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Renasceu o eixo franco-alemão

Merkel e Sarkozy reuniram a meio da semana os seus conselhos de ministros e avançaram para 80 projectos comuns no âmbito de uma Agenda 2020, que pretende reposicionar estrategicamente os dois países fundadores da União Europeia no comando das operações e responder a uma subalternização da Europa na cena mundial

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
18:55 Sábado, 6 de fevereiro de 2010

A meio da semana passada, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy resolveram apertar as mãos em torno de uma "Agenda 2020" que inclui mais de 80 projectos entre os dois países vizinhos.

Na área económica, foi logo dado destaque, entre eles, a cinco de política industrial comum: um office franco-alemão para as energias renováveis, um projecto-piloto de veículo eléctrico de colaboração entre Estrasburgo e Estugarda, o lançamento de um satélite franco-alemão de detecção de emissões de gás com efeito de estufa, o trabalho conjunto na área de um futuro foguetão espacial europeu e a coordenação na indústria de defesa.

Mas, para além desta convicção de que a Europa deve ter "uma base industrial sólida" (como se refere no comunicado oficial do encontro), e não só viver de rendas financeiras, de serviços (por mais importantes que sejam, como os financeiros, os logísticos, ou o turismo) e de software, a França e a Alemanha dão as mãos, de novo, para consolidar uma nova entente geopolítica, de cooperação estratégica com impacto global.

Primeiro, dentro de portas, recolocando o eixo franco-alemão na direcção estratégica da Zona Euro e da União Europeia face à confusão que reina no seu topo institucional fragmentado. Basta recordar o que aconteceu na semana finda: a Comissão Europeia dá um sinal de "sim, mas" à Grécia em apuros e, logo a seguir, um comissário, Joaquín Almunia, vem, por sua alta recriação, estragar o repasto e provocar um crash na Europa (e particularmente nas bolsas de Madrid, Lisboa e Atenas numa verdadeira quinta-feira negra) e o aumento do nervosismo nos mercados de seguros da dívida soberana (hoje conhecidos pelo popular acrónimo inglês CDS - para credit default swaps).

Plano de consolidação orçamental e de regulação

Esta 12ª reunião conjunta de conselhos de ministros, desta vez no Eliseu, em Paris, decidiu que o eixo apresentará propostas comuns na área económica e financeira já na próxima cimeira informal da União Europeia a 11 de Fevereiro - na próxima quinta-feira - em Bruxelas.

Os dois países pretendem que a consolidação orçamental nos países membros se faça até 2013 em torno da meta de um défice inferior a 3% do PIB no quadro do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e de um estado de equilíbrio orçamental até 2015. Com a resposta à Grande Recessão, a França atingiu, no ano passado, os 8,3% e a Alemanha subiu para os 3,4% (um pouco acima do tal limite, o que para os alemães é uma desonra). A Alemanha gastou 5,1% do seu PIB a salvar o sistema financeiro e 2,5% do PIB em programas de estímulos; no caso da França aplicou menos: 1,4% do PIB a deitar água no risco sistémico e 1,2% em estímulos, segundo a Grail Research, uma firma de investigação estratégica, sedeada em Cambridge, Boston.

Apesar da força política do PEC, um grupo de notáveis na Alemanha, membros do Painel de Conselheiros Económicos do governo federal, já propôs um Pacto europeu de consolidação orçamental em que a saída das políticas anticrise seja cautelosa e rigorosa, e assumida em conjunto por todos os estados-membros.

O eixo franco-alemão trabalhará coordenadamente nas questões quentes do problema sistémico e de algumas das lições da actual Grande Recessão: regulação do mercado de derivados e dos fundos especulativos; sobre as instituições financeiras sistémicas, as jurisdições não cooperativas (eufemismo para offshore), as normas em matéria de exigências de fundos próprios e de liquidez do sistema financeiro e as agências de compensação e de notação (as famosas agências de rating). Preparará, também, em conjunto as negociações do próximo quadro financeiro plurianual europeu.

O já referido painel alemão de conselheiros avançou com uma ideia que agrada, também, a Sarkozy: a criação de um organismo de observação sobre os mercados de divisas, considerados pelos alemães "num estado de anarquia", assegurando um sistema tripolar, entre o euro, o dólar e o renmimbi (a moeda chinesa), curiosamente omitindo a libra.


Resposta a uma humilhação

Depois, o casalinho em lua-de-mel franco-alemão olha para fora do continente: "Num mundo em que se impõem novos actores globais, estamos convencidos que um eixo franco-alemão o mais estreito possível é indispensável para os nossos dois países e para a Europa", diz o comunicado oficial.

Todos estão lembrados da humilhação recente da Europa na Conferência de Copenhaga sobre alterações climáticas, em que uma mesa adhoc de cinco (EUA, China, Brasil, Índia e África do Sul) deixou os europeus a falar sozinhos pelos corredores da cimeira. Os passos estratégicos a dar não vêm explícitos no comunicado oficial franco-alemão.

Entre as medidas explícitas, a França apoia a aspiração da Alemanha a ter um lugar de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU e os dois países apresentarão, logo que possível, uma candidatura à presidência conjunta da Organização de Segurança e Cooperação Europeia.


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A Mensagem
Miranda07 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 21:31 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Pessoalmente, não tenho nada contra uma renovação do eixo Franco-Alemão. Mas com uma condição: que ela não ponha em questão a o vínculo mais fundamental que é aquele que une ou deve unir todos os Estados Membros da UE. Mas de facto, temo uma coisa: este encontro entre Merkel e Sarkozy quer dizer simplesmente que alemães e franceses estão a perder a paciência com os "outros" parceiros e vão começar a ditar o que é preciso e como se deve fazer. Não vai ser agradável. Até porque quando alemães e franceses dizem o que se tem de fazer, quem não fizer como eles dizem vão conhecer rapidamente o preço que têm de pagar. Tanto quanto me apercebo, Paris e Berlin não andam a brincar. Pelo menos, eu vejo nesta notícia um claro aviso aos PIGS (entre os quais Portugal): quem não obedece e não cumpre fica, simplesmente, para trás. Em suma, a notícia pode ser boa; mas também pode ser má. Sobretudo para países difíceis de governar como o nosso. Mas dentro em pouco se verá.
 
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    Bravo Miranda..    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 22:06 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
    Re: Bravo Miranda..    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 22:28 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
O eixo franco-alemão
Cool Carlos (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 20:13 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Excelente notícia esta renovando a esperança de que a União Europeia vai voltar a ter uma liderança que, pela ordem natural das coisas, só poderia vir destes dois Estados fundadores e fundamentais para a organização.
Após uma crise de crescimento óbvia - alargamento muito rápido de 15 para 25 para 27 países alguns dos quais com problemas muito específicos - agravada pela implosão financeira iniciada nos EUA e que se propagou à Europa arrastando-a para a severa recessão económica da qual convalesce agora, a União Europeia precisa de um forte impulso vindo do seu interior .
Alemanha e França conjuntamente são, mesmo para um qualquer observador desatento, os dois únicos países com peso e empenhamento suficientes para reafirmar o projecto europeu interna e externamente.
Registo com agrado o compromisso reiterado para com o sector industrial.
Trata-se não apenas de uma aposta estratégica como tambem a única forma de na Europa se continuar a gerar riqueza através da produção de bens materiais transaccionáveis de capital e de consumo.

Seria bom que todos os restantes 25 Estados membros - grandes, médios e pequenos - registassem esta vontade franco-alemã e dessem o seu contributo individual para reforçar a UE.
 
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    Re: O eixo franco-alemão    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 20:56 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
    É errado pensar-se assim...    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 21:52 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
    Re: É errado pensar-se assim...    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 22:18 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
    Re: O eixo franco-alemão    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:48 | Domingo, 7 de fevereiro de 2010
E onde para a nossa Politica externa?
Tito D'alva (seguir utilizador), 1 ponto , 20:19 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Não seria a altura ideal de o Governo Portugues, oferecer ao eixo franco-alemão, os nossos serviços e estruturas Industriais, assim como uma mão de obra, mais em conta?, fora, claro esta, a grande faixa de costa maritima Portuguesa, que sempre pode ser olhada como ua mais valia para atrair serviços de import e export, de e para o resto do mundo...
Mas nos, Portugueses, nunca pedimos "batatinhas" a ninguem, ate porque não precisamos, pois não??
 
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    Re: E onde para a nossa Politica externa?    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 20:57 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Não sei se ainda irão a tempo ... Espero que sim
afonso aguiar (seguir utilizador), 1 ponto , 21:59 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Depois da centalização estratégica,embrionária e estimulante na criação da União Europeia e,só possível, devido à união de esforços do chamado eixo franco-alemão,é natural que perante a conjuntura europeia actual da zona euro em franca dispersão político-económica,cultural e social,apesar de em dimensão ter crescido imenso,englobando presentemente 27 países e,logo,demograficamente ter crescido muito significativamente, tendo se transformado num mercado com grandes potencialidades dotado uma moeda única que,por inépcia política-económica,tem sido pouco aproveitado por causa da disperção inconsciente existente e da falta de vontade e de capacidade política na zona euro.
Por isso,perante uma imensidão de países e a muita e variada população de nível económico relativamente elevado que se encontra em grande dispersão individualista serôdia que a enfraquece ou a esfrangá-lha, esmorecendo-a no contexto internacional e interno,é natural que haja obrigatoriamente um retorno às origens,isto é, ao eixo franco- alemão com vista a uma centralização esclarecida e,logo,consistente e possivelmente viável para a recuperação, o relançamento e a reestruturação da zona euro.
Esperemos que assim seja e possamos ter uma administração e gestão política-económica esclarecida e de competência aceitável da zona euro de modo a repô-la, com a sua verdadeira dimensão económica e demográfica,no contexto internacional e capaz de aproveitar minimamente as sinergias internas.
 
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A ATUAL U.E.;APENAS TEM UMA ÁREA DE 2.500.000 KM2.
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 22:13 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Afinal a atual u.e.;é uma pequena parcela de espaço no mundo;se comparado ás grandes potências existentes;no mundo..Ou seja;USA,CHINA,BRASIL,RÚSSIA, E CANADÁ..e hoje a Austrália;também o seu pib é já considerado uma potência;e claro em dimensão geográfica;é também um dos maiores países do mundo.Então a U.E.,tem que continuar a ser dirigida por aqueles que sempre estiveram á frente em relação aos outros países membros da comunidade;da U.E.;e países como portugal grécia;e a irlanda;e outros que estão passando por problemas;têm que ser ajudados e também pedidas responsabilidades..Só assim será possível a U.E.;vencer todos os obstáculos;que sempre vão surgindo ao longo desta viagem,que se espera seja uma viagem de progresso e paz para todos;e não sejam só alguns a se beneficiarem das riquezas deste nosso planeta.. até quando..???cumpts..kantiflas.
 
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Eixo Franco Alemão
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 22:28 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
reposto porque A China agiganta-se e os EUA penetram em Africa, Asia e aprovaram o maior orçamento militar dos ultimos anos. A possibilidade de conflitos militares cresce - veja-se EUA - Taiwan; EUA - Irão (isto com o OBAMA nobel da Paz). A Crise concentrou poder. E a Alemanha e a França procuram funcionar como bloco externamente à UE e internamente na UE.
 
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Isto é pra rir ??!!
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 22:51 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Se a intenção foi essa..comigo não resultou..
..."...A possibilidade de conflitos militares cresce - veja-se EUA - Taiwan; EUA - Irão (isto com o OBAMA nobel da Paz)..."..
Com que "dados" baseia a sua previsão de conflito armado entre os Estados Unidos e Taiwan ?..
Certamente que desconhece os motivos que até hoje impediram a China de invadir Taiwan..
Já quanto ao seu previsivel conflito armado entre os Estados e Irão..dependerá muito de factores..muitos factores..que certamente desconhecerá fazendo fé no seu desconhecimento sobre a matéria patenteado na outra hipotese..
A sua referência a Obama-Nobel da Paz tem resposta no discurso proferido pelo próprio aquando do recebimento do prémio..(a atribuição é que poderá ser alvo de controvérsia..mas não pelos motivos que (você) tenta inferir)..
Nunca ouviu falar de defesa á distancia ?..e que a melhor defesa é o ataque ?..certamente que não ouviu..
 
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Reforçar a União europeia
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:44 | Domingo, 7 de fevereiro de 2010
A União Europeia tem que se apresentar como um todo, já que todos os grandes concorrentes económicos são um país único com um governo único, EEUU, China, Rússia, Índia, Japão ,Brasil.

A unidade e convergência de esforços de todos os países integrantes da UE, tornarão mais difíceis a ocorrência de situações humilhantes como a de Copenhaga, protagonizada por EU, China, Índia, Brasil e África do Sul e também a surpreendente decisão de Obama ignorar a Cimeira UE-EU, parecendo de facto que os seus dois mais importantes parceiros da actualidade são a China e a Índia.

Miguel Baía
 
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    Re: Reforçar a União europeia    Ver comentário
Jorge N Rodrigues (seguir utilizador), 1 ponto , 2:20 | Domingo, 7 de fevereiro de 2010
Viva a Merkel e o Sarkozy
Filipe_mar (seguir utilizador), 1 ponto , 22:46 | Domingo, 7 de fevereiro de 2010
Cara Clareza( 22:18) , é obvio que a Merkel e o Sarkozy estão primeiro que tudo a pensar nos seus próprios países, e qual é o problema? Não é para isso que eles foram eleitos e são pagos? A EU como pais nunca vai existir porque a Europa é um conjunto de tribos, é uma união demasiado heterógena. É apenas um estado transitório e os Portugueses para sobrevirem nunca se devem esquecer disso. Temos que jogar o jogo (play the game) enquanto der e não houver outra alternativa melhor. a Merkel e o Sarkozy já viram que a economia á moda anglo-saxónica não é sustentável. Essa treta de que uma economia moderna é uma economia que vive da finança, dos serviços e da especulação imobiliária como são as economias de Londres, Nova York e do Dubai é só para especuladores, dá para enriquecer um nr diminuto de “investidores”, mas não é para um país a sério, que queira ter uma balança comercial positiva e uma divida externa sob controlo, e eles querem modernizar a sua industria. A China e a Índia não vão esperar pela Europa. Eles estão a formar nas suas universidades milhões de cientistas e engenheiros e os jovens nestes países tem uma vontade incrível de aprender ciência e tecnologia, enquanto que no ocidente os jovens que se interessam por ciência são ridicularizados pelos media (MTV e nos filmes), são considerados uncool, geeks, boring, etc, todos querem ser modelos, jogadores de futebol, actores, como que isso gerasse alguma riqueza. Muita coisa vai mudar nestes 10 anos até 202
 
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