** Bruno Manteigas, da Agência Lusa **
Londres, 30 Mai (Lusa) - Três vezes por semana, Paul Roberson sobe 334 degraus para dar corda ao Big Ben, mostrando que pouco mudou no funcionamento do famoso relógio de Londres que celebra domingo 150 anos.
Todas as segundas, quartas e sextas-feiras, o relojoeiro inglês tem de subir ao cimo da torre, que faz parte do Palácio de Westminster, o Parlamento britânico, para assegurar que os ponteiros do relógio continuam a rodar.
"Usamos uma grande chave como as que se usavam nos carros antigos e temos de rodar durante cerca de uma hora", relatou à agência Lusa.
Nos mecanismos que fazem tocar os sinos foram instalados motores eléctricos, embora o botão de arranque precise de ser activado manualmente.
Mas os ponteiros ainda funcionam à manivela e os três "mecânicos" do Big Ben têm de calcular os tempos certos em que devem fazê-lo.
À sexta-feira esperam pelos 12 badaladas do meio-dia para dar corda e assim não precisam de trabalhar ao fim-de-semana.
Mas na segunda-feira de manhã têm de regressar sem falta, senão o relógio pára, como quase aconteceu em Fereveiro deste ano, quando caiu um grande nevão em Londres que paralisou os transportes públicos.
Calculando que os seus dois colegas iriam ter problemas em ir trabalhar, Paul Roberson, de 50 anos, andou duas horas a pé e ao frio para chegar a tempo de dar corda ao Big Ben.
"Na noite seguinte", revelou, "o palácio [de Westminster] arranjou-nos acomodações dentro do palácio porque tinham medo que a neve se acumulasse nos ponteiros".
O grande relógio, construído numa torre das Casas do Parlamento desenhadas por Charles Barry para substituir as antigas destruídas por um incêndio em 1834, começou oficialmente a funcionar a 31 de Maio de 1859.
Mas as primeiras badaladas só foram ouvidas dois meses mais tarde, a 11 de Julho.
O nome Big Ben foi originalmente dado ao enorme sino, que pesa 13,7 toneladas, em homenagem ao responsável pelas obras na altura da instalação.
Sir Benjamin Hall era um homem grande e era também conhecido por "Big Ben".
Passados 150 anos, o relógio é o monumento favorito dos ingleses e um dos mais conhecidos no mundo.
As horas que marca continuam a regular muitos acontecimentos, e os três homens que tratam da sua manutenção têm de se assegurar que é pontual e está a funcionar.
Por exemplo, o som do Big Ben, captado em directo por microfones instalados no cimo da torre, é usado pela BBC para começar alguns dos seus noticiários.
No dia da Recordação, a 11 de Novembro, em honra das vítimas da I Guerra Mundial, é o sino que dá sinal aos canhões para dispararem salvas às 11:00 da manhã que marcam o início dos habituais dois minutos de silêncio.
E, na passagem de ano, os mecânicos têm de subir lá acima e confirmar que está certo porque milhões de pessoas esperam pelas suas badaladas para festejar.
Relojoeiro há mais de 30 anos, Paul Roberson gosta do seu trabalho, que conseguiu em 2005 depois de ver um anúncio num jornal especializado.
"Para a profissão é o ponto mais alto da carreira", congratula-se.
Para além do Big Ben, tem a função de cuidar dos cerca de dois mil relógios que existem no Parlamento britânico.
Mas o cargo também tem os seus inconvenientes, como a necessidade de ter de estar disponível 24 horas por dia, sete dias por semana.
Já tem acontecido ser chamado fora de horas porque o sino não tocou.
E nem sempre é um privilégio passar a meia-noite de ano novo no famoso Big Ben.
"Temos uma boa vista do fogo de artifício, mas", confessa, "a família não gosta".
BM.
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