O relatório sobre a situação financeira da Madeira será apresentado hoje às 18h30 pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar.
O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou hoje que não espera surpresas na sexta-feira, data em que será apresentado o relatório de avaliação orçamental e financeira sobre a região.
"Estão lá os números, não vão - que eu saiba - adulterar os números que demos", declarou ontem Alberto João Jardim, após a cerimónia de inauguração de uma exploração agrícola na freguesia do Monte, no concelho do Funchal.
O chefe do Executivo madeirense disse ainda esperar que seja apresentado o mesmo valor da dívida que o Governo Regional avançou há uma semana.
"Sim, sim, se não for vai-se ver quem é que não tem razão", acrescentou Alberto João Jardim.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou esta semana que na sexta-feira será apresentado o relatório de avaliação orçamental e financeira sobre a Madeira mas não o programa de ajustamento, que terá de ser construído com o Governo que sair das eleições.
Passos admite que "falou demais"
Confrontado pelo líder do BE, Francisco Louçã, no debate quinzenal no Parlamento na quarta-feira com um compromisso assumido no anterior debate quinzenal sobre a Madeira, Passos Coelho admitiu: "Falei demais".
"O que eu pretendia dizer nessa altura era: sabe-se ou não se sabe qual a taxa de esforço que vai ter de se fazer na Madeira? Isso pressupõe o desenho de um programa mas não a apresentação do programa (...) O programa em concreto terá de ser construído com o Governo e não o é construído em campanha eleitoral", explicou o primeiro-ministro.
Questionado sobre as acusações da oposição de que é "desonesto" a apresentação do programa de reajustamento financeiro após as eleições regionais de 09 de outubro, nas quais é, de novo, candidato do PSD, Alberto João Jardim respondeu negativamente: "É o contrário".
Jardim nega desonestidade
"Primeiro não se pode conhecer uma coisa que não está pronta, segundo não se pode conhecer uma coisa que obriga a negociação entre as duas partes, terceiro quem deve fazer a negociação é um governo eleito e não um governo cessante", sustentou Alberto João Jardim, que reiterou: "[Os madeirenses] não vão pagar mais impostos que eu não aceito isso, já disse isso claramente".
As finanças regionais têm estado na ordem do dia depois de o Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal terem revelado, a 16 de setembro, omissões de dívidas de €1.113,3 milhões nas contas da Madeira que obrigam a uma revisão dos défices nacionais entre 2008 e 2010.
A 23 de setembro, o secretário Regional do Plano e Finanças da Madeira, Ventura Garcês, afirmou que a dívida da região era de €5,8 mil milhões a 30 de junho último.