I. Paulo Rangel é o melhor candidato, intelectualmente falando. Basta ler o que escreveu
. Basta ler as entrevistas que deu. Rangel não tem medo de ser polémico, e diz as coisas que os portugueses têm de ouvir. Exemplo: o ensino português é uma desgraça, e, sim, é preciso uma revolução conservadora na escola pública. Uma revolução que devolva autoridade ao professor, para começar.
Ao invés, quando ouvimos Passos Coelho, "aquilo" não parece genuíno; até parece que Passos Coelho decorou "aquilo" na véspera.
II. Porém, a democracia não é uma aula de direito, ou de economia. Dentro do PSD, a facção anti-Passos Coelho parece que não entende isto.
Paulo Rangel e outros até podem ser melhores do que Passos Coelho, mas têm de revelar isso no terreno, têm de sujar as mãos na máquina do partido. É a vida. Se não conseguem conquistar os militantes, como é que esperam, depois, conquistar o povo inteiro? Paulo Rangel, ao contrário de outros desta facção, parece que entende isto, parece que tem o killer instinct para andar pelo terreno. Mas libertou-se tarde demais da pouca inteligência táctica de Manuela Ferreira Leite. Rangel arrancou quando Passos Coelho já tinha dado três voltas à pista.
III. Em democracia, não basta ser melhor, não basta ter razão
: é preciso demonstrar isso na realidade. E a realidade não é uma aula de direito ou de economia.