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Reflexões assaz inteligentes sobre o facto de o presente ser o passado do futuro

Onde o nosso Comendador discorre sobre o presente, a partir dessa coisa risonha e fantástica que é o futuro, tendo em conta que, no nosso país, o futuro é muito mais previsível.

Comendador Marques de Correia (www.expresso.pt)
0:01 Sábado, 5 de dezembro de 2009

Enganam-se os que pensam que o futuro a Deus pertence e que é impossível prevê-lo! Nada mais falso! Olhai para este país à beira-mar plantado e dizei-me: Qual dos dois é mais compreensível: presente ou futuro? E eu respondo-vos: compreendo muito melhor o futuro do que estou a compreender o presente!

O presente é obscuro. Não se sabe, por exemplo, o que disse José Sócrates a Armando Vara ao telefone. No futuro saber-se-á, sem margem para dúvidas isso e o resto, porque já se sabem coisas muito menos importantes, como quem vai pagar as SCUT - os nossos netos, de certeza absoluta e sem qualquer dúvida.

No presente, há enormes discussões sobre quanto vai ser o défice, mas no futuro não só saberemos de quanto foi o défice, como de quem foi a culpa de andarmos a chamar orçamento redistributivo a um orçamento que é rectificativo. Enfim, numa palavra, ao passo que o presente é difuso, nevoento e com contornos mal definidos, o nosso futuro colectivo é risonho, desafogado e radioso.

Vejamos: os sacrifícios que agora fazemos são em nome desse futuro, por isso é que ele tem de ser bom. É verdade que aqueles que são mais velhos já fizeram na década de 70, na década de 80, na década de 90 e noutras décadas, imensos sacrifícios no então presente de modo a que o futuro - que é o que temos hoje - fosse muitíssimo melhor!

É certo que não é! Mas a culpa não pertence àqueles que nos pediram tais sacrifícios.

A culpa, meus caros amigos, é que o futuro está atrasado! Ficou preso nalgum esconso, num desvão, numa curva apertada do tempo... Mas há-de chegar!

E quando chegar esse futuro vai ser tão bom. O défice baixinho, o investimento na maior, o TGV a andar a 300 à hora, o aeroporto cheio de turistas e homens de negócios, as auto-estradas apinhadas de TIR que levam as nossas exportações para todo o mundo... e arredores! E tudo isto com os impostos mais baixos, o país sem corrupção, o Governo dialogante e o Presidente da República feliz e contente.

Sofro de ansiedade em relação a esse futuro em que apenas uma pequena mágoa subsistirá na cabeça de todos nós. Uma ínfima sensação de desconforto, que porém afastaremos como quem afasta uma insignificante mosca com a mão. Esse sentimento mínimo de desconforto será o nosso passado. E o nosso passado, visto desse futuro, é o nosso presente (não sei se acompanham esta reflexão assaz inteligente).

Nesse futuro de leite e mel, de ouro sobre azul, de jóias e veludo, de riqueza e felicidade, apenas a nuvem do passado (o que hoje vivemos) será infeliz. Os tempos em que os miseráveis estavam desempregados; o tempo em que alguns políticos não pareciam sérios; o tempo em que a economia não exportava, o TGV não andava e o avião não tinha aeroporto de jeito...

Mas contentemo-nos com este pensamento: tudo o que estamos a fazer é para que tenhamos um futuro decente. Tudo o que fizemos nos últimos 10, 20, 30, 40, 50 ou mesmo 60 anos tinha esse objectivo. Para mim, o presente não é claro, está cheio de dúvidas. Mas o futuro dissipá-las-á!

E digo mais, o futuro seria absolutamente fantástico não fosse ter por passado este presente miserável.

Aguentemos, ó povos!

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009

Palavras-chave  opinião, Futuro, presente, passado, Portugal
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(34) rosa engeitada ao vosso serviço
Rosa Engeitada (seguir utilizador), 1 ponto , 14:30 | Sábado, 5 de dezembro de 2009
estou tão nervosa de estar a desabafar no sítio do senhor marquês mas desta vez tomei coragem porque quando o li apeteceu-me esfregar o jornal nas fuças do meu patrão que está sempre a dizer mal do senhor sócrates e espere aí ah é o meu patrão a dizer que não leva til e que o senhor monteiro nunca coloca o til e eu quero lá saber o que esse gajo do monteiro faz eu tilo e pronto mas continuando eu acabo as novas oportunidades para o mês que vem e a seguir vou para a universidade e tem piada que já consegui ultrapassar o primo tobias que tem a minha idade e sempre andou na escola e é bem feito para ele que tivesse adquirido nauuau profissional como eu mas vamos ao que interessa que é o futuro e já sei que quem vai pagar as scut é o meu neto mas não tem problema porque quando me licenciar daqui a 2 anos vou ser nomeada para a administração de uma daquelas empresas que o senhor marquês sabe para garantir que o meu neto vai ser muito rico para poder pagar as tais scuts e se todos fizerem como eu não vai haver problemas
 
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Bravo!
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 0:34 | Domingo, 6 de dezembro de 2009
Quem será o geitoso que faz estas crónicas?

Por vezes são brilhantes - como o futuro.

Como esta.
 
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Que mal é que tem?
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 18:38 | Sexta feira, 11 de dezembro de 2009
São poucas as pessoas que notam a enorme importância da frase tão singela «que mal é que tem?»
São muitas as pessoas que não aguentam o absurdo de nascer para sofrer e morrer, e por isso inventaram a vida eterna e o paraíso sem sofrimento. É um placebo que parece inócuo, mas os efeitos que tem causado são conhecidos e de que maneira.
Se em vez de dizerem «a minha vida» dissessem « meu tempo de vida» por incrível que pareça muita coisa mudaria.
E se o mundo a que estamos habituados mudar que mal é que tem?
 
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