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Quando a verdade estraga uma boa história

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
8:00 Segunda feira, 16 de novembro de 2009

Os jornalistas são muitas vezes criticados por só darem relevo às más notícias. Ao que parece somos o espelho de uma espécie de fatalismo luso que nos leva a evidenciar tudo o que está mal e a esquecer os bons exemplos. Esta análise tem um único problema. Os jornais são o espelho do país, deste país que é o nosso, e, às vezes, por muito que os jornais se esforcem não é possível fazer melhor do que contar histórias individuais de sucesso. Quando olhamos para o panorama global português é inevitável esbarrar numa qualquer fatalidade que nos julga e condena à mediocridade. Às vezes, acreditem, os jornalistas esforçam-se, acreditam no Portugal positivo mas depois a verdade dos factos vem estragar as boas histórias.

Ora vejam: Portugal foi o país que melhor aproveitou os fundos comunitários em termos de impacto no produto interno bruto (PIB). Entre 2000 e 2006 recebemos 22,5 mil milhões de euros, que transformámos em 70 mil milhões. Fomos também o país que mais dinheiro (em termos relativos) recebeu. Finalmente alguma coisa, positiva, em que lideramos na Europa.

Mas: É preciso recuar aos tempos da Primeira República para encontrar uma década de crescimento pior do que aquela onde nos encontramos. Entre 2000 e 2010 vamos crescer em média 0,47% por ano, entre 1910-1920 o PIB caiu por ano 0,87%, mas nessa altura tivemos, além da desastrosa República, a primeira guerra mundial e a gripe espanhola.

Sabemos então que nos fartámos de receber dinheiro da União Europeia, que fomos os mais eficientes a aplicá-lo, mas que mesmo assim tivemos a pior década dos últimos 90 anos.

Este desempenho coloca a nu todos os erros de política económica que foram sucessivamente cometidos pelos vários governos. E é difícil escolher o pior. Se metermos todos no mesmo cesto, mexemos bem e tiramos um, podemos cientificamente dizer, foi esse o pior.

E apesar desta evidência a política económica que hoje está a ser cozinhada tem os mesmos ingredientes das políticas que levaram a esta situação. Com a agravante de que ainda queremos colocar mais Estado na economia, fomentado a dependência, a irracionalidade económica, os abusos dos privados na gestão da coisa pública e a manutenção artificial de empresas e de postos de trabalho. E no fim há quem fique satisfeito com este cenário desde que lhe 'toque o seu'. E depois querem que os jornais digam bem...

P.S. - A introdução de portagens em algumas SCUT irá em breve ser discutida no Parlamento. Vai ser curioso ver quem irá votar a favor ao lado do PS, ou mesmo se o PS vota a favor.

João Vieira Pereira

Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009

 

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introdução de portagens nas SCUT.
J Saints (seguir utilizador), 2 pontos , 15:47 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009

"(...) Vai ser curioso ver quem irá votar a favor ao lado do PS, ou mesmo se o PS vota a favor ".

Caro Sr JVP , este seu último parágrafo deixa-me preocupado ... sabendo que os responsáveis têm afirmado repetidamente que a introdução das portagens é para avançar , estando já instalados pórticos em algumas dessas SCUT , onde é que está a sua dúvida no que se refere à votação do PS ???

Terá o caro JVP algum novo elemento que a opinião pública desconhece ....vulgo fuga de informação ???
 
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Contas erradas?
Limes (seguir utilizador), 1 ponto , 12:49 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
Na semana passada escrevia V/Exª. contra as novas auto-estradas e TGVs (de tecnologia museológica, até as ultima gerações não passa de teclogia dos anos 60 com cosmética do século 21) numa semana transformou."Entre 2000 e 2006 recebemos 22,5 mil milhões de euros, que transformámos em 70 mil milhões." isto claro em grosso modo em auto-estradas, já que pelo menos é essa a face da aplicação desses fundos a mais visível.

Será que afinal, Alemanha com a maior rede de auto estradas do mundo, e a china já com a segunda maior rede tem se tornado os maiores exportadores do mundo pelos seus vastos corredores rodoviários?

Parece que afinal há contas novas a fazer? E em oito dias a soma já é outra.

Já para não falar nas cerca 800 perdas de vidas em 2009. E em auto estradas quantas foram?
 
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Portugal está repleto de portugueses
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 15:11 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
É discutível que sejam os portugueses, em particular, a preferirem as más notícias. Por exemplo, os ingleses já há muito tempo que dizem “No news is good news” (notícias nenhumas são boas notícias).

Portugal está repleto de portugueses… A sociedade é constituída fundamentalmente por portugueses. Dela sai a classe política, toda ela composta por portugueses. Da classe política constituem-se os governos, exclusivamente formados por portuguseses. Os votantes do regime democrático são portugueses. Os cidadãos ( “cituaien”) são também portugueses. Os erros, é claro, são dos governos!...
 
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Querem desenvolver? Façam Auto-estradas+ TGV
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:13 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
Há uma piada racista, em que o africano colonizado, o que sabia do empresário (colono), era que tinha Mercedes e uma amante. Com a descolonização, assumiu a empresa e... o resto já sabem.

Parecemos nós.

Muita gente, assinala exemplos de desenvolvimento baseado na existência de auto-estradas ou alta velocidade.

Tal como o africano da história, também só vemos o Mercedes e a amante.

Tudo o que está por trás (Políticos honestos - porque não têm outra solução -), Estado bem gerido - grande ou pequeno - organização, criatividade, produção e justa distribuição dos rendimentos, é propositadamente ignorado.

Não acredito que não saibam, que há qualquer coisa detrás.

Porque os países não são desenvolvidos por terem auto-estradas e Alta-velocidade. Têm isso tudo porque são desenvolvidos e a dinâmica económica o exige.

Faz bem ao espírito e aconselha-se, a leitura do artigo de Clara Ferreira Alves.

Em termos de fome e miséria, não estamos a regressar, ao pré-25 de Abril, mas aos anos 60.

  Qualquer cidadão atento, verifica a enorme quantidade de "Mercedes e amantes". Para semelhanças com Países africanos, só nos falta o petróleo.

O empobrecimento é de há bastantes anos. Nem interessa que Partidos governaram, nem interessa qual o Partido actualmente no Poder. Precisamos de um Governo que olhe para trás e tenha a humildade de dizer: ERRAMOS...

...MAS VAMOS CORRIGIR. JÁ.

  cumprimentos
 
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