As autoridades de segurança nuclear britânicas, francesas e finlandesas questionam a fiabilidade do reactor de terceira geração que está a ser construído em França e na Finlândia e que já foi proposto para Portugal. Num comunicado comum, pedem à Areva, multinacional responsável pelo EPR (sigla inglesa de reactor europeu pressurizado), que "melhore a concepção inicial" daquele equipamento.
Em causa está o sistema de segurança que gere o reactor em caso de acidente, explica o diário "Le Figaro", de Paris. O "Libération" recorda que já em Abril a Inspecção de Instalações Nucleares do Reino Unido (país onde a Areva e a EDF pretendem construir quatro reactores) exprimira dúvidas sobre este sistema, considerado "o cérebro do EPR".
As autoridades consideram que o sistema de funcionamento do reactor e o sistema de segurança (que substitui aquele em caso de acidente) estão demasiado interligados, quando deviam ser 100% independentes. "Se um sistema de segurança tem de servir em caso de perda do sistema de controlo, então esses dois sistemas não podem falhar ao mesmo tempo", lê-se no comunicado das autoridades francesa (ASN), britânica (HSE/ND) e finlandesa (STUK).
Atrasos e derrapagem financeira
A Areva considera, em declarações à AFP que estas inquietações "não colocam em causa" a segurança do EPR e promete trabalhar com todos os países envolvidos para melhorar o reactor. A Électricité de France (EDF, maioritariamente estatal), que deverá explorar o EPR quando ele estiver em funcionamento, prometeu esclarecer as dúvidas das autoridades de segurança até ao final do ano. Ambas as empresas garantem que a entrada em funções do EPR, prevista para 2012, não será afectada.
O projecto do EPR tornou-se um símbolo do regresso à energia nuclear em todo o mundo, inclusive no nosso país. Foi este tipo de equipamento que o empresário Patrick Monteiro de Barros propôs ao Governo trazer para Portugal. O reactor que a Areva está a construir em Olkiluoto, na Finlândia, deverá ser o primeiro da terceira geração.
Inicialmente previsto para o Verão passado, o reactor finlandês tem vindo a ser adiado, sendo a data de abertura, agora, Junho de 2012. As normas de segurança já tinham obrigado a EDF e a Areva a rever os orçamentos em alta. Entre 2005 e 2009, o custo total do projecto EPR passou de 3300 milhões para cinco mil milhões de euros.