18h12 - Manuela Maria: "Um homem com uma grande alegria de viver"
Morais e Castro "tinha um enorme amor à vida e, mesmo quando já estava muito doente, nunca se queixava", dissa à Lusa a actriz Manuela Maria.
Manuela Maria acompanhou a doença do actor, em particular no longo período de internamento na Casa do Artista, e recorda que "quando entrávamos no quarto dele, recebia-nos com um sorriso e abria os braços para um abraço".
"Quero recordá-lo como um grande amigo, um excelente actor, um bom colega, um homem com uma grande alegria de viver", disse Manuela Maria, emocionada, à agência Lusa.
"Nunca se queixava, mesmo na doença, ao longo da qual teve sempre ao lado a Linda Silva, com quem estava casado há mais de 30 anos", comentou a actriz.
Morais e Castro e Manuela Maria conheceram-se em 1959, no Teatro Monumental, numa peça protagonizada por Ribeirinho que tinha no elenco Catarina Avelar, Mariana Vilar, Rui Mendes e Maria José. Contracenaram depois muitas vezes, em palco e em televisão.
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18h01 - João Lourenço: O "grande amigo" dos tempos da esperança
O encenador e director do Teatro Aberto, João Lourenço, disse hoje à Lusa que com a morte de Morais e Castro perde um "grande amigo".
João Lourenço, que em 1974 com Morais e Castro, Irene Cruz e Rui Mendes fundou o Grupo 4, que viria a dar origem ao Teatro Aberto, foi muito escasso na sua declaração, mostrando-se contudo "muito consternado" com a morte do actor.
"Do Morais e Castro recordo-me sempre da esperança que com ele compartilhei nos anos 1960 e 1970 e que foi muito, muito importante para a minha vida", concluiu.
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17h31 - Morais e Castro é um dos "imprescindíveis", comenta PCP
O PCP prestou homenagem a José Morais e Castro, o actor, advogado e militante destacado que faleceu em Lisboa ao princípio da tarde.
Morais e Castro foi um "homem que lutou toda a vida e, por isso, como afirmou Bertolt Brecht, foi, é e será um dos 'imprescindíveis'", lê-se numa nota do Gabinete de Imprensa do PCP.
"A sua determinação e firmeza em defesa da classe operária e dos trabalhadores radicava no seu optimismo jovial e na confiança nos ideais que defendia", acrescenta.
Morais e Castro, que morreu um mês antes de cumprir 70 anos, era militante do PCP desde "muito jovem" e assumira "altas responsabilidades de apoio à direcção do Partido antes e depois da Revolução de Abril".
O actor foi sócio fundador do Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos e, diz o mesmo comunicado, "integrou desde a Revolução de Abril o Sector Intelectual da Organização Regional de Lisboa do PCP, de cuja direcção continuava a fazer parte".
Ainda no âmbito da militância política, Morais e Castro era candidato pelas listas da CDU a Lisboa nas próximas eleições autárquicas, terminando agora o mandato na Assembleia de Freguesia dos Anjos.
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16h58 - Joaquim Benite: "Era um actor excepcional"
O director da Companhia de Teatro de ALmada (CTA), Joaquim Benite, disse hoje que a morte de Morais e Castro constitui "mais uma grande perda" para o teatro português, já que Morais e Castro era um actor "excepcional".
"Apesar de ser uma morte anunciada, a morte de Morais e Castro é um grande choque para mim, uma vez que éramos grandes amigos", disse Joaquim Benite em declarações à agência Lusa.
Para o director da Companhia de Teatro de Almada, a morte de Morais e Castro representa ainda a perda de "um grande homem do ponto de vista cívico e pessoal".
"Além de um actor excepcional, de primeiro plano, Morais e Castro era um homem de grande rigor, de grande honestidade e um amigo que me faz muita falta", acrescentou.
A morte de Morais e Castro constitui também uma "mais uma grande perda para o teatro português", que nos últimos tempos tem assistido a outras grandes perdas, sublinhou Benite.
Joaquim Benite dirigiu Morais e Castro na peça "O fazedor de teatro", que este protagonizou, e na peça "Os directores".
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16h37 - Rui Mendes: "Perdeu-se um actor e um cidadão muito emprenhado"
O actor Rui Mendes considerou hoje que com a morte de Morais e Castro se perde um "actor muito profissional", mas também um "cidadão muito consciente e muito empenhado tanto na vida como nas pessoas".
"Ainda estou muito emocionado com a notícia da morte de Morais e Castro, apesar de ser esperada, porque perco um grande amigo", perde-se um actor "muito profissional" e um cidadão "muito consciente e empenhado tanto na vida como nas pessoas", disse Rui Mendes, em declarações à agência Lusa.
Rui Mendes recordou ainda ter sido com Morais e Castro que se estreou no teatro, na peça "A Ilha do Tesouro", dirigida por António Manuel Couto Viana no então Teatro do Gerifalto.
Amigos de "há cinquenta anos", Rui Mendes e Morais e Castro trabalharam ainda juntos no Teatro Moderno de Lisboa e depois de 1974 no Grupo 4, que deu origem ao Teatro Aberto.
Há uns anos que não trabalhavam juntos em teatro embora tivessem contracenado em televisão, referiu.
"Além de grandes amigos, éramos como irmãos", concluiu Rui Mendes.
Rui Mendes, que se encontra em filmagens no Norte de Portugal, lamentou ainda não poder deslocar-se hoje nem domingo a Lisboa para prestar uma "última homenagem" ao amigo de "tantos anos".
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16h27 - Irene Cruz: Morais e Castro "não merecia tanto sofrimento"
A actriz Irene Cruz considerou hoje a morte do actor Morais e Castro uma "grande perda para o teatro", considerando que o actor era "um grande lutador e um grande resistente".
"Morais e Castro era um grande homem" e a sua morte é uma "grande perda para o teatro, uma vez que era um lutador e um resistente", acrescentou.
Morais e Castro, Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes fundaram em 1974 o Grupo 4, em Lisboa, que esteve na génese do actual Teatro Aberto.
Irene Cruz acrescentou ter recebido a notícia da morte de Morais e Castro com "grande consternação".
"Fomos sócios, éramos amigos e compadres, porque o Morais e Castro é padrinho de baptismo e de casamento do meu filho", disse a actriz, sublinhando que a sua relação com o actor falecido hoje sempre foi de "grande amizade e proximidade"
"Apesar de saber que ele estava muito mal e em grande sofrimento foi com grande consternação que recebi a notícia da sua morte", disse a actriz, sublinhando que o actor "não merecia ter tido um sofrimento tão grande como teve na doença".
Segundo a actriz, Morais e Castro - que era também advogado "e um excelente advogado" - deixou sempre esta profissão para segundo plano devido à "grande paixão" que nutria pelo teatro.
"Que Deus o tenha em paz, são as únicas palavras que consigo dizer", sublinhou.