Esta entrevista de Inês de Medeiros
é mais bizarra pelo tom do que pelo conteúdo. Aliás, em rigor, quando Medeiros diz que uma eventual mentira de Sócrates ao Parlamento não seria grave, assume-se como a verdadeira representante do povo, pois não há "assassínio de carácter" capaz de beliscar a popularidade do primeiro-ministro. O que surpreende é a displicência: os esquecimentos e uma aparente naturalidade que seria até de salutar pelo contraste com o politiquês mas que deixa no ar a possibilidade de Medeiros estar, de facto, a pensar como se reflectisse sobre as perguntas pela primeira vez.