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Provedor de Justiça renuncia para a semana

Uma situação "insustentável" leva o provedor a sair, depois de se reunir com Cavaco e Gama.

20:00 Sexta feira, 29 de maio de 2009
Nascimento Rodrigues, provedor de Justiça
Nascimento Rodrigues, provedor de Justiça
Rui Ochôa

Depois de ontem os partidos terem falhado mais uma eleição para o cargo de provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues avisou alguns dos seus colaboradores mais próximos que, "na próxima semana", iria "tomar uma posição". Ontem mesmo, o Gabinete do provedor - que há dez meses ultrapassou o prazo do seu segundo mandato e está doente - pediu audiências a Cavaco Silva e a Jaime Gama. Vai renunciar por considerar que se encontra "numa situação insustentável".

Numa declaração ao Expresso, Nascimento Rodrigues pediu: "Compreendam o meu silêncio neste momento", explicando que solicitou audiências ao Presidente da República - "dada a minha condição de membro do Conselho de Estado " - e a Jaime Gama - "dada a ligação do provedor ao Parlamento". "É a eles que devo, em primeiro lugar, comunicar a minha posição no difícil contexto que me foi criado".

O silêncio de Nascimento Rodrigues e a recusa em confirmar a decisão de renúncia "é uma questão de respeito pelas instituições de que o provedor não abdica", disse ao Expresso um membro do seu Gabinete. A decisão, porém, está tomada.

No depoimento ao Expresso, Nascimento Rodrigues lembra que "por várias vezes" chamou publicamente a atenção "para o facto de o penoso arrastamento" do processo de substituição do provedor "ser descredibilizante para todos". Recorda ainda os apelos feitos ao presidente da AR e à conferência de líderes, assim como "regista" as declarações de deputados que admitem que "só na próxima legislatura seria viável retomar-se o processo da sua substituição". E conclui: " Não diria que o futuro é cor-de-rosa..."

Alberto Martins, líder parlamentar do PS, garante ao Expresso que a maioria socialista irá "esgotar todos os meios" para resolver a sucessão de Nascimento Rodrigues ainda nesta legislatura. Martins lamenta que "o sectarismo político se tenha sobreposto ao interesse nacional" num processo em tudo "negativo para a Assembleia da República". Montalvão Machado, do PSD, por seu turno, responsabiliza os socialistas por este "resultado negativo para a democracia portuguesa".

Jorge Miranda, indicado pelo PS, teve ontem 129 votos e a candidata do PSD, Glória Garcia, obteve 63. São precisos 147 votos para perfazer os dois terços necessários à eleição.



Depoimento de Nascimento Rodrigues ao Expresso

Sublinho, antes de mais, o prestigiante contributo cívico que os quatro candidatos a Provedor de Justiça prestaram no processo eleitoral para designação do novo Provedor. Trouxeram ideias muito interessantes, revelaram manifesta competência profissional e contribuíram para uma melhor compreensão e visibilidade do papel do Provedor de Justiça. Foi pena que o processo eleitoral tivesse demorado tanto tempo a ser desencadeado, pois o que a lei estabelece é que a substituição do Provedor cessante deve ter lugar nos 30 dias anteriores ao termo do quadriénio correspondente ao mandato. Ora, como se sabe, eu fui eleito em 2000 e completei oito anos de mandato em 8 de Julho de 2008.

Acredite-se que, mais do que ninguém, eu sou o primeiro a lamentar que não tivesse ocorrido um desfecho positivo. Por várias vezes chamei publicamente a atenção para o facto de o penoso arrastamento da situação ser descredibilizante para todos e estar a afectar o funcionamento eficaz da Provedoria de Justiça. Cheguei a dirigir-me, nesse sentido, ao Senhor Presidente da Assembleia da República, a quem pedi que fizesse tudo o que estivesse ao seu alcance para evitar a deterioração da situação. Sei que transmitiu o meu pedido à Conferência de líderes parlamentares.

Quanto ao futuro, registo que há declarações de Senhores Deputados afirmando que, se não ocorresse agora eleição do novo Provedor, só na próxima legislatura seria viável retomar-se o processo. O início da próxima legislatura vai ser marcado por outros e mais urgentes actos, como sejam a designação de novo Governo, a aprovação do Orçamento de Estado, etc..

Face a tudo isto, eu não diria que o futuro é cor de rosa... Solicitarei audiência ao Senhor Presidente da República, dada a minha condição de membro do Conselho de Estado, e ao Senhor Presidente da Assembleia da República, dada a ligação do Provedor ao Parlamento. É a eles que devo, em primeiro lugar, comunicar a minha posição no difícil contexto que me foi criado. Peço, por isso, que compreendam o meu silêncio neste momento.

Lisboa, 29 de Maio de 2009
H. Nascimento Rodrigues

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O desmoronar do baralho...
dedalo11 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 20:29 | Sexta feira, 29 de maio de 2009
Vai cair um dos últimos bastiões da Justiça em Portugal? Tudo porque os senhores deputados não se decidem e o actual está "cansado", segundo diz, adiantando que com o processo de eleição arrastado "o cargo fica descredibilizado"... O que falta acontecer neste País? A queda do governo. Se o primeiro ministro se chamasse Santana Lopes e o presidente da República Jorge Sampaio, quanto tempo esta novela "mexicana" teria durado? As circunstâncias são outras? O que vejo é um baralho de cartas a desmoronar-se, uma a uma. O que vale é que há eleições legislativas este ano. Mas até lá, que calvário nos está reservado? Este, mais este incidente político, deveria ser tudo, menos incidente político e para isso bastaria que certos cargos, como este, fossem de decisão do mais alto magistrado da Nação. Só que não é e tudo o que mete política eleitoral dá nesta pocilga em que vivemos, com licença da palavra.
 
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    Processo democrático    Ver comentário
George Rupp (seguir utilizador), 2 pontos , 22:58 | Sexta feira, 29 de maio de 2009
    nesta pocilga em que vivemos...NÃO    Ver comentário
THUNDERSSTORM (seguir utilizador), 1 ponto , 21:15 | Sexta feira, 29 de maio de 2009
    Re: O desmoronar do baralho...    Ver comentário
orim2 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:29 | Sábado, 30 de maio de 2009
    Re: O desmoronar do baralho...    Ver comentário
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:40 | Sábado, 30 de maio de 2009
    Pode nem gostar dosnehor ....eheheheh    Ver comentário
THUNDERSSTORM (seguir utilizador), 1 ponto , 11:44 | Sábado, 30 de maio de 2009
Parabéns a Nascimento Rodrigues
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 21:00 | Sexta feira, 29 de maio de 2009

As minhas felicitações a Nascimento Rodrigues pela dignidade, elevação e correcção com que tem pautado a sua posição de Provedor da Justiça.

No seu lugar, muitos já teriam batido estrondosamente com a porta, deixando bem claro que o poder político lida com a Justiça como uma criança de três anos com um qualquer brinquedo.

Quando as elites políticas de um país se comportam desta forma vergonhosa é porque algo de muito podre reina nesta república.
 
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E desta forma o pais não avança
Claza (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 2:04 | Sábado, 30 de maio de 2009
As constantes guerrinhas de trincheira que temos vindo a assistir nos últimos anos entre os dois maiores partidos portugueses são autênticos atentandos à evolução do pais. Este episódio é um claro exemplo disso, o jogo de interesses pelos quais cada partido tem lutado só tem tido como resultado um afastamento de portugal em relação aos outros estados membros da união europeia, devido ao atraso constante na definição do que quer que seja.

A politica portuguesa tem de mudar para bem de todos, a necessidade de uma renovação é urgente.
 
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Atitude impossível
Nunes da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 2:05 | Sábado, 30 de maio de 2009
Incompreensível este artigo.
O Provedor não pode abandonar o cargo quando o entender. Diz o artº 6º do seu Estatuto:
“2 - Após o termo do período por que foi designado, o provedor de Justiça mantém-se em exercício de funções até à posse do seu sucessor”
        E já escrevi isto mesmo em 21-3-09 em comentário a artigo idêntico do Expresso Online. Não lêem.
                    António José de Matos Nunes da Silva

 
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    Re: Atitude impossível    Ver comentário
Nanquim (seguir utilizador), 1 ponto , 4:37 | Sábado, 30 de maio de 2009
    Re: Atitude impossível    Ver comentário
orim2 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:39 | Sábado, 30 de maio de 2009
    Re: Atitude impossível    Ver comentário
orim2 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:36 | Sábado, 30 de maio de 2009
E ainda querem ...
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 8:00 | Sábado, 30 de maio de 2009
Ou os partidos se reformam a bem... ou isto vai acabar mal...
 
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Provedor de Justiça
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:54 | Sábado, 30 de maio de 2009
Será que o PS e o PSD, vão manter os mesmos nomes ?
No meu entender, os candidatos propostos deviam ser os primeiros a retirarem-se de cena!
Ou. será, que por exemplo Jorge Miranda, não se envergonha desta humilhação?
A única coisa a fazer, é voltar à estaca zero, com a outros
nomes!
 
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Sugestão de compromisso
Nunes da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 14:18 | Sábado, 30 de maio de 2009
Na situação a que se chegou, há radicalização das posições dos 2 maiores partidos.
    Deste modo, a eleição de um dos dois actuais candidatos a Provedor de Justiça representaria a capitulação de um desses partidos. Difícil de aceitar pelo perdedor.
    Uma sugestão, se os Srs. deputados mo permitem.
    Desistirem dos actuais candidatos. Alguém de fora, talvez os restantes partidos em conjunto, apresentariam a candidatura de uma ou duas personalidades que tivessem o perfil adequado ao cargo e de quem não se previsse oposição irredutível de um qualquer dos maiores partidos.
    Creio que, eliminado o obstáculo actual, a eleição obteria o número de votos exigido por lei.
        António José de Matos Nunes da Silva
 
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Praticar a Democracia --- Terreiro do Paço
boa memória (seguir utilizador), 0 pontos (Despropositado), 22:48 | Sexta feira, 29 de maio de 2009

Contra o projecto aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa que irá descaracterizar o Terreiro do Paço, transformando-o numa Las Vegas

Assina a Petição em cidadanialx.blogspot.com
 
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