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Quem são os "amigos" nas redes sociais e como os contabilizar

3:33 Quinta feira, 18 de junho de 2009
Num exercício facultado pelas "novas tecnologias" (uso a expressão que ouvi hoje a um respeitável político referindo-se a ferro velho informático com pelo menos 10 anos), tiro do meio considerado "do cidadão", conversacional, uma explicação que aqui se converte - magia! - numa "mensagem" veiculada em formato antigo, de difusão.

Brincando com o conceito mcluhanista de o meio ser a mensagem, provo que as redes sociais não implicam a libertação dos cidadãos a troco da escravização dos antigos mensageiros. Na verdade, libertam ambos.

As mensagens podem ser conversadas sem deixarem de ser emitidas. E vice-versa. O que se estilhaçou foi o meio, não as pontas. Ao tornar-se potencial emissor, o receptor não deixa de ser, essencialmente, um receptor. E vice-versa.

Tudo é possível - obrigado, deuses das tecnologias (vamos deixar cair o "novas", vamos?).

Vou, então, difundir numa publicação vertical a mensagem que começou a vida como uma conversa numa rede social.

O uso do termo "amigos" é um amigável abuso por parte dos empresários que fazem as redes sociais. Convidar pessoas para nós da nossa rede não implica à partida (embora também não exclua) a existência de uma amizade prévia. Nem implica a pretensão de a estabelecer. Quando muito, é uma porta que se abre - ler alguém, episodica ou repetidamente, pode levar à descoberta de alguém com um interesse temático coincidente.

Equivocam-se os sociólogos e psicólogos que veêm as coisas mais mirabolantes nas redes sociais, diabolizando-as ou incensando-as - muitas vezes alternadamente. Uma rede é uma rede é uma rede - uma estrutura que permite contactos desintermediados com cada nó da rede, tirando o utilizador o partido que entender dessa estrutura. Ou mesmo tirando valor meramente da observação passiva da actividade da rede - trending, crowdsourcing.

A existência no Facebook de pessoas com mais de 5.000 "amigos" é extraordinária? Significa ausência de critérios na respectiva "aquisição"? Deixe-me então responder com outra questão dupla: É extraordinário o Expresso ter 400, 500 mil, um milhão de leitores? Tem-nos devido a um critério premeditado ou à ausência dele?

O Facebook e as outras redes sociais não são apenas meios "do cidadão", são meios de todos os cidadãos, individuais e colectivos. O poder que facultam não está reservado a priori a uma parcela, casta ou grupo. Há lugar a todo o tipo de comunicação - incluindo o velho, bom broadcast, as mensagens de um pequeno grupo para um grande grupo. Uma audiência. É o caso das entidades (individuais ou colectivas) que acumulam muitos "amigos".

Contabilidade dos "amigos"


A popularidade é apenas uma das medidas disponíveis para avaliar desempenhos e presenças. A popularidade é importante para uns e secundária, ou inútil, para outros. Engraçado é a rede comportar os diversos tipos de presença. Eu sigo (sou "amigo", faço parte da audiência) entidades tremendamente populares como leio (sou "amigo", faço parte da audiência) entidades com pequeníssimas redes. Uma destas últimas tem um impacto social e económico na vida pública portuguesa muito maior que um daqueles, a despeito da desproporção dos tamanhos das respectivas redes.

A relevância é outra medida. Sendo uma medida complexa. Enquanto a popularidade tem um contrário bem definido (a impopularidade), um nó da rede pode ser relevante com sinal positivo ou com sinal negativo (e até com os dois sinais simultâneos, sendo considerado por uns públicos e desconsiderado noutros grupos).

Mas talvez a medida mais importante acabe por ser a satisfação. A minha actividade na rede satisfaz-me? Dá-me gozo? Dá-me prestígio? Arranjo parceiro/a? Obtenho recompensa em dinheiro, directo ou indirecto? Abre-me portas?

Das diversas medidas, a medida que toma em consideração o número de "amigos", a dimensão da rede, é a medida da popularidade. Daí as competições entre campeões de popularidade (repare-se no cortejo de celebridades no top dos mais seguidos no Twitter, rede que, dizem estudos recentes, está surpreendentemente próxima do tradicional modelo de broadcast, com 10% das contas a emitirem 90% do conteúdo . Vendo a vanitas dominar o top, ninguém diria).

Crédito das imagens: laffyak (Flickr) e kolahstudio.com

Paulo Querido, jornalista

 

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Querido Querido
NãoHáInocentes (seguir utilizador), 1 ponto , 11:41 | Sexta feira, 19 de junho de 2009
Não o conheço de lado nenhum mas ao ler o seu artigo fiquei seriamente preocupado consigo. Fiquei com a impressão nítida que o Querido veio parar à Terra por engano e que ainda por cima teve o azar de estacionar em Portugal. Deve ter feito grossa asneira no seu Planeta para ter sido punido com semelhante castigo. Recomendava-lhe dois ou três bons advogados para conseguirem e revisão do seu processo - de preferência um fiscalista, pois quem percebe o Código do IVA consegue perceber qualquer legislação, mesmo marciana - a fim de poder regressar na Enterprise mais próxima. Porém receio que só lhes possa dar os números de telefone e moradas, quando muito uns emails, o que deverá inviabilizar o seu contacto com eles. Em todo o caso previno-o que eles deverão querer falar consigo pessoalmente, pelo que deverá pedir a um amigo, de preferência que exista, para traduzir os seus anseios em linguagem que eles consigam perceber. Cordiais cumprimentos terrestres.
 
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Meu caro Paulo Querido...
Xico Taxista (seguir utilizador), 1 ponto , 23:19 | Sexta feira, 19 de junho de 2009


Importa-se de sugerir ao webmaster do Expresso que retire o termo "WEB 2.0" lá de cima?

O termo "Web 2.0" foi inventado (literalmente) por Darcy DiNucci em 1999, referindo-se a conteúdos dinâmicos (em oposição aos estáticos que eram maioria na época) e não a uma nova tecnologia.

A melhor comparação que eu encontro é chamar ao Cinema, "Fotografia 2.0" !!!!
Percebe onde eu quero chegar ?

As versões de produtos sempre se referiram a evoluções tecnológicas de equipamentos e afins.

Ex.:

Processadores: 4004, 8008, 8080, 8085, 8086, 80186, 80286, 80386, 80486 (houve versões intermédias).

A seguir apareceram:

Pentium I, II, III, IV, (depois começaram a utilizar nomes em vez de números de versão)

Windows 1.0, 2.0, 3.0, 3.1 3.11, 95, 98, (tal como acima, começaram depois a utilizar nomes em vez de números de versão)

Internet Explorer 1, 2, 3, 4, ... até ao 8 (com versões intermédias).

Netscape 1, 2, 3, ... até à versão 9

... e por aí fora.

As pessoas que usam o termo WEB 2.0 no contexto da web social, fazem-no de forma ERRADA.

Referem-se ao tipo de utilização e não à geração tecnológica.

Daqui por algum tempo (espero pouco) todos usaremos a web 2.0.

Mas não terá nada a ver com a web actual EM TERMOS TECNOLÓGICOS.

 
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