09/02/2010 actualizado às 17:18
Henrique Raposo Rendimento social de exclusão  «  Henrique Raposo  «  Opinião  « Página Inicial |

Rendimento social de exclusão

Henrique Raposo
8:00 Terça-feira, 19 de Mai de 2009
Deixe aqui o seu comentário 23 comentários   [1425 visitas]
Aumentar Texto Diminuir Texto Link para esta página Imprimir Enviar por email
del.icio.us technorati digg facebook myspace reddit google search.live newsvine

No ano passado, a violência rebentou na Quinta da Fonte. Agora, a Bela Vista é o novo cenário da dita violência. Quando estalam estes focos de caos suburbano, o país inteiro tem a mania de pedir explicações ao ministro da Administração Interna. Onde estão os polícias? Onde está a firmeza policial? Estas preocupações são importantes, mas estão situadas a jusante. A montante, o país esquece-se sempre de pedir explicações a outro ministro, o ministro da Segurança Social. Aquilo que está em causa na Bela Vista é a eficácia das políticas sociais, sobretudo do Rendimento Social de Inserção (RSI).

Nas Belas Vistas e nas Quintas das Fontes, a solução não passa por mais polícia, mas sim por menos subsídios. As pessoas acomodam-se ao RSI.

Este tipo de subsídio acaba por criar um ambiente de impunidade e de ausência de responsabilidade, que funciona como a antecâmara perfeita para o vandalismo juvenil. Nestes bairros, os filhos comportam-se como vândalos, porque os pais são tratados como crianças pelo Estado. Se calhar, já vai sendo tempo de tratar estas pessoas como adultos. Estas pessoas têm de ser tratadas como cidadãos, e não como cidadãos-crianças. Enquanto tiverem uma mesada assegurada (RSI), estas pessoas precisarão sempre de uma babysitter permanente (polícia em cada rua). Por outras palavras, é preciso acabar com a lógica do 'coitadinho'.

O percurso dos 'coitadinhos' que vandalizam as Belas Vistas e as Quintas das Fontes é sempre o mesmo. Na escola, o 'coitadinho' bate na professora, mas como é 'coitadinho' nada lhe acontece. Na rua, o 'coitadinho' rouba uma criança 'não-coitadinha', mas como é um 'coitadinho-menor' fica impune. Quando chega a casa, o 'coitadinho-filho' repara que o 'coitadinho-pai' não paga a renda, a luz e a água. Ainda por cima, o 'coitadinho-filho' vê que este comportamento compensa, dado que o 'coitadinho-pai' continua a receber o cheque mensal do RSI. Ora, se as diversas faces do Estado (escola, polícia, município, segurança social, etc.), tratam estas pessoas como crianças durante o dia, então elas vão agir como crianças durante a noite: daí a destruição dos carros dos vizinhos, daí a queima de caixotes do lixo, daí os ataques a bombeiros e polícias - os desportos noctívagos dos cidadãos-crianças.

A causa deste vandalismo não é a pobreza per se. O 'pobre' não é um vândalo em potência. A causa desta barbárie suburbana é a falta de uma cultura de responsabilidade. A identidade destes jovens suportados pelo RSI constrói-se em redor do desprezo pelo trabalho. Aquele que trabalha das 9 às 5 só pode ser um 'otário', aos olhos destes gazeteiros. Aliás, "trabalho é p'ra totós" é o slogan que sustenta a identidade dos gangues suburbanos. E o pior é que esta cultura é financiada pelo Estado. A montante desta violência mediática encontramos um silencioso processo de infantilização, que é normalmente mascarado pela expressão 'Rendimento Social de Inserção'. Sucede que esta coisa tem muito pouco de inserção. O RSI é, na verdade, um Rendimento Social de Exclusão.

Existe uma relação entre o RSI e a exclusão social. Os 'piores' vêm sempre de famílias encostadas ao subsídio. Lamento, mas é assim. Não me odeiem por eu dizer isto. Odeiem a realidade, porque eu estou apenas a apontar para um facto. Não acreditam? Então experimentem fazer antropologia suburbana durante quinze dias.

Henrique Raposo

23 comentários
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
100%
cjours (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 12:48 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
Estou 100% de acordo com o autor! Ipsis verbis! Esta politica de infantilizar populações inteiras virá de onde? Os ciganos, causa maior de delinquência e de subsidio-dependência neste país, ainda se dão ao luxo de se regerem pelas suas leis, mesmo quando elas atentam contra os Direitos do Homem e a Consituição da República!
Tiram as filhas da escola quando atingem a puberdade!
Só os têm na escola para receber o subsidio mas estão-se bem a borrar se eles aprendem!
Prometem e decidem os casamentos dos filhos sem que estes tenham voto na matéria!
Obrigam miúdas a casar aos 13-14 anos!
Isto é constitucional?
Fazemos programas escolares especiais para os senhores!
E pagamos-lhes por isto!... Eu, parte do dinheiro que ganho a trabalhar, vai para alimentar esta gente...Que durante gerações NÃO CONTRIBUI para o Estado e apenas se alimenta dele! Geração atrás de geração!
Arranjamos casa para os meninos, damos dinheiro, damos-lhes acesso à saúde, ao ensino... E eles contribuem de que maneira para a sociedade???
A culpa disto é deles? NÃO!
À frente do assunto só pode estar gente do mais estúpido que possa haver! O tipico funcionário-público que acha que o dinheiro do Estado cai do céu!

 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
    ciganos    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 16:45 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
    Re: ciganos    Ver comentário
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 18:00 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
    Que se faz tarde...    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 18:12 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
    Re: Que se faz tarde...    Ver comentário
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 18:23 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
    muitos    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 20:01 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
insensível
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 9:38 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009

O artigo não merece grande consideração.

Trata-se de um arrazoado generalizador, estéril, burguês e insensível contra aquilo que é denominado como rendimento social de inserção.

 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
    Re: insensível    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 9:56 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
    escarnecer    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:54 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
    Re: escarnecer    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 9:37 | Quarta-feira, 20 de Mai de 2009
    mais desafortunados    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 9:49 | Quarta-feira, 20 de Mai de 2009
    Re: mais desafortunados    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 12:52 | Quarta-feira, 20 de Mai de 2009
    «mandrião profissional»    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 16:14 | Quarta-feira, 20 de Mai de 2009
    Portugal, 1975    Ver comentário
david77 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:24 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
    qualificações    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:51 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
rendimento social de inserção
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 9:50 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
E fundamental em qualquer sociedade contemporanea que se queira equitativa, nao no sentido de ogualdade mas de solidariedade construtiva.
Dito isto, E preciso acrescentar que os modelos de auferimento desse rendimento devem e podem ser diferentes. Em troca de servicos comunitarios, em parceria com instituicoes de ensino profissional(mecanicos, electricistas, cantoneiros, etc). So quando se englobar este rendimento num sistema global afetado directamente em beneficio do crescimento social se pode ter garantias de sucesso futuro.
 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
Rendimento Social de Inserção...
vasil (seguir utilizador), 1 ponto , 11:54 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
Penso como L M O, é tempo de transformar este RSI (ex-RMG) em TSI = Trabalho Social de Inserção!

Através do IEFP, os desempregados seriam canalizados para as Juntas de Freguesia (em conjunto com as Câmaras Municipais) que teriam a tarefa de os canalizar para diversos serviços comunitários, com obrigação cumprimento de trabalho adequado (fiscalizado), de horários e presenças efectivas (controlo de faltas e escapadelas) - Trabalho digno de facto. Ainda que isto tivesse um pouco mais de custos para o Estado!
Mas como a maioria destas pessoas não estaria disponivel para um horário completo de trabalho (por causas diversas = estudo, incapacidade, velar pelos filhos, avós, etc.), o auferido ficaria abaixo do salário mínino = tal como o RSI...

Na verdade o artigo de HR é mais um dos seus delírios habituais, como a maioria dos políticos e analistas da sociedade e da política, 'fala de cor', dá aso à sua imaginação fertil em deveneios ideais (de uma ideologia específica), onde os pobres são sempre os maus, os incapazes, etc.. Como no caso das 'rendas'... Na verdade para este tipo de pessoas 'tudo deve ser um negócio', e quem tem olho deve explorar os outros! Porque a trabalhar ninguém enriquece!
 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
    R S I    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 16:08 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
Iguaizinhos
mosco (seguir utilizador), 1 ponto , 16:28 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
Acho piada. Esta de cortar o "subsídio" é pura direita Liberal assim como a crença fantástica em que há por aí emprego aos molhos, e só há desempregados porque são pagos para o serem. Também acho piada na extraordinária semelhança de argumentação do Henrique Raposo e do Francisco Louçã: Cortem no "subsídio" aos pobres, diz Henrique, e tudo se resolve. Cortem na riqueza dos ricos, grita Louçã, e tudo se arranja. Acho piada nestas diferenças tão iguais
 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
Henrique o provocador parte 2
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 23:42 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
Como da última vez, que estabeleceu uma relação directa entre flexibilidade laboral e flexibilidade no arrendamento (sem apresentar uma base quantitativa que suportasse tal facto), vem agora relacionar a exclusão com o RSI. Se todos os "piores" estão relacionados com o RSI (não apresentou dados factuais nem quantitativos), pergunto se não seria possível analisar de um outro ponto de vista, ou seja, quantos "melhores" devem o que são à existência do RSI?

Aponta um suposto facto, mas posterga as explicações do mesmo para os interessados, aconselhando-os numa "antropologia suburbana" de quinze dias. Acho que muitos dos leitores fazem "antropologia suburbana" todos os dias, eu particularmente, fiz uma longa pós-graduação no estrangeiro em "suburbanismo". LOL. Casos como estes da Bela Vista são brincadeiras de criança comparado com o que já presenciei.

Neste caso do RSI, como em muitos outros, eu preferiria ver dados concretos que demonstrassem a viabilidade/inviabilidade do RSI. Caso contrário, as opiniões não passam disso mesmo, opiniões sem qualquer fundamento para argumentação. Não difere do habitual palavreado que todos nós trocamos com os amigos no café da esquina.
 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
    Exemplo do que se pode ter como base...    Ver comentário
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 23:56 | Terça-feira, 19 de Mai de 2009
Se têm assim tantas soluções
Annia (seguir utilizador), 1 ponto , 19:25 | Quarta-feira, 20 de Mai de 2009
porque razão não estão na politica?
 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
Nem sempre um coitadinho pode receber subsidios
elogiodaderrota (seguir utilizador), 1 ponto , 9:27 | Segunda-feira, 25 de Mai de 2009
O problema da criminalidade suburbana tem ocupado as administrações dos Estados liberais durante os últimos 50 anos. A tradição cinematográfica americana – mas esta gente não passou a adolescência na cinemateca –, desde West Side Story até Há lodo no cais, desde há muito elabora sobre a questão: as cinturas urbanas das grandes cidades, onde se verificam quebras nas redes identitárias (passando por dificuldades tão singelas como as diversidades linguísticas), quebras na reprodução dos empregos, quebras na articulação entre espaços públicos e educação (quantas igrejas, quantos clubes desportivos, quantas escolas de música), produzem jovens – automaticamente excluidos das competências sociais básicas – que, revelando dificuldades de adaptação (insucesso escolar, abandono efectivo da família), optam pelo custo de oportunidade oferecido pelo crime. E aqui tocamos num ponto sensível: um dos mais sofisticados teóricos do liberalismo económico e da racionalidade neoclássica, Gary Becker, identificou alguns problemas básicos, Crime and Punishment, an economic approach (1968): de acordo com uma teoria liberal esclarecida e imune às contaminações inerentes à redacção do Jornal Expresso, bem como aos editoriais inebriantes de José Manuel Fernandes, os indivíduos ponderam os custos e benefícios esperados das suas acções..mais aqui http://ermidas.blogspot.c...
 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
23 comentários
Página 1 de 1   
PUB
 
Arquivo


Aviso
FAQ. Como funciona a comunidade no Expresso
Para fazer o seu comentário precisa de estar registado. O registo é gratuito e demora pouco mais de 30 segundos.

Se já for utilizador registado, coloque o seu mail e palavra-chave nos campos para o efeito, na página de registo. Depois disso, poderá comentar qualquer conteúdo.

Clique aqui  para se registar.

Em caso de dúvida escreva-nos para novosite@expresso.pt, seremos tão breves quanto possível a responder.

Miguel Martins, Editor de Multimédia do Expresso

Não somos índios

0:00 Sexta-feira, 5 de Fev de 2010,
[488 visitas]

Um pacto laboral

0:00 Sexta-feira, 29 de Jan de 2010,
[512 visitas]

A direita sexual

0:00 Sexta-feira, 22 de Jan de 2010,
[1100 visitas]

Serenata à chuva

0:00 Sexta-feira, 15 de Jan de 2010,
[1183 visitas]

No país do ódio

0:00 Sexta-feira, 8 de Jan de 2010,
[1280 visitas]
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
Primus Inter Pares
Grupo ImpresaACAP