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'Reprise'

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Segunda feira, 16 de novembro de 2009

Os portugueses estão em pulgas para ouvir o que andou Vara a dizer a Sócrates. Havendo qualquer coisa que levou a que fosse extraída uma certidão relativa às suas conversas, compreende-se a curiosidade. Mas seria bom acalmar as hostes. Independentemente das interpretações jurídicas, há excelentes razões para as escutas a conversas do primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República e Presidente República merecerem cautelas especiais. O país não pode ser governado sem o mínimo de reserva. Desde que esteja garantido que não há impunidade quando haja indícios criminais esta protecção não defende apenas os titulares dos cargos mas todo o Estado.

Já vi este filme. Sempre que alguém com poder começa a ser investigado logo a informação se espalha como uma epidemia, os alvos da investigação começam a ficar indefinidos, os atalhos substituem as regras. As pequenas corporações da Justiça aproveitam para lançar lama umas sobre as outras. E sabemos como isto acaba: sem culpados nem inocentes, num manto de suspeitas sem sentenças.

Dos investigadores espera-se que se concentrem em Armando Vara, José Penedos, Manuel Godinho e todos os restantes suspeitos. Se de alguma forma José Sócrates estiver relacionado com algum negócio menos claro, que seja investigado seguindo todos os passos necessários.

Claro que são desejos utópicos. Porque há de uma espécie de Pacto de Regime em que a Justiça e o jornalismo se usam mutuamente para não fazerem o seu trabalho. A comunicação social limita-se a divulgar as investigações da Justiça. A Justiça limita-se a condenar os investigados nos media. Fica-se com a sensação de que está a acontecer alguma coisa mas nada realmente se faz. E no meio da confusão geral os corruptos lá se vão safando.

Igual e diferente

Alguns sectores do PSD têm a resposta para o incómodo que parece causar o casamento entre pessoas do mesmo sexo: dar-lhe outro nome. Parece uma posição moderada mas não é. Fazendo um paralelo legítimo, era como se achássemos justa a igualdade entre homens e mulheres desde que o estatuto jurídico dos dois, enquanto cidadãos, não fosse exactamente o mesmo.

O argumento em voga de que não se pode tratar o que é diferente de forma igual parte de dois pressupostos: que a união entre duas pessoas do mesmo sexo é de natureza diferente à união entre pessoas de sexos diferentes; e que as relações entre pessoas de sexo diferente são todas iguais. Acontece que a lei não distingue os casais que querem e não querem ter filhos. Não distingue famílias tradicionais das outras. Não distingue quem vê o casamento como um sacramento para a vida ou como um contrato temporário que regula questões patrimoniais. A verdade é que o mesmo casamento já regula de forma igual realidades muito diferentes.

O que as correntes mais conservadoras da nossa sociedade querem não é apenas colocar os gays num gueto jurídico. É explicar a todos os que já hoje se podem casar que existe um modelo de família privilegiado pelo Estado. No caso, o deles. Pelo contrário, quando for aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo estará a passar-se uma mensagem importante: que o Estado não tem autoridade para escolher o modelo de família que mais convém aos seus cidadãos. Apenas dá às pessoas um instrumento legal para regularem as suas relações: o casamento. Que elas usam ou não, conforme queiram.

Daniel Oliveira

Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009

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Por que não promovem o matrimónio?
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 10:48 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
O casamento é de facto um instrumento jurídico que o estado faculta às pessoas que desejam instituir direitos e deveres conjugais na sua relação a dois. É um erro querer confundir o casamento civil com o casamento religioso heterossexual onde existem outros propósitos para além do casamento. Casamento tem a ver com (co) habitação mas matrimónio, isso sim, pode ter a ver com procriação se é esse o problema dos heterossexuais religiosos. Proponho a este grupo de pessoas e às instituições religiosas que se apropriem em exclusivo da palavra matrimónio e que deixem de usar a palavra casamento se não querem confusões.
 
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Queres matrimoniar comigo?
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 11:28 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
No sequência do meu anterior raciocínio, é lógico que o acto de contrair matrimónio seja matrimoniar enquanto que o do contrair casamento seja casar.
O matrimónio é constituido por um casal mas o casamento é constituido por um par.
Os matrimoniados são esposos e esposas (em Espanha esposas também são algemas) e os casados são marido e mulher, marido e marido ou mulher e mulher. Atenção que se um gay casar com um lésbica também são marido e mulher. Alguém se opõe?
 
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    um beijo noutro homem    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:30 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
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AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:34 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
um beijo noutro homem
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
O palavra ´casamento` tem já um lugar no léxico da língua portuguesa! Existe alguma falta de imaginação e ambiguidade forçada na pretensão de alguns homossexuais.
O que está em voga é o assunto em si. Se o articulista desse, por exemplo, uma volta pelas instituições que tratam os doentes mentais em Portugal acharia este assunto, que considera prioritário, tão frívolo e corriqueiro como um homem dar um beijo noutro homem…
 
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'Reprise'
naif (seguir utilizador), 1 ponto , 13:11 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
Certo Daniel Oliveira, os Portugueses estão em pulgas para saber as conversas de Armando Vara e José Sócrates.
Mas será que já se esqueceram das outras "conversas" dos casos de "corrupção" anteriores?
Uns casos anulam os outros?
O que todos nós deveriamos esperar é que se fizesse justiça em todos os casos passados ou presentes.
Mas como sou crédulo, estou certo que todos os casos irão ser julgados.
Quanto aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, não entendo qual é o problema do PSD, é somente o nome?
ou será se se chamar matrimonio é casamento pela igreja?
Mas para mim que não tenho problemas dessa espécie, sou casado com outra pessoa de outro sexo, creio que os direitos e os deveres dos gays serão iguais.
 
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cautelas especiais
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 14:19 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
“E no meio da confusão geral os corruptos lá se vão safando” enquanto houver quem pense que existem “excelentes razões” para que certas entidades políticas mereçam um tratamento perante a lei revestido de “cautelas especiais”. Isto porque “o país não pode ser governado sem o mínimo de reserva”. A reserva social que decorre da lei e não do prestígio, respeito ou competência… Sabemos o que isto significa.
A nossa opinião sobre um articulista que apoia uma lei que se aplica a três pessoas em todo o país não pode ser senão ser muito reservada. Três pessoas cuja conduta não deveria dar trabalho nenhum à investigação policial… (Os assuntos sobre os quais recai o “segredo de Estado” não se tratam ao telemóvel. Ou tratam? Existe legislação específica quanto à segurança do Estado. Ou não?)
 
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Onde foi o Daniel buscar esta informação?
José Couto Nogueira (seguir utilizador), 1 ponto , 19:31 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
"A Justiça limita-se a condenar os investigados nos media" diz Daniel. Quando? Onde? Quem? Não me lembro de ninguém que tenha sido condenado, a não ser o Valle e Azevedo, mas ele foi um vulgar ladrão (apenas numa escala maior) e os vulgares ladrões realmente são condenados. Quanto aos chamados "crimes de colarinho branco", nem pensar.
Quanto a casamento, não vale tanta tinta. Como alguém já comentou aqui, de facto o casamento já é coisas diferentes para pessoas diferentes. O casamento é apenas um registo civil de uma situação e portanto não deve ser limitado pelas crenças ou preferências de cada um. É bom que a Assembleia aprove rapidamente a lei, para que avancemos para questões mais abrangentes.
 
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