23/02/2012 atualizado às 13:08

Raimundo Quintal: "Alertei para o que podia acontecer e chamaram-me inimigo da Madeira"

O conhecido geógrafo e investigador madeirense Raimundo Quintal, presidente da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal e ex-vereador do Ambiente da câmara da cidade, afirma em entrevista ao Expresso que alertou várias vezes as autoridades, nos últimos anos, para o desastre que poderia ocorrer na ilha, mas chamaram-lhe "fundamentalista, radical e inimigo da Madeira".

Virgílio Azevedo (www.expresso.pt)
11:40 Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Raimundo Quintal critica o facto de se ter acreditado durante muitos anos que os problemas relacionados com as ribeiras da Madeira se resolviam apenas com obras de construção civil
Raimundo Quintal critica o facto de se ter acreditado durante muitos anos que os problemas relacionados com as ribeiras da Madeira se resolviam apenas com obras de construção civil

O que correu mal no ordenamento do território para acontecer a catástrofe na Madeira?
Em primeiro lugar é preciso dizer que, por muito bem ordenado que estivesse o território, com a gravidade do que ocorreu na manhã de 20 de Fevereiro e somando ao que vem a chover desde Dezembro, haveria sempre consequências, mortos e destruição. Disso não tenho dúvidas.

Mas a meu ver o que correu mal foi o facto de se ter acreditado, desde há muitos anos, que apenas com obras de construção civil se resolvem os problemas dos cursos de água. Não é verdade. Alguns casos poderiam ter-se evitado se dentro dos leitos das ribeiras não existissem britadeiras e materiais.

Pode dar alguns exemplos?
Olhe, no sítio da Meia Légua, na Ribeira Brava, há um estaleiro de uma conhecida empresa de construção civil com máquinas e muitos materiais para apoiar a Via Expresso, e tudo veio por ali abaixo até ao mar.

E numa das ribeiras que atravessa o Funchal, a Ribeira de Santa Luzia, há uma empresa no leito de cheia, a Brimade, com uma pedreira, uma britadeira e uma central de betão, e desde há muitos anos que se arrasta ali, extrai pedra da própria ribeira e deposita aí os materiais. Nos oito anos que estive na Câmara, por várias vezes a autuei, levei a tribunal porque não pagava e num dos julgamentos até solicitei que fossem ao terreno, mas infelizmente a juíza foi lá e arquivou o processo. E já estão a fazer agora uma nova central de betão!

«Por muito bem ordenado que estivesse o território da Madeira, haveria sempre consequências, mortos e destruição com as chuvadas de 20 de Fevereiro»
«Por muito bem ordenado que estivesse o território da Madeira, haveria sempre consequências, mortos e destruição com as chuvadas de 20 de Fevereiro»
Duarte Gomes

Não basta construir muralhas nas ribeiras


Mas era expectável o que se passou?
Era. Não basta fazer muralhas nas ribeiras. Não tenho dúvida que muitas das muralhas que foram feitas contribuíram para minimizar os efeitos das cheias. Mas ninguém me venha dizer que a cobertura do troço final da Ribeira de S. João, junto ao Centro Comercial do Dolce Vita, no Funchal, não tinha um erro grave.

Eu avisei antes e chamaram-me fundamentalista, radical, inimigo da Madeira. Infelizmente vi acontecer o que eu escrevi várias vezes em artigos e o que disse num programa na RDP Madeira, bem como na televisão a 28 de Outubro de 2007.

Outro exemplo: há dois anos houve uma derrocada na Ribeira dos Socorridos que matou dois homens, que estavam no estaleiro de uma empresa. Um mês antes eu tinha chamado a atenção para o problema num telejornal da RTP Madeira (a 28 de Outubro de 2007).

Na noite do acidente fui comentar à televisão o que tinha acontecido mas apontei outros casos, como uma enorme padaria (a maior da Madeira) que estava a ser construída no sítio da Fundôa, no Funchal, na vertente oriental da Ribeira de Santa Luzia, e disse que essa padaria estava numa zona de elevado risco, nunca devia ter sido autorizada, mas ainda estão a tempo de o impedir. Pois agora, com as chuvadas, houve uma enorme derrocada e uma parte da padaria desapareceu.

«Sei bem o que foi preciso lutar para termos as ribeiras melhor geridas, e não apenas obras de construção civil, quando fui vereador da Câmara do Funchal»
«Sei bem o que foi preciso lutar para termos as ribeiras melhor geridas, e não apenas obras de construção civil, quando fui vereador da Câmara do Funchal»
Duarte Gomes

A sua experiência na Câmara do Funchal permite-lhe perceber melhor a enxurrada que varreu a ilha?
Quando se apontam os problemas antes de acontecer a desgraça dizem que há má vontade, que não se é amigo da Madeira. Mas eu estou muito à vontade, porque estive oito anos como vereador independente do Ambiente na Câmara do Funchal, e fui para lá pouco depois das cheias de 1993 (em Janeiro de 1994).

E sei bem o que foi preciso lutar para termos as ribeiras melhor geridas, e não apenas com obras de construção civil, mas iniciando os trabalhos de reflorestação e abrindo caminho para a própria autoregeneração da vegetação indígena.

Possivelmente, se isso não tivesse acontecido, hoje tínhamos consequências ainda mais graves. Não se pode dizer que isto é culpa de A, B ou C. Mas nem tudo o que se fez foi bem feito por quem tem responsabilidades nesta terra. Cometeram-se erros, também se fizeram coisas bem feitas, mas o que não foi bem feito não deve ser reconstruído.

Não posso admitir que venha dinheiro do Fundo de Solidariedade da União Europeia para voltar a fazer a rotunda em frente ao Centro Comercial Dolce Vita, no Funchal, para apoiar empresários com estaleiros dentro da ribeira.

«Há vários casos de destruição de casas, estradas e pontes em que voltar a construir no mesmo sítio é estar a deitar dinheiro pela ribeira a baixo»
«Há vários casos de destruição de casas, estradas e pontes em que voltar a construir no mesmo sítio é estar a deitar dinheiro pela ribeira a baixo»
Duarte Gomes

Evitar zonas de risco


E então o que propõe?
Proponho que venha dinheiro do Fundo de Solidariedade para recuperar as veredas que vão permitir novamente o turismo de montanha, para recuperar as levadas, para recuperar acessos, para construir casas e haver coragem de dizer que não é possível construir mais em determinados sítios onde existem riscos de escorregamentos, ou que estão em leito de cheia.

A melhor estratégia para o grande trabalho de recuperação da Madeira seria aplicar a mesma metodologia que foi usada para os Açores aquando do sismo de 1 de Janeiro de 1980.

Neste caso, naturalmente, com a devida adaptação porque na altura não estávamos na União Europeia mas a recuperação levada a cabo foi exemplar, apesar de não haver muitos meios financeiros, e com uma enorme competência, com uma equipa multidisciplinar a trabalhar e liberta das colorações político-partidárias.

Como foi possível construir em leito de cheia e em locais de risco de derrocadas sem violar as directivas europeias?
Muitas das obras de canalização das ribeiras foram feitas em pleno Terceiro Quadro Comunitário de Apoio (com o apoio do Feder - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) e ao abrigo dos programas de defesa do Ambiente. Algumas dessas obras foram bem feitas, foram importantes para defender localidades, tanto no Funchal como fora do Funchal.

Mas outras não. As obras foram autorizadas e financiadas e passaram no Tribunal de Contas e tudo foi feito de forma legal. Mas possivelmente o conceito de leito de cheia varia consoante os técnicos que dão os pareceres. E sabe bem que os estudos de impacto ambiental são encomendados pelos promotores das obras, é assim em todo o país...

O desastre da Madeira foi um fenómeno extremo relacionado com o aquecimento global?
Estamos integrados numa grande região mediterrânica que é caracterizada por estados do tempo que têm picos de secura intercalados com picos de precipitação no Outono e Inverno. O que aconteceu agora aconteceu em 1803 com muito maior violência. Isto é um fenómeno que ao longo da história da Madeira tem ocorrido.

Os estudos que eu conheço para esta área, incluindo os liderados pelo professor Filipe Duarte Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (o Projecto CLIMAAT), apontam para que neste século os períodos de secura sejam mais intensos e que estas chuvas violentas venham a acontecer em intervalos mais curtos.

O que aconteceu na Madeira está intimamente ligado às alterações climáticas? Não gosto de especular. O que é verdade é que temos vindo a notar estes problemas e, por um lado, há a Natureza com extrema violência mas, por outro, há a arrogância de alguns pigmeus que sempre afirmaram que dominavam a Natureza.

«Não posso admitir que venha dinheiro da UE para reconstruir a rotunda em frente ao Dolce Vita, no Funchal, onde se tapou o troço final da Ribeira de S. João»
«Não posso admitir que venha dinheiro da UE para reconstruir a rotunda em frente ao Dolce Vita, no Funchal, onde se tapou o troço final da Ribeira de S. João»
Duarte Gomes

UE devia arbitrar a reconstrução da ilha


Acha que as ajudas financeiras da União Europeia e da Administração Central serão bem aplicadas na reconstrução da Madeira?
Julgo que seria importante ter uma forma de intervenção diferente. Há que recuperar algumas estruturas, sobretudo viárias, muitas delas têm que ter o mesmo traçado, mas há situações em que voltar a construir no mesmo sítio é estar a deitar dinheiro pela ribeira a baixo.

A rotunda junto ao Dolce Vita do Funchal não pode jamais ser refeita da maneira como estava. É completamente errado voltar-se a cobrir um troço final da Ribeira de S. João com cerca de 200 metros. Não pode ser!

A União Europeia deveria ter uma participação externa de forma a arbitrar claramente estas situações. Se não, tenho muito receio que a actuação venha a ser profundamente condicionada pelas empresas de construção civil.

As empresas são necessárias neste momento, sem dúvida, e há a meu ver um trabalho extraordinário de colocar novamente a água debaixo das pontes. Há um efeito perverso de relançamento da economia com este desastre, porque o desemprego na construção civil vai baixar, mas é mais do que natural que assim seja.

Muitas das muralhas das ribeiras que foram feitas são importantes para protegerem as pessoas que vivem de um lado e do outro, mas há casos em que só há muralha numa margem e na outra não, é escarpada, e quando a enxurrada passou não encontrou resistência aí e houve desmoronamentos, o que mostra que a construção não foi feita da melhor maneira.

Deveria pensar-se num plano global moderno para o Funchal, adaptado à situação actual, do género do plano do brigadeiro Oudinot aplicado depois do desastre de 1803?
Os tempos hoje são outros. O brigadeiro Oudinot veio para a Madeira, orientou a canalização do troço final das ribeiras, as muralhas ainda aí estão, e na altura previa-se a construção da cidade nova na zona planáltica a leste da baixa do Funchal. Isso só aconteceu muito mais tarde, onde estão os hotéis, o casino, etc., mas não houve essa nova centralidade, como estava previsto. Era uma visão que apontava para uma maior fixação dos habitantes do Funchal fora das zonas de risco. Hoje a realidade é completamente diferente e não há hipótese nenhuma de aplicar essa ideia.

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Pensar faz bem
Malekas (seguir utilizador), 6 pontos (Bem Escrito), 12:36 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Não há voz que não se levante sempre que ocorrem calamidades como a que aconteceu na Madeira. Todos puxam dos seus "galões", mostram um saber imenso e assumem-se como grandes profetas da desgraça. Se há expressão mais tola nestas circunstâncias é a de "eu sabia. Eu não disse ?"
Catástrofes naturais sempre as houve e haverá. Estão a ocorrer em ciclos cada vez menos espaçados, mas sem dúvida com maior violência.
O grande problema que parece estar a ser ignorado (por politiquice da treta) é que o ordenamento na Madeira está muitíssimo condicionado pela brutal densidade populacional que a Ilha tem.
Recordo aos mais "distraídos" que dois terços do arquipélago está classificado como "parque natural".
Assim sendo, sobra 1 terço para albergar aquela gente toda. Deste modo, não devemos estranhar que grande parte da construção habitacional esteja "plantada" nas encostas das serras e montes.
Porque não se vai ao fundo da questão e se apresentam soluções sérias e exequíveis para este problema ?
Talvez os mesmos que agora muito falam e debitam sentenças pudessem dar uma achega do alto da sua "sabedoria".

 
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feiticeiro do norte (seguir utilizador), 1 ponto , 2:11 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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Ci (seguir utilizador), 1 ponto , 22:19 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 16:53 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
Pois é. O problema de Alberto João jardim é ser
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 11:52 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
arrogante, nem os cientistas respeita. Só ele é que sabe tudo...
 
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Convencer o tio Alberto, nem Deus!
Runaldinho (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 12:07 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Já aqui comentei por estes dias, que o Dr. Alberto João Jardim se transfigurou completamente depois da catástofre.
Prolífero em manisfestações politcas descabidas e a roçar o grosseiro, chamando inimigos a todos aqueles que o contrariavam, acabou por reconhecer agora que talvez, "mas só talvez", para não dar de todo o braço a torcer, se pudessem ter feito as coisas de maneira diferente!
Pior que um teimoso, só mesmo um arrogante!
 
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Ci (seguir utilizador), 1 ponto , 22:24 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
Soluções...
Malekas (seguir utilizador), 2 pontos , 14:18 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Não coloco minimamente em causa a autoridade técnica do Dr. Raimundo Quintal. Deve ser, sem sombra de dúvida uma sumidade na sua área de conhecimento.
Mas o que ele fez - e faz - é denunciar uma série de situações que o comum dos mortais reconhece que está mal.´
Denunciar as situações que estão mal, é muito importante. Sem dúvida.
Mas mais relevante ainda é apresentar soluções. E estas, muito sinceramente, ainda não vi nem li.
Apresentem s.f.f. soluções sérias e exequíveis para um ordenamento territorial correcto, tendo em conta estes factores :

1 - Orografia do território;

2 - Densidade populacional de +/- 300 pessoas por km2, sendo que no Funchal chega a ser de sensivelmente 1.500 pessoas por km2;

3 - 75% da população a viver em 1/3 (um terço) do território, por via dos restantes 2/3 (dois terços) estarem classificados como Parque Natural.

Quando aparecer alguém com soluções técnicas compatíveis e que sirvam as pessoas, serei o primeiro - sem qq- relutâncoa - a aplaudir.
Caso contrário, nunca passaremos de conversa fiada ou da treta.

 
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still (seguir utilizador), 1 ponto , 16:36 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
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Nack12345 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:00 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
    Re: Soluções...    Ver comentário
still (seguir utilizador), 1 ponto , 17:47 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
    Re: Soluções...    Ver comentário
Nack12345 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:22 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
    Re: Soluções...    Ver comentário
jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 1:53 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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Vitorjcj (seguir utilizador), 1 ponto , 9:42 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 20:24 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
    Re: Soluções...    Ver comentário
Vitorjcj (seguir utilizador), 1 ponto , 21:44 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
    Re: Soluções...    Ver comentário
jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 22:00 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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Vitorjcj (seguir utilizador), 1 ponto , 9:47 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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Vitorjcj (seguir utilizador), 1 ponto , 9:56 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 14:35 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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still (seguir utilizador), 1 ponto , 15:57 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
    Re: Soluções...    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 16:03 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
Caro sr Raimundo
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:13 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Já não é defeito é feitio e muito comum em Portugal, por estas é que somos um país altamente avançado, mas só para os desfalques?
 
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Ser o causador moral
zepereira (seguir utilizador), 1 ponto , 12:17 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Como é que este Homem, consegue dormir? A consciência não lhe pesa?
Claro, que o Presidente da Câmara do Funchal, também deve ter a alma muito pesada.
Espero que a Comunidade Europeia, fiscalize a reconstrução.
 
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É PRECISO OUVIR OS CIENTISTAS
José Telhado (seguir utilizador), 1 ponto , 12:21 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Há muito que se praticam atentados contra a Natureza na Madeira como noutros lados.
É preciso ouvir agora os cientistas para que o nosso dinheirinho usado na reconstrução não venha a servir para continuar com os erros.
O que seria da Madeira sem o Contenente? Seria como o Hiati, não? Por isso vamos enterrar os machados e ajudar com toda a nossa força os nossos irmãos madeirenses.
Que isto sirva de lição para os orgulhosos e os arrogantes.
Não podemos deixar aquelas pessoas das montanhas, na angústia sem tetos e sem as coisas básicas.
Vamos todos ajudar.
Afinal estamos no mesmo barco!
 
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E na entrevista à Judite de Sousa (RTP) ...
VISCOPE (seguir utilizador), 1 ponto , 12:27 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
AJJ foi ... um ditador autista: nem deixava JS fazer as perguntas que queria (adivinhando que as não podia responder) e ameaçando que não responderia a outras se falassem das criticas que lhe fazem sobre as obras clandestinas ...nomeadamente as de Raimundo Quintal!

Enfim: uma triste imagem do que seria Portugal se em vez de um JS tivesse no leme um AJJ ...

E os psdistas esfregam as mãos elogiando a 'postura de estado' de seu idolo madeirense... Uma vergonha!
 
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    Já estarei voando ...    Ver comentário
VISCOPE (seguir utilizador), 1 ponto , 13:57 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Ouvir os avisos!
leetone (seguir utilizador), 1 ponto , 12:46 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Bem, o Raimundo Quintal a nível florestal e ambiental sabe muito bem e melhor que ninguém os riscos que a Madeira tem, pois a sua actividade profissional como geografo e investigador levam-no a fazer avisos que se têm revelado úteis e oportunos!

Muita gente limita-se a dizer que o Governo Regional não liga aos avisos dados pelos experientes e que depois quem paga é a população. Em parte é verdade, mas também é preciso frisar que as medidas tomadas pelo Governo Regional têm beneficiado a Madeira e no desenvolvimento do sector turístico.

Tal como o mundo acompanha um período de desenvolvimento, a Madeira não pode nem deve ficar para trás e daí serem construídas infra-estruturas que talvez ponham em risco certas localizações. Nós apenas temos que compreender essas medidas e que estas tristes intempéries são de uma raridade extrema!

Não nós culpemos uns aos outros! A Natureza é soberana e nenhum Homem pode se impor perante esta!!!
 
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    Não é bem assim    Ver comentário
O abreu dá cá o meu (seguir utilizador), 1 ponto , 20:07 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
    Sim, também inclui esse factor    Ver comentário
leetone (seguir utilizador), 1 ponto , 20:49 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
É típico dos patriotas ...
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 13:22 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Costumo ver o Bioesfera e não me espanta nada que o tenham anatemizado por chamar atenção ao que se passava naquela ilha. Neste país, o que sempre deu e continua a dar é ser lambe-botas e carneirinho. Pensar pela própria cabeça custa muito e é mais fácil e lucrativo adular o chefe.
 
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    É isso mesmo, meu caro Trapezio por isso os    Ver comentário
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 1 ponto , 15:42 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Falhou
Cabeço Chão (seguir utilizador), 1 ponto , 15:11 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Se foi Vereador durante 8 anos, se alertou, se nada resultou, será também porque falhou?
 
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    Re: Falhou    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 14:41 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
Madeira
still (seguir utilizador), 1 ponto , 16:59 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Pena que a comunidade cientifica hj em dia não passe sem o mediatismo e tenham de estar sempre a desdobrar-se em opinações em vez de continuarem com o seu trabalho e apenas comunicarem nos canais próprios. Desgastam-se, perdem credibilidade por se estarem sistematicamente a vender e muitas vezes nem dizem o que sabem nem sabem o que dizem.
Entao em termos ambientais descobrimos que ha largos milhares de experts por esse mundo fora todos em bicos de pés à espera que sejam bafejados por uma bolsa que uma qualquer entidade resolva distribuir.
Não desistam porque o Ambiente é o negócio do sec XXI e consoante os escrupulos de cada um assim serão mais ou menos afortunados.

Aqui o nosso ambientalista já se colocou a jeito para a obtenção de uma posição de relevo, e correspondente regia remuneração. Basta ler.
 
Cumprimentos
 
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    Re: Madeira    Ver comentário
ckage (seguir utilizador), 1 ponto , 22:43 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Raimundo Quintal: "Alertei para o que podia aconte
still (seguir utilizador), 1 ponto , 17:59 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
"Em primeiro lugar é preciso dizer que, por muito bem ordenado que estivesse o território, com a gravidade do que ocorreu na manhã de 20 de Fevereiro e somando ao que vem a chover desde Dezembro, haveria sempre consequências, mortos e destruição. Disso não tenho dúvidas."

Depois do titulo e deste primeiro paragrafo,
penso que entrevista poderia ter acabado aqui.

Só para ilustrar o que penso sobre os multi_opinadores_expert em bicos de pés.

Cumprimentos

 
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As catastrofes naturais..
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 22:00 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Revelam muitas "irresponsabilidades" reais e imorais..
Mas tambem dão azo a muita demagogia de pacotilha..
Na "civilidade" actual..e da forma como a mesma tem sido construida..não duvido que existam nos PDM e Ordenamentos Territoriais compromissos entre risco e beneficio muito bem calculados..
Numa qualquer catastrofe natural poderá..com toda a naturalidade..o risco péssimisticamente ponderado (mesmo que remota a sua possibilidade) ser ultrapassado em percentagens elevadissimas..
Há que ponderar os riscos..há que fazerem-se as "coisas" por forma a que na eventualidade do risco acontecer os seus efeitos sejam minimos..mas a Natureza não conhece limites nem reconhece "riscos ponderados" pelo Homem..é inexoravelmente mais forte e sem comtemplações para obra feita..
Estou certo que alguns "ensinamentos" serão aproveitados para tentar obviar os nefastos efeitos duma intempérie desta escala imprevista naquela zona..á semelhança do que acontece noutras que tambem já sofreram..
A Natureza..através dos seus fenómenos..é a melhor "escola"..
Se não existisse actividade sismica..pluviosidade..etc..a engenharia não evoluiria..
E tambem se aprende com os erros.."burro" é quem os repete..
Não me lembro de quem afirmou "Posso ser muito mau..ser muito "burro"..mas alguma utilidade deverei ter.....no minimo..como exemplo a não seguir"..a Natureza poderia ter "dito" isto..
   
 
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O ordenamento do território
Cool Carlos (seguir utilizador), 1 ponto , 0:50 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
Esta é uma opinião muito moderada e tecnicamente avalizada que deve ser tida em conta na próxima reconstrução das áreas afectadas da Madeira.
É de elementar inteligência discernir e distinguir entre bobos da corte e velhos do Restelo e todos os que genuinamente se preocupam com os problemas pelo seu valor intrínseco.

Julgo ser este o caso de RQ a quem AJJ não pode deixar de escutar.Em nome daquilo que presumo ser objectivo de ambos, um como cientista o outro como político: o de contribuirem para num território muito acidentado e densamente ocupado haja espaço para os fluxos da natureza prosseguirem o seu caminho o mais naturalmente possivel.

As soluções são exactamente refazer as estruturas com todos os conhecimentos técnicos aplicados de forma séria e pragmática e sem cedências a 'caprichos' de ocasião...
 
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    Re: O ordenamento do território    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 1 ponto , 13:55 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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