13/02/2012 atualizado às 8:36
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Restaurante Mesón Andaluz: Mesão com luz

Entre os pratos e as "tapas", este é um dos raros locais onde se sabe que se é sempre feliz.

José Quitério (www.expresso.pt)
12:00 Quarta feira, 27 de janeiro de 2010

Já completou 30 anos como restaurador. Foi em Maio de 1979 que Ilídio Duarte de Almeida fundou o Mesón Andaluz, no 1º andar de um pequeno centro comercial da Parede, imprimindo-lhe personalidade própria, com opção pela gastronomia hispânica. Desse espaço maneirinho não tardou a irradiar luz (por mim captada a partir de 1983), que não mais se extinguiria, graças à competência, criatividade e dinamismo do seu criador. Ao fim de uma dúzia de anos, a necessidade de maior largueza e desafogo levou à transferência de local, inaugurando-se as novas instalações também num centro comercial (parece sina), mas desta vez mastodôntico, o CascaiShopping de Alcabideche, em Novembro de 1991. Aí sim, nessa loja 66-A da chamada Praça dos Restaurantes, as seis dezenas de amesendados passaram a usufruir da requerida amplitude e da consequente comodidade aconchegadas pela cálida decoração andaluza. Mais 12 anos e nova viagem, agora ao pé da porta, com mudança para a loja 1089 (isto das lojas é mesmo assim, não tem nada a ver com a curibeca), em 2003. Tamanho idêntico, sem o palco ("tablao") nem a parafernália taurina anteriores, os mesmos belos azulejos sevilhanos, cozinha maior e mais funcional, uma sala para fumadores a começar a ser construída, sanitários exclusivos, acesso quase directo.

Não esquecer que há o balcão ("barra") com seu serviço de "tapas", "raciones" e charcutaria, para folestrias merendeiras e não só, auferíveis também à mesa. A lista propriamente dita regista 17 Entradas, 11 Pratos (3 dos quais de Peixe), 9 numa alínea chamada Cozinha de Temporada (2 marítimos) e 4 ou 5 Pratos do Dia em transmissão oral. Só para dar parca ideia do que se pode encontrar, além do que se comeu e se pormenorizará a seguir, citem-se, das primeiras, "presunto ibérico de bolota", "champignons com gambas à Tio Pepe", "polvo à feira" e "pimentos de Padrón fritos". Dos pratos, "paelha valenciana mista", "paelha marinheira", "empada de perdiz", "empada galega de galinha", "pataniscas de gambas" e "magret de pato com pera caramelizada e puré de nabos" (citado pelos tentadores e originais acompanhamentos). Dos do dia, o basco "bacalhau al pill-pill", idem a "pescada à basca", "arroz de lavagante". Não só esta última e sim todas as alíneas são susceptíveis de variações.

Breves notas de prova. Bons os "pimentos de piquillo recheados com bacalhau" (€9), com o picantezinho específico e o amarelo molho açafroado. Iguais a si próprias, quer dizer, gostosas, no que não deixa de ser um infanticídio, as "puntillitas fritas" (€8). Sobre fatias pequenas de pão torradas no forno, a "perdiz de escabeche" (€9) brilhou, sobretudo pela excelência do molho.

Houve um mal-entendido com os "rolinhos de peixe-galo com camarão e molho de ostras" (€18,50), que acabaram por vir em pequenos filetes e sem camarão, única reclamação a fazer. Na companhia bem conseguida de rodelas de batata-doce assada e de puré de abóbora, o "rabo de touro à cordovesa" (€15,50) deixou-se agarrar em sapidez e brandura. O "capricho andaluz" (€16,50), carne de porco preto cozida com enchidos, grelos e puré de castanha, foi mais uma versão quanto a mim inferior (o pernil presta-se muito mais que esta carne das costeletas lombares) do galego "lacón con grelos". Tenro, bem executado e acompanhado o "tornedó de língua de vaca estufada com batatas duchesse" (€16,50), também com ervilhas-de-quebrar. Feijocas brancas, carnes porcinas essencialmente fumadas e um toque a cominhos a comporem a apurada "fabada asturiana" (€14). Belas cebolinhas armadas como um cacho de uvas a coroarem o singular e vitorioso "folhado de pombo bravo com legumes salteados e puré de castanha" (€18). Gloriosa como habitualmente a "paletilha de cordeiro assada no forno com perfume de alecrim" (€19,50).

Confesso o esquecimento de perguntar pelos queijos. Pelo menos uma dezena de doces enriquecem o carro, com plena aprovação dos provados. Robusta e de selecção criteriosa, como sempre foi timbre da casa, a carta de vinhos, com indicação de datas, castas, regiões e países, subdividida por tipologias, regista, a preços não especulativos, 220 tintos, 53 brancos, 15 espumantes e "cavas" e 9 champanhes. Serviço atento e atencioso.

Surpresa seria o contrário. Tal como decorreram estas duas refeições depois dum intervalo profissional de oito anos, a vontade é regressar sempre. Sem esquecer a cozinheira Paula Nogueira e demais colaboradores. Ilídio Duarte de Almeida continua de parabéns por, com o mesmo entusiasmo da primeira hora, manter o seu Mesón Andaluz no nível de qualidade e daqueles muito raros onde se sabe que se é sempre feliz.

Mesón Andaluz

CascaiShopping, loja 1089
Alcabideche - Cascais
Tel: 214 600 659
(aberto todos os dias)

Texto publicado na edição da Única de 23 de Janeiro de 2010

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