Reli recentemente o excelente livro de J. Pfeffer e R. Sutton, "The Knowing - Doing Gap".
O livro é orientado para a investigação sobre os inibidores da acção nas empresas, mesmo as que possuem conhecimento, e está organizado em cinco capítulos fundamentais: 'Quando a conversa substitui a acção'; 'Quando a memória é um substituto do pensamento'; 'Quando o medo nos impede de actuar com conhecimento'; 'Quando as medidas obstruem o bom julgamento': 'Quando a competição transforma amigos em inimigos'.
Todos os capítulos são interessantes e reconhecemos neles um conjunto alargado de características não só das empresas portuguesas como da nossa sociedade em geral.
Mas olhemos mais de perto para o primeiro - 'Quando a conversa substitui a acção' -, que é desenvolvido em torno de quatro alíneas:
"Estar permanentemente a tomar decisões (que obviamente não se implementam), como um substituto para a acção. A adopção de uma organização baseada em projectos que nunca acontecem. A utilização sistemática dos media para anunciar as decisões.
"Realizar frequentemente apresentações como um substituto para a acção. A síndrome das apresentações em power-point. O equívoco de que a apresentação, por si só, acrescenta valor e é suficiente.
"Preparar documentos como substituto para a acção. A obsessão pela proliferação de normas, regulamentos, relatórios, estudos, projectos, que se esgotam em si próprios e não constituem a base para a decisão e a acção.
"Utilizar afirmações de missão como substituto para a acção. A insistência nas visões e missões grandiosas que se proclamam mas que não se concretizam.
Os leitores já identificaram, certamente, a maioria destes comportamentos na sociedade portuguesa, para os quais os autores do livro apresentam duas explicações:
"A conversa esperta acontece agora, as acções inteligentes só ocorrem mais tarde.
"Atribui-se às pessoas que falam muito mais status e influência.
Convinha que alterássemos, com urgência, este paradigma.
Construindo uma sociedade baseada no conhecimento e orientada para a acção.
E, no próximo domingo, temos possibilidades de o fazer.
*Professor Associado Convidado do ISCTE
Texto publicado na edição do Expresso de 25 de Setembro de 2009