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Blogue Falta de Castigo

Professores serão mártires?

Os professores serão mártires da pátria? Pelo menos alguns, presumo que não muito poucos, assim se estimam.

14:35 Quinta feira, 30 de julho de 2009
Recebi um e-mail, pungente, reencaminhado por um antigo colega. Vinha não sei de onde. Levantava uma dúvida metódica orçamental, premente, a pedir muito juízo de valor: "O que valem os Professores?". Depois implorava, entre parêntesis, como que em surdina, "manda a quem conheces". E chamava a atenção para "a difícil e complexa profissão docente!" E, não fosse o leitor não insistir e hesitar: "vê e, se concordares, envia a todos os teus contactos, professores ou não!"

Fui ver. Esperançado numa coisita com humor - das raras que circulam até à exaustão pelo éter - na casmurra missão de tentar fazer as pessoas bem-aventuradas por uns segundos. Mas não. Era uma apresentação em 'power point' primária, com uns bonecos do Pleistoceno pouco animados, vertendo letrinhas a conta-gotas. E era à séria.

Título bem épico: "Ser professor em Portugal - Missão Quase impossível". A apresentação, um pouco 'demodée', lá desfiava o rosário de contas para intercessão do Sumo Pontífice num processo de beatificação de alminhas santas. Vale a pena lançar os olhos.

Que é uma "profissão em que se trabalha em casa (de graça, entenda-se) aos sábados, domingos e feriados, madrugada adentro, e muitas vezes até nas férias". Que é a única "profissão em que se tem falta por chegar 5 minutos atrasado". "É uma profissão que exclui devaneios do tipo 'hoje tenho de sair meia hora mais cedo' ou o corriqueiro 'volto já' justificando a porta fechada em horas de expediente". "É uma profissão de enorme desgaste (ainda há bem pouco tempo foi divulgado um estudo que nos colocava em 2º lugar a seguir aos mineiros)". "É um profissão que deixou de ser acarinhada ou considerada humana e socialmente". "É uma profissão cujos agentes têm de estar permanentemente a 100%. Não se compadece com noites mal dormidas, indisposições várias, problemas pessoais". "É uma profissão em que é preciso ter sempre energia suficiente (às vezes sobre-humana) para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, zelar para que haja materiais de trabalho, atenção, concentração, motivação e produção."

Uma alminha bem intencionada, que não veja a vida cá fora apenas através das grades do portão de um escola, poderá perguntar: será que os autores desta peça andam por aqui neste mundo? Conhecem as agruras de centenas de actividades profissionais infinitamente mais trabalhosas e feitas em condições aviltantes?

Quando afirmam, sem pontinha de modéstia, que os professores batem "aos pontos as competências exigidas a qualquer dos nossos milionários bancários (sic), dos inefáveis empresários, dos intocáveis ministros", ficamos esclarecidos, independentemente da justeza de algumas apreciações.Quem confunde "bancário" com banqueiro, quem desencanta qualificativos como "inefáveis" e "intocáveis", esquecendo que os há em todas as profissões e naturalmente também na docência, ou ainda não chegou a este mundo ou anda confundido.

Estas apresentações ajudam a baralhar, ainda mais, a opinião pública. E têm um efeito contraproducente relativamente ao objectivo pretendido e, sem dúvida, merecido: "Acarinhe os professores!!! Eles precisam do seu apoio!!!". Até porque, mais do que os professores precisarem do apoio da sociedade, é esta que necessita de professores motivados, qualificados e empenhados, e que o são na sua esmagadora maioria.

Os professores não são coitadinhos, nem vítimas, nem mártires. Precisam é de saber esclarecer a natureza específica do seu mister e do que compete aos encarregados de educação antes de os alunos chegarem à escola. Mas para esclarecer é necessário andar esclarecido. E, já agora, um pouco menos decomposto do que pelas 25 ou 26 organizações profissionais que os representam.

Palavras-chave  Blogues, Ciência
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Se os professores fossem mártires...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:48 | Quinta feira, 30 de julho de 2009
... ao longo dos tempos e não apenas hoje, por certo quenão existiriam, por exemplo, professores a mais e no desemprego como gostam de o dizer bem alto, coisa com a qual não concordo porque em quanquer curso, quando se chega ao fim, há emprego ou não há emprego, mas ninguém é professor antes de exercer. Tirar um curso com as pedagógicas e via Ensino, não dá a ninguém o título de professor. Faria todo o sentido que os professores, como muitas outras profissões, tivessem uma Carteira Profissional, e um tempo determinado de estágio, a solo, e não como o fazem em fim de curso. Ser professor é uma profissão nobre, mas não é a única que o é. E com tantas queixas e queixinhas, acredito que há professores a mais, sobretudo já a exercerem! Mudem de profissão... O que não podem, como aconteceu no ano lectivo passado, investir mais tempo e emoções em manifestações do que a ensinar - por maiores as rezões que julguem ter - e terão muitas. Constituam-se em comissões apolíticas e procurem consensos no sentido de regularizarem as suas situações e desejos perante o Estado. Mas não nos atirem, através dos sindicatos, mais poeira para os olhos. Deiquem-se a Ensinar que é para isso que são pagos. e resolvam essa questão das avaliações, mas façam-no depressa porque milhares de crianças esperam à porta da escola pela resolução dos vossos problemas que lhes dão cabo da vida!
 
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Agora são mártires !
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 1:01 | Sexta feira, 31 de julho de 2009
Por acaso alguém obrigou os senhores a escolherem essa profissão?

É que, se estão num sofrimento tal que chegaram ao ponto de martírio, só vos resta arrepiar caminho e procurar outra forma de ganhar a vida.

Há mais empregos e profissões.
Enviem curriculums, vão a entrevistas, proponham-se a outros cargos.

Deixem os lugares (cativos) para quem tem vocação e gosta de ensinar, a bem dos alunos!
Francamente, ser mártir está fora de moda.
 
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    Re: Agora são mártires !    Ver comentário
Emfrente (seguir utilizador), 1 ponto , 3:26 | Sexta feira, 31 de julho de 2009
Mas então...
kepéla (seguir utilizador), 1 ponto , 19:14 | Quinta feira, 30 de julho de 2009
Então não foi uma opção?
Podiamos falar em muita coisa.Mas só algumas.Exame de estado, antes de 1974.Se fosse agora, era uma batalha como aquelas da 2ª guerra mundial.
Avaliação na passagem, do 7º para o 8º escalão,anulado pelo governo do Eng.Guterres.
Depois de 74, eram fotocópias de habilitações e todos foram professores.
E aqueles que se apresentam, pedindo logo,dia livre na 2ª ou na 6ª.
E aqueles que não querem dar aulas ao 12º ano?
Bem podiamos continuar a dizer coisas até os dedos sangrarem.
Mártires?
Sim, mas só na Coreia do Norte.
Aqui não.
 
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Facil solução
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 21:08 | Quinta feira, 30 de julho de 2009
Um mártir é alguém que o é de forma voluntaria o que torna fácil a vida de quem quer deixar de o ser no presente caso.
Basta demitir-se e escolher um qualquer outro caminho profissional!
 
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Foi engraçado ler (1)
LisQue2 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:23 | Quinta feira, 30 de julho de 2009
situaçoes como as de que trabalham em casa... julgam acaso que são os únicos? só os funcionários não têm represálias se o seu trabalho não é terminado ou entregue na data acordada!!

Em quanto as férias... conheço a tantos que tiraram este curso para poder disfrutar de mais de dois meses de não ter responsabilidade laboral... e, se contamos com os outros feriados que não pertencem ao verão... então quasse atingem ou sobrepassam os três meses de férias!!

Isto sim que é uma grande vida!!

Em quanto aos horários... tod@s somos conscientes que, se têm 8 horas de trabalho, não estão a trabalhar todo esse tempo nas aulas; o que quere dizer que não têm todo o seu horário ocupado com o ensino e que muitas dessas horas livres podem ser aproveitadas para adiantar trabalho, corregir exâmes ou, até poder sair do colégio para efeituar qualquer tema / assunto pessoal...

Ah! e todo isto sem ficar descontado na sua nómina!! Sei de muitas firmas privadas que, para poder saír por qualquer assunto tem que pedir permisso e vai a toda pressa porque ainda consentido, vai ficar com mais trabalho retrassado e terá que recuperar tanto o tempo "perdido" como também as tarefas que não foram terminadas à hora...

Quantas horas têm para almoçar? Três? Suficiente para poder masticar e engolir o comer sem ser a correr e poder saborear a comida... e isso se não almoçam no comedor do colégio, pelo qual pagam uma quantidade irrisória...

Sem problemas de ter que estar a espera do prato (cont)
 
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    Re: Foi engraçado ler (2)    Ver comentário
LisQue2 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:43 | Quinta feira, 30 de julho de 2009
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