Depois da vaga de pânico financeiro que alastrou na quinta-feira pelas bolsas europeias, atingindo em força a Península Ibérica, os mercados acalmaram ontem. A Bolsa de Lisboa na quinta-feira perdeu quase 5%, sob forte pressão vendedora, com mais de €400 milhões transaccionados, num ambiente de grande nervosismo. Ontem o PSI20 perdia apenas 1,3%, mas acumula já uma perda anual superior a 13% e na quinta-feira registou a maior descida desde Novembro. Em Portugal, a onda de pessimismo agravou-se com a ameaça de crise política, as declarações do comissário europeu Almunia, comparando o país à Grécia, e a colocação da dívida da República no montante inferior ao previsto.
Os analistas começaram a sentir um cheiro a nova derrocada bolsista, com quedas na quinta-feira superiores a 2,5% em todo o espaço europeu e americano. Na sexta, as descidas estavam mais contidas à volta dos 2%, mas a bolsa grega caiu mais de 4%. Salientam-se, na quinta-feira, as correcções fortíssimas em grandes bancos originários da Península Ibérica (Santander, BBVA, BES e BCP). Os analistas inclinam-se para "um cocktail de muitas causas" a influenciar esta situação, como expressou à Bloomberg o analista suíço Manfred Hofer.
Entre elas, o que ocorreu no mercado dos credit default swaps (conhecido pelo já popular acrónimo de CDS, um veículo financeiro para segurar o risco da dívida soberana), que esteve ao rubro na quinta-feira com disparos nos preços dos CDS para a Islândia (6º país de maior risco à escala mundial), Grécia (9º país de maior risco), Portugal, Itália e Polónia. O preço dos CDS relativos a Portugal atingiu, na quinta-feira, um máximo histórico de 229,56 pontos-base, um aumento de 160% em relação há um mês. No entanto, ontem, a situação inverteu-se e a pressão acalmou.
Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Fevereiro de 2010