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Queres dinheiro? Vai ao Estado

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 4 de fevereiro de 2010

Como era óbvio, este orçamento passa. Talvez seja menos óbvio, mas o próximo terá o mesmo destino. No meio disto, a política fica mais calma mas a economia cada vez mais dependente do Estado. Esse é o nosso maior drama.

Tanto tempo para tão pouca coisa. Passaram quase 100 dias sobre a posse do novo (?) Governo e a sensação que todos temos é a de uma enorme perda de tempo. Em bom rigor, o Governo aproveitou estes meses para negociar com quem antes se recusava a negociar, pôr dinheiro onde antes não punha, fazer-se de vítima da oposição, agitar o fantasma da ingovernabilidade e fazer uma ou outra coisa.

A oposição não esteve melhor. Numa primeira fase, juntou-se em bloco para, do PCP ao CDS, ajustar contas de quatro anos de degredo e levar a votos no Parlamento uma salada de frutas legislativa sem qualquer nexo ou laivo de responsabilidade. É claro que, tal como o Governo, este movimento não passava de um medir de forças, que acabou rapidamente, com o PC e o Bloco para um lado e o PSD e o CDS quase ao colo do Governo.

O orçamento era o ponto limite de uma peça que esteve em cena quase três meses. O debate quinzenal de ontem no Parlamento já surgiu aos olhos de todo o país num tom delicodoce, só atrapalhado de quando em vez pelo óbvio desprezo que José Sócrates tem por Manuela Ferreira Leite e vice-versa. Há coisas que nunca mudam...

No resto, entrámos na normalidade. Continuamos falidos, endividados e com a remota esperança de que "isto há-de melhorar"; não sabemos bem porquê nem como mas "isto há-de melhorar". Mas, vá lá, temos um orçamento e a certeza de que não vamos estar mais um ano em campanha eleitoral. Bem vistas as coisas isso não é nada mau. Veremos rapidamente que um Executivo minoritário consegue governar e que a oposição consegue levar avante algumas das suas ideias. E que uma ou outra reforma pode ser feita neste quadro.

Se nada de anormal se passar, se a Justiça não tirar algum caso do seu infinito congelador, se os políticos não abusarem do esticar da corda, se a nova liderança do PSD não quiser ir directamente para votos (uma possibilidade real), o próximo orçamento passará sem dificuldade, perante o olhar atento de um Presidente que procura a reeleição e de agências de rating dispostas a dizer as tautologias que lhes pagam para dizer.

No meio disto o Estado engorda e torna-se mais discricionário. Este é o verdadeiro perigo deste orçamento e deste Estado. Com a crise instalada e a economia de rastos, os governos ganham um poder brutal de subsidiar, contratar, ajudar ou perdoar o que lhes apetece. Quem conseguir ser ouvido safa-se, quem não se fizer ouvir fica a pregar no deserto. A discricionariedade do Estado é o maior perigo com que vamos ter de viver.

Texto publicado na edição do Expresso de 30 de Janeiro de 2010

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O Estado em B(r)anco
velez roxo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:04 | Quinta feira, 4 de fevereiro de 2010
"Um socialista ferveroso,visitou Andrew Carnige e falou longamente sobre os males do capitalismo e a necessidade de uma justa distribuição da riqueza.
Carnige chamou o seu secretário e perguntou-lhe dois numeros:o valor total da sua fortuna e a mais recente estimativa da população mundial.Depois de um breve calculo disse ao secretário:" dê a este senhor 16 centimos.É a parte dele da minha fortuna". in Clifion Fadiman (1985) Carnige 3.
 
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Orçamento esse desconhecido
userEX25194 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:34 | Domingo, 7 de fevereiro de 2010
O estado (com minuscula,mesmo) pode ser comparado com uma vaca leiteira. Todo mundo quer sentar num banquinho e puxar as suas tetas..........
 
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abogado_del_diablo (seguir utilizador), 1 ponto , 13:02 | Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
Caríssimo,

Propor-lhe-ia uma reflexão de tipo simplex e que se enquadra na esfera da política económica e fiscal, por um lado, e na esfera da política social, por outro lado, em particular as seguidas desde o XIV Governo Constitucional (António Guterres), no âmbito das quais se vieram a definir e adoptar um Plano Operacional da Economia (POE), um Plano Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS), e um Sistema de Protecção Social de Cidadania (SPSC), nos termos dos quais se definiram planos de implementação, que acabaram por se traduzir em:

i. Uma subsidiação indiscriminada e descontrolada de presumíveis projectos de investimento no plano do Sistema de Incentivos a Pequenas Iniciativas Empresariais (SIPIE);

ii. Uma desorientação estratégica no sector do emprego e da formação profissional, em particular na promoção e no financiamento indiscriminado de cursos de formação não vinculados a um sistema de certificação (nacional, europeu e ou internacional), e que foram vagamente planeados em termos de objectivos e enquadramento laboral;

iii. Adopção de um programa de apoio social denominado por Rendimento Mínimo Garantido (RMG), redenominado como Rendimento Social de Inserção (RSI) -- subscrito por Paulo Pedroso --, mal acompanhado por um plano de implementação, que não tem sido claramente eficiente, em termos de fiscalização e auditoria sobre a execução do mesmo;

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abogado_del_diablo (seguir utilizador), 1 ponto , 16:34 | Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
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