O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, defendeu hoje que África deve continuar a merecer uma "atenção prioritária", considerando que os esforços dos Estados africanos realizados em nome de objectivos como a paz devem ser apoiados.
"A paz, o desenvolvimento sustentável, o acesso à educação e à saúde, a integração das economias africanas nos mercados internacionais são objectivo essenciais para a edificação de uma ordem internacional mais justa, pacífica e equilibrada. Há, por isso, que apoiar os esforços que os Estados africanos realizarem em nome destes objectivos", afirmou Cavaco Silva.
Por isso, sublinhou, "África deve continuar a merecer uma atenção prioritária".
"Foi essa convicção que nos levou, com os nossos parceiros africanos, à concretização das Cimeiras do Cairo e de Lisboa entre a União Europeia e África, pontos de partida no aprofundamento do diálogo entre os dois continentes", sublinhou o chefe de Estado, que discursava no plenário da 63ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, que decorre em Nova Iorque.
Cavaco Silva deixou ainda três saudações especiais, ao povo angolano pelo "civismo" com que decorreram as recentes eleições legislativas, ao acordo político no Zimbabué e à Guiné-Bissau, que hoje comemora a sua independência.
A propósito da Guiné-Bissau, o chefe de Estado reiterou o empenhamento de Portugal para contribuir para a estabilização daquele país, um dos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
"A recente Cimeira de Lisboa, na qual Portugal assumiu a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, confirmou a determinação dos seus membros na promoção da paz, da democracia, dos Direitos Humanos e do desenvolvimento", declarou, lembrando também que nessa cimeira foi definida uma estratégia comum de afirmação internacional da língua portuguesa.
"A língua portuguesa é o quinto idioma mais falado no mundo, ligando Estados e povos nos cinco continentes", sublinhou Cavaco Silva, que discursava no plenário das Nações Unidas precisamente em português, já que a Presidência Portuguesa da CPLP conseguiu assegurar a tradução simultânea para as línguas oficiais das Nações Unidas durante a abertura e debate geral da 63ª Assembleia-Geral da organização.
No seu discurso, o Presidente da República não deixou também de recordar o ataque terrorista a 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, classificando-o como "um dos mais infames actos que o mundo testemunhou na nossa era".
"Embora, desde então, muito se tenha feito, o terrorismo continua a ser uma ameaça. A implementação da Estratégia Global é fundamental para o sucesso no combate contra este 'inimigo comum'", defendeu.
Outro "inimigo comum", continuou Cavaco Silva, "mais lento mas igualmente destrutivo, é o da fome e da pobreza extrema".
"Também neste domínio, muito se tem dito e algo se tem feito. Mas muito mais é necessário.", defendeu, reiterando o apoio de Portugal aos "Objectivos de Desenvolvimento do Milénio" e congratulando-se com a criação da Equipa de Trabalho de Alto Nível sobre a Crise Global de Segurança Alimentar.
"A luta contra a fome e a pobreza exige uma parceria global reforçada, cabendo um papel central às Nações Unidas e às instituições de Bretton Woods", declarou.
Cavaco Silva destacou ainda os desafios colocados pelas alterações climáticas, exortando ao apoio dos mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, como os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) e os Países Menos Avançados.
"Importa, pois, congregar esforços no sentido de concluir, em Copenhaga, em Dezembro do próximo ano, as negociações de um Acordo global e transparente sobre o futuro regime climático pós 2012", acrescentou.
Na sua intervenção, Cavaco Silva deixou ainda uma nota sobre a situação humanitária dos refugiados, elogiando o trabalho desenvolvido pelo Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, o ex-primeiro ministro português António Guterres.
"Impõe-se neste caso um continuado esforço colectivo, esforço a que o meu país procurou responder triplicando a sua quota de acolhimento de refugiados", disse.