. Os nórdicos e anglo-saxónicos são por natureza metódicos, rigorosos e, sobretudo, competitivos. Já os latinos são naturalmente pouco rigorosos e laxistas na forma de encarar a vida e os problemas. Temos várias qualidades mas temos esses terríveis defeitos. Daí precisarmos muitas vezes de um verdadeiro estímulo e objetivo para trabalhar melhor. E quando nos dizem que estudando ou fazendo sorna o resultado passa sempre por passar de ano, então está-nos na massa do sangue fazer sorna. Os nórdicos e americanos, pelo contrário, esfolar-se-ão a trabalhar na esperança de que os outros trabalhem menos para assim serem mais ricos do que eles.
Daí a responsabilidade do Estado nesta matéria. O Estado, como garante primário da educação, deve ser rigoroso, metódico, exigente porque só dessa forma, num país latino, as pessoas também o serão. É um raciocínio linear, que pode funcionar mal na sociedade, mas a verdade é que os raciocínios simples são sempre os mais verdadeiros. Como em tudo, na vida, na educação ou na política, quando começamos a complicar, perdemo-nos.
Parta-se deste princípio e seremos todos melhores. Uns melhores agricultores e juízes, outros melhores operários fabris ou médicos. Porque cada um poderá desenvolver os seus talentos e não ser forçado a desenvolver aqueles que nunca teve ou terá.
E viveremos mais felizes, num mundo mais real e seremos, porventura, todos muito mais ricos.
|
|
|
|
Catarina Proença (3.º ano do 1.º ciclo de Economia da Universidade de Coimbra)
|
13:00 Terça feira, 24 de maio de 2011
|
Com as comemorações do 25 de abril voltaram novamente as canções de intervenção, as antigas e as recentes. E ultimamente, estas têm estado bastante na moda. Foram mote até da manifestação da "Geração à rasca" que, para muitos, poderia ter sido o início de uma nova revolução dos cravos.
Dada a minha condição de estudante, houve uma frase, da música Parva que sou da banda Deolinda, que me ficou e que me chateou durante algum tempo - "E fico a pensar, que? mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar". Sem refletir profundamente, numa primeira fase concordei. Sei que há precariedade, já que o sistema de emprego se adaptou através de mecanismos "mais ou menos legais" como os contratos a termo certo e os recibos verdes. Há o que designei, no meu pensamento, de "escravidão do século XXI". E neste ponto considero que os decisores políticos deviam deixar a popularidade de lado e unir esforços para corrigir erros e não os repetir.
No entanto, depois de entranhar esta frase percebi que também vou de encontro com ela. Considero que qualquer profissão é digna e precisa na nossa sociedade (por exemplo, imagine-se como seriam as nossas ruas se não houvesse "varredores de lixo"). O que tem acontecido é uma distorção nesta simples premissa de que tudo é importante. Concordo que não é justo um licenciado não trabalhar na sua área e estar, por exemplo, numa caixa de um supermercado; mas não concordo que isso seja considerado por muitos uma condição indigna. A verdade é que a quase absoluta absorção (nas três últimas décadas do século passado) de licenciados quer pela entidade pública quer pela privada está longe de se voltar a repetir. Há que perceber que as oportunidades que vão aparecendo devem ser aproveitadas, sem nunca desistir de alcançar o que concretiza cada indivíduo. Estar em casa sem produzir não é útil e atrasa cada vez mais o nosso país. Penso que não são necessários mais "parasitas".
Para além desta frase, assombrou-me e entristeceu-me perceber a diferença entre "geração à rasca" e "geração rasca" (como é que a simples palavrinha "à" pode fazer tanta diferença na perceção de um significado). Também numa primeira fase concordei que pertencia a uma "geração à rasca". Contudo, agora acredito que cada vez mais a minha geração pode ser apelidada de "geração rasca". Ora, desde miúdos os nossos pais nos deram tudo sem pensarem nas consequências que isso poderia ter para o nosso futuro. Privados de mordomias do pré-25 de abril, quiseram dar aos filhos e filhas vidas de príncipes e princesas. Vivemos nesta ilusão de que tudo é fácil desde há muito tempo. Os nossos pais trabalham, fazem sacrifícios e pagam-nos jantares, idas ao cinema, viagens com amigos e oferecem-nos um carro mal se tire a carta... Que maravilha: não fazer nada e ter tudo de mão beijada. Temos uma vida descansada e gostamos muito do nosso "umbigo" e da nossa zona de conforto.
Acontece que este reino pode desmoronar-se, já que não há castelos perfeitos na segurança e proteção dos invasores. Há um dia em que os príncipes e as princesas têm que olhar de frente para o "inimigo". E o "inimigo" pode ser o mercado de trabalho. Darwin afirma que apenas os aptos sobrevivem, logo, é necessária uma grande capacidade de adaptação e permeabilidade para ultrapassar estes "inimigos". E este é um outro ponto que faz a minha geração "rasca". Claro está, que há exceções, e estas são aqueles que têm uma perceção do futuro, têm capacidade de reação e nunca se dão por vencidos.
Por último, tenho reparado que muita gente anda adormecida, não vê os dois lados de uma problemática e a atualidade é para elas um mero sonho, mas a verdade é que ela é real (bem real). Neste sentido, a meu ver, é necessário que Portugal acorde e enfrente o que aí vem. E este "acordar" incita a nossa capacidade de ação. Não podemos desistir, nem baixar os braços. Não podemos adoptar uma filosofia de acomodação, mas sim uma filosofia de pró-actividade. Temos que ousar sonhar e querer contribuir para o crescimento da nossa economia, mesmo sabendo que os erros crassos do passado demorarão a ser pagos.
"Liberdade pode ser prisão... / Meu Deus, livra-nos do mal / e acorda Portugal.."
|
|
|
|
André Machado (Faculdade de Direito, Universidade de Lisboa)
|
15:30 Terça feira, 5 de abril de 2011
|
A Universidade de Lisboa, minha casa, remonta a datas bem mais distantes que 1911, sendo antiga a discussão sobre a real data da sua fundação. Todavia, tem a data de 22 de Março de 1911 o decreto que cria a instituição que hoje celebra o seu centenário.
Escrevo estas linhas depois de assistir a uma bonita cerimónia comemorativa do centenário, em que, além da evocação das três classes que formam a Academia (professores, estudantes e funcionários), se homenageou o Prof. Doutor Jorge Miranda, meu antigo professor da Faculdade de Direito, António Lobo Antunes, com um doutoramento honoris causa, e se lembrou o contributo de figuras como o Prof. Doutor Orlando Ribeiro. Saí da Aula Magna confortado com as palavras do Reitor sobre a história da instituição e do contributo que o futuro lhe reserva, sensibilizado com a homenagem ao Prof. Jorge Miranda, mas sobretudo motivado pelo discurso do Tiago Gonçalves, presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa (AAUL) e meu amigo de há muito.
Com efeito, é com imenso orgulho que, neste centenário, olho para os nomes que passaram pelas cátedras das Faculdades da Universidade de Lisboa e por tantos alunos que, de alguma forma, contribuíram para a construção da história do último século português. A iniciativa "100 Lições", com ilustres antigos alunos, representa muito bem a influência que a Universidade teve nos acontecimentos dos últimos cem anos, através daqueles que nela se formaram.
Por outro lado, a iniciativa "100 Locais" revela as muitas influências que a Universidade teve na cidade de Lisboa: Muitos dos espaços mais significativos a nível científico e cultural são produto da UL.
A isto se acrescenta a óbvia relevância do trabalho científico que ao longo dos anos foi produzido nas unidades que formam a UL.
Neste sentido, é quase lugar-comum afirmar que a Universidade de Lisboa foi o berço de movimentos científicos, culturais, políticos e sociais que moldaram de forma decisiva o Portugal de 2011. Todavia, hoje o paradigma que se impõe é uma nova abertura da Academia. Desta feita, uma mais estreita ligação á sociedade civil e ao mundo empresarial. Ainda nesta linha, durante cem anos formaram-se ilustres personalidades das mais variadas áreas do saber e da intervenção. Hoje, é tempo de chamar a casa aqueles que dela saíram há anos e valorizar o seu papel. Apenas assim, com este novo paradigma, da abertura das portas da Reitoria, conseguiremos assumir os importantes desafios das novas formas de financiamento e, especialmente, da internacionalização.
O peso da história é significativo e recai nos ombros de todos aqueles que lecionam, trabalham e estudam na Universidade de Lisboa. São cem anos que orgulham todos os que têm a honra de estar ligados a esta centenária instituição. Hoje, a UL enfrenta importantes desafios, entre os quais me permito destacar apenas a valorização da investigação, o processo de internacionalização, as novas formas de financiamento, o apoio social aos alunos, os novos institutos, a ligação à sociedade civil ou as condições de trabalho dos docentes. Neste contexto, o horizonte revela caminhos ainda por trilhar e a Academia parte para mais cem anos confortada com o que hoje alcança e com um passado de que se pode orgulhar. Que a UL possa dizer, daqui em diante, que os desafios de hoje foram superados e que se afirmou como a grande instituição que o país e a Europa esperam e precisam.
*Membro do Conselho Geral da Associação Académica da Universidade de Lisboa
www.voxpatriae.blogs.sapo.pt
|
|
|
|
João Monteiro Silva (Medicina, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto)
|
14:10 Quinta feira, 17 de março de 2011
|
O ponto com que queria lançar hoje a discussão é ainda o da manifestação da intitulada "Geração à Rasca" no passado dia 12 de Março.
À sombra de um clima de descontentamento geral a que se associou nestes últimos meses uma sensação de que pelo poder da rua se podem resolver os problemas das pessoas e dos países, um grupo de jovens - naïves, inconsequentes mas potencialmente perigosos - organizou e promoveu as tais manifestações. Que, devo dizer, me surpreenderam pela adesão que tiveram que foi muito, mas muito significativa. E isso não deve ser escamoteado!
Analisemos contudo - e este será porventura o cerne da questão - aquilo por que se protestou. Foram matérias de fundo, foi-se para a rua pedir um Ensino mais exigente, uma Justiça mais célere e eficaz, uma política de atribuição de subsídios mais justa e que não promova o desemprego como o melhor dos empregos? Não, não foi isso que se foi para a rua pedir! E, todavia, é isso que definirá se, como país, sobreviveremos a muito curto prazo.
Custa, é duro para uma geração que se habituou a ter como adquiridas um conjunto de regalias, a dinheiro mais ou menos fácil e a um nível de vida superior às suas possibilidades perceber que seremos nós a ter de pagar os excessos que foram cometidos no passado. Porventura, à custa da nossa própria qualidade de vida.
Contudo, o que para mim é claro e aceitável - ter de pagar estes excessos, porque somos todos portugueses e se subimos todos juntos também caímos todos juntos - não é claro para muitos outros. Sobretudo aqueles que pomposamente se dizem de esquerda. Aqueles para quem todos deveriam ter tudo, ser iguais a todos, ter as mesmas coisas e as mesmas oportunidades que todos. Esquecem-se é de que quando as sociedades são niveladas assim, são niveladas por baixo, tornam-se insustentáveis e, inevitavelmente, caminham para o abismo. Deixa de ser valorizado o mérito individual de cada um, o trabalho de cada um, em última análise, o potencial de cada um.
Companheiros de jornada, jovens, pais, mães, todos os que me queiram ouvir. Temos de escolher o nosso caminho. É inevitável que os próximos anos sejam duros, que a nossa qualidade de vida saia prejudicada, mas ainda assim creio haver esperança. Podemos esconder-nos debaixo dos milhões de euros que nos emprestam ou então arregaçar as mangas, começar a pensar em como podemos sair desta situação. Cada um pensando o que pode fazer. Se e como pode abrir uma empresa. Como poderá rentabilizar e expandir mais o negócio que já tem. Se e como poderá trabalhar mais uma, duas ou três horas por dia. Aconselhemo-nos, procuremos ajuda entre nós, mas arregacemos as mangas e trabalhemos. Porque essa é a única solução. Não a rua...
|
|
|
|
André Machado (Curso de Direito, Universidade de Lisboa)
|
13:00 Sexta feira, 11 de março de 2011
|
Os últimos tempos têm demonstrado que o movimento associativo enfrenta hoje um conjunto de desafios de enorme envergadura. Entre tantos, desde as questões de avaliação e acreditação à empregabilidade, assume-se a ação social como a causa mor da contestação dos estudantes. E com toda a propriedade, face às perspetivas de saída do sistema de milhares de colegas, que podem abandonar o Ensino Superior, em última análise. A gravidade da situação exige, nestes termos, uma liderança com rumo em cada uma das nossas escolas e, sobretudo, uma linha de ação a nível nacional. Neste, como em tantos outros aspetos da nossa vida académica nacional.
Neste sentido, a classe dirigente nacional, representativa de todos os estudantes do Ensino Superior precisa de reunir dois pressupostos fundamentais: primeiro, a confiança e mobilização geral das suas academias; segundo, com base no primeiro, a capacidade de contestação e a força política que resulta da união das escolas na defesa da sua causa.
Todavia, esta tão importante união dos corpos estudantis é posta em causa, recorrentemente, nos momentos eleitorais vividos em cada Associação Académica ou de Estudantes. É, aliás, natural e saudável que surjam várias visões para as academias. Resulta do confronto dos projetos, normalmente, um relevante panorama de conjunto que só se atinge com o entusiasmo, a motivação e a emoção de uma candidatura. As escolas também precisam disso. Porém, essa normal crispação e competitividade têm o seu lugar e não podem, de forma alguma, ter repercussões na ação política das associações e, através delas, na representatividade estudantil nacional. O movimento associativo, nas instituições e no panorama mais alargado, não pode, em circunstância alguma, estar refém de interesses ou agendas de determinados grupos.
Com efeito, é importante que aqueles que se propõem liderar os destinos das organizações representativas dos estudantes tenham consciência da relevância da união na defesa da causa académica. Há matérias, hoje mais que nunca, que exigem a mobilização de todos e não apenas de alguns. Existe tempo para o debate de ideias e da luta política, mas também existe o tempo de cerrar fileiras. Isto porque, no fim de contas, todos estamos do mesmo lado da barricada. As nossas lutas não são (ou não devem ser) entre a Lista A e a Lista B: estas são tomadas de posição. As nossas lutas são, isso sim, as do financiamento do Ensino Superior, do sistema de ação social, do acesso ao mercado de trabalho, da dignificação das instituições cujos estudantes muitos de nós representam, entre tantas outras.
Tudo isto para sublinhar que se os momentos eleitorais nas associações/federações são momentos fundamentais na vivência democrática das instituições, não é menos verdade que o dia seguinte deve ser sempre o da união. Os nossos colegas, mesmo que adversários em determinado momento, não deixam de ser os que nos propomos representar ou os que se nos propõem representar. O sentido de comunidade académica e a consciência institucional devem, sempre e em qualquer circunstância, imperar e sobrepor-se a todo e qualquer interesse sectário.
Os tempos que vivemos requerem do associativismo académico uma afirmação política forte na defesa intransigente dos interesses dos estudantes. Os desafios que a Academia enfrenta são graves e exigem os melhores protagonistas na representatividade estudantil. Mas esses protagonistas apenas alcançarão o sucesso que a todos aproveita com a sua base de apoio unida no mesmo espírito: de abnegação e desprendimento, de autêntica e desinteressada devoção à causa académica e, sobretudo, de efetiva e verdadeira união em torno daquilo que é fundamental.
*Membro do Conselho Geral da Associação Académica da Universidade de Lisboa
www.voxpatriae.blogs.sapo.pt
|
|
|
|
Catarina Proença (3.º ano do 1.º ciclo de Economia da Universidade de Coimbra)
|
10:00 Terça feira, 30 de novembro de 2010
|
"Até o Canguru ficou sem bolsa" - é este o lema do descontentamento dos estudantes universitários da Universidade de Coimbra face ao corte de verbas para o ensino superior, nomeadamente nas bolsas de estudo.
Realizou-se, no passado dia 17 de novembro, a manifestação dos estudantes universitários na Assembleia da República. Os estudantes presentes esperaram ser ouvidos. E foram! Porque barulho houve! Mas, nada se alterou.
Somos meras marionetas neste "ensino superior" - reivindicamos, mas há alguém oculto do outro lado da tela que nos move e nos prende os movimentos.
Muitos alunos, com este corte brutal nas bolsas, serão afetados (v. texto de Cláudio Carvalho de 4-9-2010). Como forma de minimizar estes efeitos, em Coimbra, por exemplo, este ano foi criado um fundo solidário que é uma iniciativa integrada na campanha 2010 protagonizada pelo Instituto Universitário Justiça e Paz : "Se sofres com a crise experimenta a partilha", com o qual se procura atender à realidade de muitos estudantes do Ensino Superior, desenvolvendo-se uma atividade de angariação de fundos que contribua para a continuidade da ajuda em algumas questões básicas de falta de apoio, que lhes permita continuar a estudar. Mas, é claro, que isto não basta!
Deste modo, o ensino superior irá tornar-se mais elitista e a classe média portuguesa com filhos universitários irá apertar cada vez mais o cinto para tentar (sobre)viver. No entanto, é necessário e urgente que os casos que existem de alunos que recebem bolsa e que não necessitam (sim! há casos destes, e se és aluno, deves, pelo menos, conhecer um destes casos) sejam denunciados para uma maior justiça e equidade social. Além disso, também é necessário e urgente que os alunos detentores de bolsa lhe façam um melhor uso: ao invés de gastarem dinheiro da bolsa exageradamente em "saídas à noite" (não estou com isto a afirmar que não se deve sair à noite!), deveriam canalizar o dinheiro para os estudos... sim, porque, os alunos recebem bolsa de ESTUDO e não uma bolsa de NOITADA!
É irrisório estas duas situações acontecerem, porque somos estudantes universitários, supostamente, adultos e com valores! "A culpa é do sistema" - dizem uns; prefiro dizer que a culpa é de todos os que não procuram ser justos e verdadeiros para com os deveres cívicos! E isto, é "uma viagem que começa de pequeninos": se hoje uma criança vê alguém a não ser verdadeiro, e ninguém lhe explica e corrige, é muito provável que no futuro esta criança se torne num aluno free-rider. Faço votos para que as bolsas sejam distribuídas de forma equitativa e que os free-riders se cansem destas boleias clandestinas! Ah! Espero também que o Canguru tenha a capacidade de reconstruir a sua bolsa para ensinar os alunos, que ainda não sabem, a racionalizar a sua bolsa!
|
|
|
|
Tiago Gonçalves (5º ano do curso de Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica da Universidade do Minho)
|
13:00 Segunda feira, 18 de outubro de 2010
|
O caso que tem vindo a passar-se nos últimos tempos no apoio social ao ensino superior até parece brincadeira de tão ridículo que é.
O Governo decidiu há já muito tempo, através do Ministério da Segurança Social as regras para o apoio social, e já mais recentemente no mês de setembro através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) adaptou através de despacho as regras para o ensino superior. Ficam a faltar as normas técnicas que tardam em aparecer.
O MCTES parece continuar impávido e sereno perante um atraso que todos já notaram ser problemático. Reitores, associações académicas e diretores dos serviços de ação social por todo o país há muito se pronunciaram perante este problema que se arrasta, mas o MCTES continua sem resposta.
Em boa verdade, além de esta mudança afetar uma grande quantidade de alunos que irão perder o acesso ao apoio social, este atraso traz problemas de maior, principalmente a um grupo de estudantes com graves carências económicas e que tem no apoio social o único meio de subsistência no ensino superior. Isto porque tal situação pode arrastar-se por mais cerca de 3 meses após publicação das normas técnicas.
Estamos a 18 de outubro. Se pensarmos positivamente e colocarmos a meta da publicação das normas técnicas até ao final do mês, falamos de pagamentos das bolsas para o princípio de fevereiro. Traduzindo, os alunos de maiores carências ver-se-ão obrigados a arranjar soluções alternativas para se financiarem até essa data ou então poderão ter de abandonar o ensino superior. Estamos a falar de custos incomportáveis para muitos estudantes que poderão terminar com consequências extremas. Literalmente, este ano letivo poderá ser um mar de tormentos para muitos estudantes.
Por mais que me esforce não consigo compreender a serenidade do MCTES, que continua em busca da fórmula perfeita para a publicação das normas quando não há mais tempo para espera. Não podemos suportar mais demoras. Precisamos de decisões para ontem. Os atrasos já se tornam absurdos.
Felizmente na minha universidade os serviços de ação social foram pró-ativos e estão a trabalhar para que, após publicação das normas técnicas, o tempo de espera não seja de 3 meses mas sim um tempo nunca superior a 30 dias. No entanto, continuam presos e bloqueados com a demora que se prolonga pelo MCTES.
Um ministério que se atrasa assim tanto, um Governo que nem consegue entregar um Orçamento do Estado à hora que eles próprios marcaram, só faz transparecer ao país indefinição e trapalhada, quando deveriam ser os primeiros a transparecer estabilidade. Faz-me parecer aqueles trabalhos universitários que são feitos em duas "diretas" e são entregues em cima da hora ou até um pouco mais tarde se o professor facilitar.
Espero apenas que no final de tantos Pactos de Estabilidade e Crescimento, as coisas resultem mesmo.
|
|
|
|
|
Ver 10, 20, 50 resultados por pág.
|
|
|