Fátima, 20 Jun (Lusa) - O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, sublinhou hoje, em Fátima, a necessidade de "defender as crianças do espírito do mundo" e de uma sociedade capaz de "corromper e violentá-las".
Considerando que a sociedade contemporânea se assemelha mais aos fariseus do que aos "anawin", os que confiavam em Deus, D. José Policarpo considerou ser mais do que nunca necessário "ouvir as crianças, tomá-las à sério".
"Isto interpela a sociedade a conceber a convivência com crianças, aquilo a que chamamos educação, a partir da criança e não do adulto", defendeu também o dignitário da Igreja Católica numa conferência no congresso "Francisco Marto: crescer para o dom", no âmbito das celebrações do centenário do nascimento deste vidente de Fátima.
Para o prelado, a criança é "um elemento decisivo da solidez e da autenticidade" da comunidade que a faz viver, a começar pela família, mas é também para os adultos "um modelo inspirador" do que desejariam ser "no melhor dos seus ideais".
Numa reflexão sobre a chamada "infância espiritual", uma corrente de espiritualidade que atravessa toda a história da Igreja, D. José Policarpo destaca a confiança e a entrega que caracteriza as crianças, que "não têm duvidas de fé", e a necessidade de "preservar a criança que há em cada adulto".
Considera, assim, "um erro retardar a vivência dos grandes mistérios" cristãos, relegando-os para um tempo em que "a incerteza e a dúvida começam já a perturbar o coração do adolescente".
MRO.
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