A moratória no Dubai e ameaça de colapso na economia grega reacendeu o medo de incumprimento de obrigações financeiras internacionais por economias sobreendividades. Não seria caso novo na história económica mundial. Seria novidade, contudo, no contexto da zona euro, que a cada dia se prova mais ser um escudo insuficiente. O colapso da economia grega, e sua eventual saída da zona euro (a fazer fé na "no bail out clause" de Maastricht), teria efeitos colaterais desastrosos para Portugal, pelo pânico oneroso das poderosas agências de rating, pela restrição daí decorrente sobre a nossa capacidade de acesso a crédito e impacto crescente nos juros do nosso largo financiamento externo.
Estes temas, aliás, já cansam. Os problemas do desemprego, do défice público e endividamento externo já são bem velhinhos em Portugal. Como o é o problema de base da nossa economia - a nossa formação e qualificação, em qualquer sector de actividade, em qualquer ocupação. Não se estranhe, pois, que nos caiba a miserável terminologia PIGS (Portugal, Itáliam Grécia, Espanha) no linguajar internacional. O nosso valor acrescentado é pequeno. A competitividade externa sofrível. O nosso défice pesadíssimo. O endividamento imenso. O risco financeiro que representamos, uma incógnita.
Acresce a PREC-iana provocatória e "birrenta" instabilidade política em Portugal, que torna um governo de maioria relativa em refém de todos e senhor de nenhum. Dos sucessivos equilíbriozinhos negociais, cozinhados ad hoc ao paladar da visão parcelar de cada partido, resulta um ainda maior agravamento das contas públicas.
Neste descalabro político e orçamental, ou tratamos de ser produtivos, poupados e pioneiros, ou lá iremos parar, outra vez, às medidas de austeridade bem nossas conhecidas, das intervenções do FMI. Ora, tão perto de uma emergência económica nacional, não se percebe como, em Portugal, demora ainda o congelamento da despesa, das progressões nas carreiras, cortes nos níveis salariais de escalão mais elevado. Iniciar estas medidas pelos cargos de eleitos políticos ou de nomeação seria um bom indicador de esforço para o conjunto da economia. Reduza o seu ordenado Sr. PM! Srs. Deputados!O meu também, claro. Sem estas medidas, dificilmente será entendida a subida de impostos que, a seu tempo, não haja dúvidas, mais afligirá as empresas e famílias em Portugal.
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Nota
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