Dois feixes de partículas circularam esta madrugada pela primeira vez no grande acelerador do Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN
) em sentidos opostos, tendo sido detectadas colisões entre protões a baixa energia, anunciou o Laborátório Europeu de Física de Partículas.
O CERN explicou que, com um feixe de partículas a circular em cada sentido, só é possível conseguir uma intersecção em dois pontos do acelerador com 27 quilómetros de diâmetro que aconteceu ontem à tarde.
"Nas primeiras horas da tarde, os feixes cruzaram-se nos pontos 1 e 5, onde estão situados os detectores Atlas e CMS. Mais tarde, os feixes cruzaram-se nos pontos 2 e 8, onde estão (os outros dois detectores) Alice e LHCb", refere o comunicado.
Longo caminho
"É um grande sucesso ter percorrido um caminho tão grande num espaço de tempo tão curto", afirmou o director-geral do CERN, Rolf Heuer, em referência ao Grande Colisionador de Hadrões
(LHC, na sua sigla em inglês), o maior acelerador do mundo que começou a funcionar na noite de sexta-feira, 20, depois de 14 meses de reparações, na sequência de uma grave avaria.
"No entanto, devemos relativizar. Ainda nos falta muito caminho antes de podermos começar o programa de física do LHC", acrescentou.
"É uma notícia formidável, o princípio de uma era fantástica da física e, esperemos, de descobertas, depois de 20 anos de esforços da comunidade internacional para construir esta máquina e os seus detectores", afirmou Fabiola Gianotti, porta-voz do detector Atlas.