José Sócrates começou o dia a responder a Passos Coelho. Ontem, o líder do PSD afirmara ter a certeza de que a troika, se pudesse pronunciar-se neste contexto eleitoral, apoiaria os sociais-democratas. E o secretário-geral socialista não demorou a dar-lhe troco: "Está na hora de dizer ao líder do PSD que quem escolhe o Governo de Portugal é o povo, não a troika".
Na sua opinião, a "insinuação" de Passos Coelho "só vem demonstrar que o líder do PSD sempre desejou a ajuda da troika", disse no final de uma arruada, ao lado de António Serrano, cabeça de lista do PS em Santarém e ministro da Agricultura, pelo centro de Torres Novas.
José Sócrates entende que "não é legítimo nem razoável pedir mais sacrifícios aos portugueses" para lá dos que são exigidos no memorando assinado pelo Governo. E avisou o PSD: "Espero que se lembre que este acordo foi negociado pelo Governo português com a troika apenas para defender o país, não para defender uma agenda ideológica".
Campanha para a história
Desde que Passos Coelho, em entrevista ao Expresso, no último sábado, reconheceu que o PSD "ganhou um aliado" para a execução do seu programa com a vinda da troika e assumiu que o programa de Governo social-democrata vai mais longe que o que está estabelecido no memorando, que José Sócrates tem batido na tecla de que "o programa ideológico do PSD só se podia concretizar com a ajuda do FMI".
"É necessário cumprir o acordo, mas só aquilo que está no acordo. Não precisamos de ir mais além", assegura José Sócrates, rejeitando o que chama "medidas de aventura que põem em causa as redes de segurança e proteção do Estado".
O líder socialista terminou pedindo mais uma vez o "empenhamento" dos socialistas para "dar uma lição" a todos os "achavam que esta campanha seria sem história". "Esta campanha vai ficar na história", garantiu, convicto da vitória do PS nas eleições do próximo domingo.