"O Congresso social-democrata aprovou hoje, domingo, uma alteração estatutária proposta por Pedro Santana Lopes que determina a expulsão dos militantes que apoiem, sejam mandatários ou protagonizem candidaturas adversárias às apresentadas ou apoiadas pelo PSD."
É assustador que uma regra que deveria ser auto-evidente (não lixarás o teu partido sob pena de expulsão) tenha de ser imposta através de alteração de estatutos. Como se os militantes do PSD, tivessem de ser desincentivados de se lançarem para o abismo. O que é verdade.
Este tipo de comportamento anómalo advém de uma posição teórica que não tem casos que a confirmem.
A de que os partidos Portugueses são locais produtores de ideias e pensamento politico, que albergam diversas tendências de pensamento e que crescem e florescem através do confronto destas sensibilidades.
Ora isto não é verdade.
Os partidos são organizações de gestão de clientelas com a o objectivo final de as colocar em posições de poder politico. As "facções" ou "sensibilidades" que se possam encontrar neles são capas para projectos pessoais de poder, desprovidos de qualquer tipo de ideologia ou de reflexão politica, coisas que são vistas com grande desconfiança e (no geral) abertamente desencorajadas.
Se isto é assim, não é correcto que os partidos se portem de uma forma que vai contra toda a sua realidade.
A sua força vem da sua dimensão e abrangência, e é esperado que após o processo de escolha do líder, todos os militantes se solidarizem com a sua chefia, porque esta só tem relevância enquanto representar, no mínimo, todo o seu partido. Esta obrigação de lealdade é a contrapartida pela distribuição de favores que se seguirá, se este atingir o poder politico.
E se não há ideias diferentes e projectos políticos diferentes dentro do partidos Portugueses (como sabemos que não há), não há outra razão para quebrar as fileiras senão cálculo politico e/ou ego inflacionado.
"À saída de Mafra, os jornalistas viraram-se para Santana Lopes e disseram: "mas nem o PCP tem uma norma destas...". Resposta: "temos nós"."
Pois têm. E a necessidade desta alteração revela a ausência de auto-análise do PSD. Já vai sendo altura de acordarem e verem no que se tornaram.