Pouco tempo antes de sair do BES de Campolide com uma pistola apontada à cabeça de um refém, Wellington Nazaré fez um último telefonema: "Ligou às nove e meia e disse-me que preferia morrer a entregar-se à polícia", contou Rodrigo Nazaré, primo do assaltante baleado na cara e internado em estado grave no Hospital de São José, em Lisboa.
Ao Expresso, o primo do assaltante revelou que o tentou convencer a entregar-se à polícia, mas Wellington estava muito nervoso e só dizia "eu suicido, eu suicido". Antes de desligar, Wellington fez um último pedido ao primo, Rodrigo Nazaré: "Liga para a minha mãe e diz que estou trabalhando muito e que está tudo bem".
Rodrigo dirigiu-se de imediato para Campolide. Apresentou-se à polícia como familiar de um dos assaltantes, contando o telefonema que teve com o primo. Terá sido este dado que levou a polícia a acreditar que os assaltantes não queriam, definitivamente, negociar. Rodrigo regressou com inspectores da Polícia Judiciária a casa, dando o consentimento para uma busca domiciliária. A PJ revirou a minúscula casa partilhada pelos dois primos, mas só levou documentos de Wellington. O outro assaltante Nilson Souza, morava em frente. Aí a polícia encontrou dez mil euros em dinheiro, perucas e abraçadeiras de plástico, iguais às que foram usadas durante o assalto para algemar os reféns.
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