O PSD acusa o primeiro-ministro José Sócrates de ter medo de fazer um frente-a-frente televisivo com a líder social-democrata Manuela Ferreira Leite, invocando "regras formais" para recusar o debate.
"De que tem medo o primeiro-ministro?", pergunta o vice-presidente do PSD Aguiar Branco, reagindo à posição do Governo de recusar um debate público entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite.
Na quarta-feira, o ministro dos Assuntos Parlamentares recusou a realização em breve de um frente-a-frente entre a líder do PSD e o primeiro-ministro, alegando que José Sócrates já tem debates quinzenais no Parlamento.
"Este mês, o primeiro-ministro terá debates nos dias 14 e 28. Debate com todos os partidos políticos e com os respectivos líderes. Não é uma responsabilidade do Governo o facto de a dra. Manuela Ferreira Leite não ser deputada do PSD", justificou o ministro dos Assuntos Parlamentares.
Reagindo a esta posição, Aguiar Branco afirma-se surpreendido com a opção do ministro Santos Silva em "refugiar-se em regras de carácter formal, para se furtar ao desafio que a dra. Manuela Ferreira Leite lançou para um debate público sobre política económica".
"Esse debate justifica-se, porque o próprio primeiro-ministro diz que a situação que o país atravessa é de excepcional importância. Portanto, também deverão existir espaços excepcionais nos órgãos de comunicação social para que haja um debate sobre uma matéria excepcional", argumenta o dirigente social-democrata.
Para Aguiar Branco, "se o primeiro-ministro faz acusações ao PSD na televisão quanto à hipotética ausência de propostas concretas, era também de aceitar o repto lançado pela presidente do PSD". "É injustificável aquilo que o ministro Santos Silva invocou para a ausência do primeiro-ministro num debate público com a dra. Manuela Ferreira Leite", insiste.
Segundo Aguiar Branco, "a situação grave e mesmo dramática deste início de ano justifica que, além dos debates que ocorrem na Assembleia da República, se utilizem também outros espaços para esclarecer os portugueses sobre quais as melhores políticas para ultrapassar a crise".