09/02/2012 atualizado às 0:30

Programa da RTP2 anunciou tragédia da Madeira há dois anos (vídeo)

Desde há pelo menos quatro anos que vários cientistas têm feito alertas ao Governo Regional para o perigo que espreitava a ilha da Madeira. Um dos avisos foi transmitido no programa Bioesfera, exibido pela RTP2 há dois anos. (Veja o vídeo com o programa e leia o estudo em pdf no final do texto) Clique para visitar o dossiê Catástrofe na Madeira

Carla Tomás (www.expresso.pt)
21:12 Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010

A tragédia que se abateu sobre a ilha da Madeira era expectável. Há cerca de dois anos, vários especialistas ouvidos pelo programa Bioesfera, da RTP2, davam conta da vulnerabilidade da Madeira a fenómenos naturais como cheias e aluviões.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ CATÁSTROFE NA MADEIRA

O trabalho jornalístico, transmitido em Abril de 2008 e coordenado por Arminda Deusdado, alerta para a inexistência de cartas de risco na maioria dos municípios da ilha, para a contínua construção ao longo dos cursos de água ou sobre os leitos das ribeiras, ou mesmo para o estreitamento e canalização destas com consequências para o ambiente e para a segurança de pessoas e bens.

Na altura, como agora, o Governo Regional da Madeira recusou prestar declarações e fazer o contraditório dos factos apresentados.

Mas antes deste programa ir para o ar, já outros alertas tinham chegado aos governantes madeirenses.

As propostas dos "cientistas loucos"


Em 2006, um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro apresentou no 10º Congresso Nacional de Geotectina, em Lisboa, um estudo sobre as consequências da construção excessiva no concelho do Funchal, desde o aluvião registado em 1993.

Intitulada "Impacte Ambiental Provocado pela Construção subterrânea na baixa citadina do Funchal", a investigação desenvolvida por João Batista Silva, Fernando Almeida e Celso Gomes, chama a atenção para "a crescente construção na baixa citadina do Funchal". Para os académicos, "o estreitamento e ocupação dos leitos das ribeiras conduziram à impermeabilização do solo e subsolo, que tem vindo a danificar o património edificado, e que representa um perigo crescente face à possível ocorrência de cheias".

Os especialistas, que foram apelidados de "cientistas loucos", pelos governantes madeirenses, sugeriram então seis medidas "para minimizar os efeitos das aluviões":

1 - Recuperação da floresta indígena (Laurissilva) nas zonas montanhosas e nas cabeceiras dos principais cursos de água para aumentar a infiltração de água e combater a erosão dos solos;

2 - Planeamento do território que envolva a gestão integrada dos recursos hídricos;

3 - Identificação, caracterização, controlo e monitorização do movimento de depósitos nas ribeiras, que possam dar origem a escorregamentos e/ou correntes de lamas;

4 - Remoção de vegetação, materiais geológicos e entulhos e lixos do leito das ribeiras;

5 - Definição de um modelo hidrodinâmico capaz de prever em tempo real a ocorrência de cheias na baixa citadina e gestão dos canais de escoamento;

6 - Elaboração de cartas de risco de cheias (Aluvião) que tenha em conta para uma dada área as condições geológicas, geomorfológicas, pedológicas e hidrológicas.


Veja o vídeo com um excerto do programa Biosfera colocado no YouTube


PDF: Clique para ler o estudo sobre o impacte ambiental na baixa do Funchal


Leia mais sobre os alertas que podiam ter evitado a tragédia na Madeira na edição do Expresso em banca no dia 27
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emmj (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 2:56 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
A Madeira Nova de Alberto João Jardim, já muito antes desta tragédia, vinha dando mostras inequívocas quanto à sua insustentabilidade.

Fosse sob uma perspectiva da sua inadequação, face aos parâmetros da natureza, fosse ainda meramente quanto à precariedade na manutenção dos recentes empreendimentos do governo (Marinas, túneis, vias-rápidas, praias artificiais e jardins), ou na suspensão de um conjunto de projectos que foram parar na gaveta, por questões relacionadas ao endividamento da região.

Alberto João, chama de "abutres" toda e qualquer voz crítica à sua administração; havendo mesmo exemplos de pessoas com reputada competência, em seu governo (Dra. Susana Fontinha, Dr. Raimundo Quental, e tantos outros), sumariamente afastados, por manifestarem o seu mínimo desagrado face a certos projectos do governo (ex. Empreendimento do Toco - Um gigantesco complexo urbano, a construir junto a uma importante falésia no Funchal, ganhando um extenso espaço ao mar, junto à Reserva Marinha do Garajáu; ou o Teleférico do Rabaçal - um desenvolvimento em plena Floresta Laurisilva, inserido na rede Natura 2000, considerada pela Unesco Património da Humanidade, etc...)
 
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Temos os políticos que merecemos...
mhchagas (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 22:38 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
... felizmente que continuamos com bons cientistas! Desafios à parte, é o momento de os políticos, bons ou maus, cumprirem a sua missão: servir a população no bom sentido, isto é, ouvir e fazer melhor. Não faz com que o tempo volte atrás e por isso envio a minha solidariedade para todas as pessoas afectadas. Espero sinceramente que nesta reconstrução o meu dinheiro de contribuinte seja bem usado nas regiões autónomas em geral, na Madeira em particular.
 
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Gostamos mais de lamentar
makiavel (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 0:07 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
Madeira já está.

Faltam Cascais, Algarve, baixa Pombalina, Loures etc.

Portugal deve ser o país com mais grupos de estudos e comissões, que produzem recomendações e alertas que ninguém quer ouvir.

Quando acontecer a próxima e anunciada tragédia, ainda haverão milhões de euros para acudir?
Não falo da vida humana - parece que ninguém a valoriza...
 
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Parte V (20.01.10; 11:00h)
userEX164962 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 8:54 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010


  Temos um estranho Estado neste domínio. Proponho-vos o seguinte exercício, baseado em factos concretos. Entrem no site da Presidência da República Portuguesa: http://www.presidencia.pt... Vão às intervenções do Senhor Presidente da República e leiam o brilhante discurso que proferiu do dia 10 de Outubro de 2006. Entre outros aspectos diz o seguinte: A corrupção tem um potencial corrosivo para a qualidade da democracia que não pode ser menosprezado. Como tal, todos devem ser chamados a travar a batalha da moralização da vida pública, a bem da democracia e a bem da República. São por isso de saudar todas as iniciativas que, de uma forma séria, contribuam para debelar o fenómeno da corrupção.
Agora, leiam todas as intervenções efectuadas após aquela data. Passaram-se mais de 3 anos. A questão é a seguinte, não há qualquer outra alusão relevante do senhor Presidente da República sobre o problema da corrupção ou outros actos ilícitos. Veja-se ainda que o Senhor Presidente da República, na alocação proferida logo após a catástrofe da Madeira, tenha dito que não é oportuno começar, desde já, a tratar do apuramento das causas do acidente. Mas, deve fazê-lo mais tarde, como o fez Jorge Sampaio, em 2001 e ser ainda mesmo mais exigente.
Há que aumentar a auto-estima dos Portugueses. Para isso temos de saber o que queremos de modo a conscientemente podermos alcançar uma sociedade mais justa, verdadeira, séria, competente, responsável e solidária.

 
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    Re: Parte V (20.01.10; 11:00h)    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 12:05 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
Agora....
Terra_maronesa (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 0:33 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
... ele "só" quer 1 000 000 000,00 de €uros para a reconstrução.

Como não aprendeu absolutamente nada, nem com o aluvião de 1993, nem com o programa da RTP 2, chamando cientistas loucos a quem tem autoridade para falar destes assuntos, nem tampouco irá aprender com a tragédia que acaba de se verificar naquela Ilha, aguardemos a próxima e, com custos de vidas, irá desdramatizar e vai exigir mais uns milhões.

Eu queria perguntar a alguém que por aqui ande e me saiba responder: se, em caso de guerra, um responsável pode ser acusado de crime contra a humanidade, por que é que neste caso, não pode ser acusado de crimes contra a natureza e ambiente, e, em consequência, de assassinato de pessoas por negligência?

 
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    Re: Agora....    Ver comentário
CondestavelXXI (seguir utilizador), 2 pontos , 22:45 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
    Re: Agora....    Ver comentário
Terra_maronesa (seguir utilizador), 1 ponto , 23:13 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
    Re: Agora....    Ver comentário
AnaD (seguir utilizador), 1 ponto , 13:34 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
    Re: Agora....    Ver comentário
jvpaiva (seguir utilizador), 1 ponto , 0:09 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
analphocracia
porradonovosite (seguir utilizador), 1 ponto , 22:04 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Pois, mas Portugal é um país em que os analfabetos é que mandam.
 
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    Re: analphocracia    Ver comentário
luis.sousa.6 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:31 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
aonde estão?
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 22:53 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Este aonde estão é para os que logo apareceram a tecer loas ao AJJardim - o dono da Ilha. E ao dizer isto não esqueço a necessária solidariedade para com o povo da Madeira.
 
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Desde...
O Malho (seguir utilizador), 1 ponto , 23:25 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Há já alguns anos que vejo na TV programas que apontam um grave risco sismico para a região de Lisboa. O que é que o governo tem feito sobre esse assunto, que regras adicionais é que a Camara de Lisboa impõe na construção de edificios ?

Muito avisaram para a possibilidade da ocorrência da crise financeira . O que foi feito para a evitar ??

Se procurarmos encontramos alertas a antecipar quase todas as tragédias da humanidade, as crises financeiras, as guerras, as ditaduras, etc.
No entanto muito poucos desses alertas foram e são levados a sério ...
 
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M.Farid (seguir utilizador), 1 ponto , 23:36 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
Abutres?
emmj (seguir utilizador), 1 ponto , 2:58 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
O que se vê, perante a avidez deste Líder do Governo, é claramente poder gozar de um regime de excepcionalidade universal, perante um período de profunda recessão económica e sacrifícios para o país, por meio de um orçamento extraordinário, reforçado e transvestido em ajudas pelas catástrofes do dia 21 de Fevereiro, com um sentido estrategicamente político.

Paradoxalmente, confrontamo-nos por um lado com importantes pronunciamentos de Alberto João, resistentes a uma declaração de situação de Calamidade Pública, minimizando até, em variados contextos, o sofrimento, que para todo Portugal, se tornou já mais que evidente, de um povo de quem ele, Alberto João, é aparentemente o representante máximo. Por outro lado, e determinado a auferir uma soma igual ou superior a mil milhões de euros, supostamente para reconstruir o que foi pelas chuvas levado, Alberto João também refere que, nada em sua Madeira Nova, foi atingido; que as intervenções feitas, segundo o preconizado modelo de desenvolvimento do seu governo, estão todas de pé.

Concluindo que as ajudas financeiras, não obstante avultadíssimas, não são para atender a calamidades, mas que serão utilizadas com o objectivo de reconstruir tudo segundo as linhas traçadas anteriormente (em outras palavras, uma Madeira Nova, Capítulo DOIS).
 
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emmj (seguir utilizador), 1 ponto , 2:59 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
Parabéns ao artificie nacional da política, que consegue afinal, transformar uma colossal trajédia, em uma solução para um problema extremamente sério, que aliás assola todo um país; ressuscitando assim o sector de Construção Civil, por meio de um vasto conjunto de novas obras faraónicas, recrutando ou afectando indirectamente a mão de obra de milhares de trabalhadores oriundos de um sector, que se mostrava já desgastado e moribundo; efectivando importantíssimas reconciliações com o governo de José Sócrates; e garantindo por isso a sua sucessão de forma absolutamente controlada e calculada. Verdadeiramente, Alberto João é um fenómeno, enquanto político. Lamenta-se que todo o seu sucesso dependa de tanta destruição; que ao longo de mais de três décadas, a sociedade madeirense tenha confundido, de feita sempre humilde, benfazeja e até subserviente, por favor aquilo que deveria ser apenas o seu direito, e que a submissão deste povo implique a limitação de sua cidadania, no exacebamento de assimetrias. Que neste complexo e amplo contexto, o que possa ser considerado politicamente correcto, de facto seja moral e eticamente tão abjectável.
 
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Parte I
userEX164962 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:48 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010

Entusiasmado com as últimas notícias, sobre casos ilícitos, comprei o SOL e Expresso, da semana anterior. Então, decidi, Sábado, 20.02, pelas 7:30h, escrever alguns comentários nos jornais on-line, a partir das 8:30h, sobre o acidente estrutural ocorrido na A8, lembrando anteriores alertas pessoais sobre a história mal contada, no nosso país, sobre o sucesso das obras públicas. Logo após, a fúria dos deuses desencadeou uma elevada precipitação na Madeira, que conduziu a uma catástrofe, ajudada talvez e, em parte, pela insensatez humana.
Vivemos num período terrivelmente nefasto da nossa história. Há dias, almocei com um dos mais importantes generais que desencadearam o 25 de Abril. Dizia-me que se sentia totalmente desencantado, pelo modo como a sociedade civil e em particular os políticos deram cabo da democracia e do Estado de Direito. Referiu ainda que, na sua opinião, se os militares de Abril soubessem o que sabem hoje, provavelmente teriam deixado um período mais longo na entrega do poder à sociedade civil.
 
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Parte II
userEX164962 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:50 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010

Há cerca de 10 anos, falei com um alto dirigente do Estado e mostrei-lhe provas de actos ilícitos no domínio das obras públicas. Perguntei-lhe se não seria de as apresentar na PGR. Disse-me: cuidado, caro engenheiro, pode meter-se na boca do lobo.
Não o fiz, e o modo como vamos sabendo como funciona a justiça, levam-me a concluir que aquele dirigente deveria ter razão. Veja-se o problema que arranjou Ricardo Sá Fernandes quando denunciou um caso de corrupção, as suspeitas que recaem sobre a Procuradoria quando a mesma tomou conhecimento das escutas telefónicas no âmbito do processo Face oculta, os vários casos de suspeição de actos ilícitos que recaem sobre o Primeiro-Ministro e a atitude passiva que denota o Presidente da República.
Hoje os engenheiros vão a votos. As declarações do actual Bastonário nas recentes revistas FOCUS e VISÃO são de resignação ou mesmo mata-borrão. Vêm na continuidade das suas posições, próximas do Poder instituído, e as dos elementos da LISTA A, à qual Fernando Santo também faz parte. Na mesma continuidade, o candidato a Bastonário da lista A, Matias Ramos, se pronunciou no debate, entre os 3 candidatos, na passada 2ª feira. Lamento, que os outros dois candidatos não tivessem mostrado, uma maior incidência, na diferença que os separa da lista da continuidade. A finalizar, espero, que os engenheiros votem bem, para conseguirmos contribuir para mudar o mau rumo que leva o nosso País. ...
 
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Interessante .....
Sakata (seguir utilizador), 1 ponto , 8:51 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010
.....não vejo por aqui os habituais palhaços destes fóruns que defendem a superioridade da cultura e do saber Tugas.

Só ladram quando não têm que enterrar as tólas ocas na areia...
 
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Parte III (20.01.10; 11:00h)
userEX164962 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:51 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010


Em primeiro lugar lamento a perda de vidas humanas e o sofrimento causado pela catástrofe na Madeira. Ocorreu, logo após ter colocado um comentário no Expresso acerca de uma notícia referente ao acidente na A8 e que reza assim: Embora não sendo Catedrático de Engenharia, e tomando como referência o acidente estrutural na A8, continuo a afirmar que há uma história muito mal contada sobre o sucesso nas obras públicas. Por exemplo, não houve coragem para apresentar a verdade dos factos sobre a queda da Ponte de Entre-os-Rios. A então famosa frase do Presidente da República, proferida em 11.03.2001: Devemos à memória dos mortos e ao sofrimento dos vivos o apuramento rigoroso da verdade daquilo que aconteceu, não se cumpriu. Nos últimos 30 anos, como no caso da referida catástrofe, alguns engenheiros fizeram jogo sujo, e contribuíram para o aumento da promiscuidade entre o sector público-privado ligado às obras públicas. Como membro da Ordem dos Engenheiros (OE), recentemente, questionei quantos dos seus membros tiveram penas disciplinares ao abrigo do seu Regulamento, quando actuaram de modo censurável? Praticamente nenhum. Porquê? Porque a OE, tem tido uma acção excessivamente corporativista e em vez de tentar dignificar a engenharia Portuguesa, tem contribuído mais para promover nefastos clubes de amigos. Por este facto, tenho uma leve esperança que poderá verificar-se uma mudança na actuação da Ordem dos Engenheiros e desse modo, dia 26, votarei na Lista B.
 
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Parte IV (20.01.10; 11:00h)
userEX164962 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:53 | Sexta feira, 26 de fevereiro de 2010


Foi pois uma estranha coincidência o que ocorreu. Veja-se que o controlo de cheias também passa por um acto de engenharia civil e muito provavelmente se houver um inquérito rigoroso, poderá verificar-se a existência de actos negligentes. Normalmente, verificam-se graves acidentes provocados por cheias em zonas urbanas, ou por estrangulamento das linhas de água, por excesso de construção junto às mesmas, ou pela criação de obstáculos como pontes, arruamentos, obras de betão, etc. Ou também pelos hidrologistas fazerem uma estimativa subavaliada da cheia máxima provável, normalmente associada a um período de retorno.
No meu caso pessoal, decidi que nada fique como antes no apuramento da verdade sobre os actos de engenharia. Se a Ordem de Engenheiros tem actuado por omissão, vai ser mesmo obrigada a fazer algo mais. Estou preparado para que, eventualmente, me levante um processo disciplinar ou avance por um processo de averiguações. Ou algum colega que se sinta incomodado me levante um processo por difamação. Decidi, de modo acrescido, exercer o meu direito de cidadania. A situação económica e social do País, leva-nos a actuar urgentemente. Não tenho dúvidas que, mais cedo ou mais tarde, irei ser ouvido dias a fio pela Senhora Procuradora, Maria José Morgado. A justiça perde tempo com apitos dourados e não trata outros assuntos muito mais importantes como, por exemplo, a complacência, fraude e corrupção ligados às obras públicas. Porquê?
 
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