A Associação de Professores de Português (APP) manifestou-se preocupada com a descida das notas no exame nacional do 9º ano, em que as negativas quase duplicaram, considerando que estas oscilações "não são normais", ao contrário do que afirma o secretário de Estado da Educação.
"Um aumento de negativas dos 16 para os 30% não é normal, ao contrário do que diz o Ministério da Educação. Até porque nas avaliações internacionais como o PISA, por exemplo, nunca há oscilações destas", afirmou o presidente da APP, Paulo Feytor Pinto.
As positivas na prova de Língua Portuguesa caíram de 83% para 70%, enquanto as negativas subiram de 16,7% para 30,1%.
Ainda assim, os chumbos à disciplina são de apenas 9%. O que significa que as notas atribuídas pelos professores ao longo do ano lectivo são bem melhores do que as que os alunos conseguiram obter no exame (que conta apenas 30% para a nota final).
Afirmando não ter elementos para justificar a descida significativa das notas, Paulo Feytor Pinto sublinha que cabe ao Ministério da Educação explicar o que terá acontecido, já que só a tutela dispõe dos resultados pergunta a pergunta.
"Em 2006 as negativas triplicaram e nunca soubemos porquê. O nosso receio é que este ano continuemos sem saber o que aconteceu e isso era fundamental para os professores", afirmou o presidente da APP.
Ao contrário do que aconteceu a Português, os resultados no exame de Matemática foram melhores do que em 2008, com a percentagem de positivas a saltar dos 55% para os 64%. No entanto, um em cada quatro alunos chumbou à disciplina devido ao fraco desempenho ao longo do ano lectivo.