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Protecção de menores

José Alberto Quaresma
10:43 Sexta feira, 26 de junho de 2009

A Comissão de Protecção de Menores quis, e conseguiu, proteger o menor Michelito Lagravere (um mini toureiro de origem franco-mexicana) de umas cornadas de bezerro no Campo Pequeno. Ele que já matou seis bezerros para entrar para o Guiness, que não oficializou o recorde.

A Comissão de Protecção de Menores proibiu a corrida. Atendeu a um pedido expresso da associação Animal, uma agremiação humana sempre preocupada com qualquer animal que invista.

Não é justo que Michelito seja impedido de triunfar em Portugal. Atendendo à sua idade, 11 anos, o Campo Pequeno até era a arena ideal para iniciar a tournée portuguesa. O périplo lusitano previa actuações em Vizela, Albufeira, Monte Gordo, Alcochete, Coruche, Portalegre, Barqueiros e Montemor-o-Novo.

Desta volta a Portugal só acho perigoso Monte Gordo. Por razões sisudas. Se aqui alguém gritasse para a arena: "Monte Gordo!" podia ser considerado ofensivo para o petiz. Michelito é magro. Basta ver os collants cor-de-rosa folgados naquelas pernitas. Além disso, Michelito não tem de montar. Toureia a pé.

O que é certo é que a Animal e a Protecção de Menores conseguiram impedir Michelito de arriscar vidas - a sua e a da bezerrada - em Lisboa e em Portalegre. E o mesmo acontecerá noutras praças portuguesas. Inibindo-o assim de facturar uns cobres, numa actividade que muitos considerarão exploração do trabalho infantil. Mas não é trabalho. É lazer infantil. Chorudo. A contento da família Lagravere.

Associação Animal sabe proteger? Quando está perante dois animais em risco, possivelmente menores, gosta de proteger o animal mais parecido com o homem? Ou o outro? Presumo que "in dubio pro animal".

E as comissões de protecção de menores também sabem proteger? Pelo menos são competentes com crianças estrangeiras que andam, desde os quatro anos, nas arenas do mundo. Já as que andam, desde o berço, nas arenas da vida, tenho dúvidas.

Em Portugal, país de dimensões descomunais, não é fácil referenciar e proteger crianças. Comprovámos isto mesmo a semana passada. Em Pinhal Novo, Palmela, três irmãos de 2, 6 e 12 anos de idade, numa casa devoluta, passaram literalmente pelas brasas. A irmã mais velha, que deles cuidava, fugiu com o namorado para o telhado. Não chegou a aquecer.

É certo que três crianças esturricadas não precisam de protecção alguma. E as comissões de menores também têm direito a andar distraídas. Mas não houve aqui falta de atenção da associação Animal? Não é o seu pelouro fora das arenas?

Seja como for, os gritos dos três irmãos abraçados, cristalizados em cinza, não são suficientemente audíveis para agitar consciências neste, ainda, medonho Portugal de alguns pequenitos?

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